Governo Wladimir tem ações concretas pelo produtor rural, garante Secretário

(Vídeo ao final das informações) – Um cenário de completo abandono. A frase resume a definição do Secretário Municipal de Agricultura, Pecuária e Pesca de Campos, Almy Junior, sobre a estrutura da pasta que dirige há um ano e meio. Em entrevista ao programa Radar 24 Horas, nas plataformas digitais do site Campos 24 Horas, Almy, que é engenheiro agrônomo, doutor em produção vegetal e foi reitor da Uenf, fala sobre os desafios para a recuperação de estradas e pontes do município, reivindicação prioritária dos produtores rurais. Ele analisa a situação dos produtores rurais e destaca que o emprego de tecnologia para potencializar a produtividade é fundamental numa política de incremento da produção agropecuária, mas a precariedade das estradas impedia o escoamento da produção.  (leia mais abaixo)

“Nós pegamos uma casa destruída, que tivemos que desmontar para montar de novo. Fazer este relato é necessário porque é preciso entender como estava a secretaria quando a gente assumiu. Não tinha uma patrol, uma retroescavadeira ou um trator. Não tinha veículos, um engenheiro, veterinário, zootecnista, engenheiro ambiental ou técnicos agrícolas. Neste um ano e meio conseguimos tirar a secretaria daquela situação e conseguimos montar uma belíssima equipe. Nunca vi um município com um interior tão arrasado. Teve um dia que percorri 600 quilômetros no interior município, sem carro pra andar. Fui com meu veículo particular”, disse.   (leia mais abaixo) 

Logo que assumiu a secretaria, Almy Junior teve que priorizar a reforma de pontes e estradas, a grande parte em estado crítico. “É preciso um diagnóstico para tratar a doença. A gente poderia estar tratando incialmente de um programa de assistência técnica, por exemplo. O que o que o produtor pode plantar ou como plantar, agregando tecnologia para aumentar produtividade no campo. Mas tivemos que montar um plano de ação para recuperação da infraestrutura. Então, a prioridade foi recuperar estradas e pontes, necessidades prioritárias dos produtores. Algo que já deveria estar pronto, mas que não foi feito”, disse. E acrescentou: (leia mais abaixo)

“Na ponte do Nogueira, o produtor precisa dar uma volta de 5 a 10 quilômetros pra tirar um caminhão de cana por causa de uma ponte que caiu e ninguém reconstruiu. No Farol, não havia estrada para chegar ao terminal pesqueiro”, destacou.  (leia mais abaixo)

TECNOLOGIA – Almy Junior avalia que estradas em boas condições são necessidades básicas, mas o crescimento do potencial agrícola de Campos só será real com o emprego de boas práticas agrícolas e tecnologia. (leia mais abaixo)

“O produtor não pode plantar sem uma orientação técnica. Do contrário, a chance de jogar dinheiro e dias de serviço dele no lixo é muito grande. No caso da pecuária, produzir leite não é coisa para amadores. É preciso conhecimento de uma série de fatores. Sou filho de produtor de leite. Sem tecnologia e orientação vamos continuar no mesmo marasmo e sem produtividade”, enfatizou Almy, natural do norte do Espírito Santo. (leia mais abaixo)

O secretário admite que Campos tem desafios para aumentar suas potencialidades no campo em razão de dificuldades na organização coletiva dos produtores em associações e cooperativas. (leia mais abaixo)

“Campos produz cana, leite, a bovinocultura de corte, abacaxi, mandioca e hortaliças, inclusive no entorno da área urbana. Porém, o estado, assim como o município, produz ainda muito pouco em relação ao que consome de alimentos. Mas o agricultor também espera muito do poder público. Os produtores precisam se organizar em cooperativas e associações para tocar seu negócio, ter o seu agrônomo ou seu veterinário. Não pode simplesmente apenas esperar o setor público. Por aqui há universidades que formam agrônomos, veterinários, biólogos, zootecnistas e engenheiros ambientais” frisou. (leia mais abaixo)

