Campos 24 Horas - Uma ação integrada entre a Secretaria Municipal de Saúde e a Secretaria Municipal de Assistência Social e Cidadania intensificou, nesta quinta-feira (3), o atendimento e o acolhimento à população em situação de rua e em condição de vulnerabilidade social em Campos. A iniciativa foi realizada na Rodoviária Roberto Silveira, no Centro, com a participação das equipes do Programa Saúde Mental, do Programa Consultório na Rua e do Centro de Referência Especializado para População em Situação de Rua (Centro Pop), promovendo abordagem humanizada, escuta qualificada e encaminhamento para os serviços de saúde e da rede socioassistencial do município.
A proposta é fortalecer a atuação conjunta das duas secretarias em locais com concentração de pessoas em situação de rua, facilitando o acesso aos serviços e ampliando as possibilidades de cuidado, acolhimento e reconstrução de vínculos. As abordagens realizadas pelas equipes acontecem diariamente, mas a estratégia integrada busca intensificar a presença dos profissionais nesses territórios. (Leia mais abaixo)
De acordo com a subsecretária adjunta de Assistência Social, Grazielle Gonçalves, a atuação conjunta entre Saúde e Assistência Social permite ampliar o acolhimento e facilitar a adesão das pessoas aos serviços disponíveis.
“Tivemos muito êxito acolhendo pessoas que fazem uso de substâncias psicoativas e também pessoas em sofrimento mental. Saúde e Assistência estão juntas para acolher aqueles que optarem por seguir conosco e acessar os serviços. Muitas vezes, a rua não é uma escolha, mas o caminho que surge a partir do rompimento de vínculos, traumas e situações de abuso. Estamos aqui para tornar mais fácil a adesão aos serviços e, juntos, ajudar essas pessoas a reescreverem suas histórias”, destacou Grazielle.
A coordenadora de Saúde Mental, Gabriella Bandeira, explica que a busca ativa realizada pelas equipes tem como objetivo conhecer a realidade das pessoas no território e estabelecer vínculos para o cuidado. Segundo ela, o trabalho não se resume à retirada das pessoas