A resistência de agricultores no emprego de tecnologia e técnicas agrícolas soma-se a outros obstáculos. “A Secretaria de Agricultura funciona no prédio da Fundenor onde há um laboratório análise de solo. Não se faz agricultura sem análise de solo, mas laboratório passa dificuldades porque a procura é muito baixa. Lá na minha região, o pai quer que o filho se forme em algum curso na área de agronomia. Aqui, a Colégio Agricola foi fechado. E na Uenf há poucos estudantes de agronomia, veterinária ou zootecnia que moram em Campos”. (leia mais abaixo)

Apesar do baixo grau de organização há bons exemplos, mas Campos ainda está distante de ser uma potência na produção de alimentos ou produtos de valor agregado, apesar da enorme extensão de terras agriculturáveis. (leia mais abaixo)

“Há duas associações de produtores de leite, uma em Dores de Macabu, outra em Santa Maria. Esta chegou a produzir 30 mil litros de leite por dia. Na questão da lavoura canavieira, se não fosse a Asflucan (Associação Fluminense dos Produtores de Cana), Campos não teria mais cana. Quanto a pecuária, temos dificuldade em trazer uma agroindústria para cá porque não temos suficiente produção de leite, também porque várias indústrias de Itaperuna, Bom Jesus de Itabapoana e Cachoeiro de Itapemirim compram o leite produzido em Campos”, explicou.   (leia mais abaixo)

“Então, precisamos unir esse pessoal em associações e cooperativas para potencializar escala de produção. Há exemplos aqui como a Coagro e em todo país. E lembrar aos produtores que associação não é confraria de amigos. É um negócio, um contrato de trabalho. Quem não cumprir regras tem que ser expulso do projeto”, declarou. (leia mais abaixo)

Mas nem tudo são gargalos e obstáculos. Há conquistas que devem ser comemoradas no campo. Almy Junior considera que as potencialidades locais são fatores estimulantes. (leia mais abaixo)

“Temos terras férteis, lagoas, rios e canais e um mercado consumidor a ser abastecido. Estamos cuidando de superar uma série de problemas na Casa do Produtor. Por exemplo: boa parte dos produtores não tem títulos da sua terra e não pode ter acesso a financiamento. No mundo não se faz agricultura sem crédito e financiamento. A Feira da Roça tem sido fundamental para encurtar o caminho entre quem vende e quem compra. Nós temos a Uenf e o IFF com vários cursos de formação em várias áreas. O Senar este ano disponibiliza 80 cursos de curta duração para o produtor indo ao encontro dele lá na roça”, enumera. (leia mais abaixo)

Mas há produtores no campo com suficiente espírito empreendedor e que tem colhido bons frtos na fabricação de produtos de valor agregado. ‘Sim, temos devidamente legalizados, com o selo de inspeção municipal, que credencia essas 12 pequenas agroindústrias do município a produzir o queijo e o leite que comercializam. Hoje eles trabalham com 12 a 15 mil litros de leite por dia. Estamos priorizando a infraestrutura, e buscando também avançar na segurança, capacitação e assitencia técnica, lembrando que a gente só tem um ano e meio de governo”.   (leia mais abaixo)

Enquanto isso, Almy Junior busca melhorar as condições de acesso do produtor a financiamento. “Estamos construindo novo modelo junto ao Fundecam para o setor agrícola. Mas há outros canais como o Sicoob, Sicredi. A Caixa Econômica Federal em Campos é a única agência do Estado focada exclusivamente para linhas de financiamento da agricultura”.   (leia mais abaixo)

Quanto à diversificação da produção agrícola, o professor Almy Junior pondera que a cana ainda tem relevância por seus aspectos culturais e capacidade de geração de empregos com o parque industrial instalado no município. (leia mais abaixo)

“A cana é importante e tem espaço para produzir mais sem competir com outras culturas. Muita gente critica a monocultura, mas a agricultura é uma atividade feita da monocultura. No Mato Grosso há monocultura, como na França, onde existem áreas enormes da produção de uvas. Campos possui 300 mil hectares de áreas agricultáveis, sendo de 30 a 40 mil apenas de cana. Quando o município tinha 100 mil hectares de cana produzia 300 mil litros de leite. Hoje temos 30 a 40 hectares de cana e produzimos 50 mil leite. Não há competição, sd várias culturas podem conviver naturalmente”.   (leia mais abaixo)

Almy Junior também tratou de outros assuntos na entrevista como a questão da segurança no campo.  Vídeo da entrevista abaixo: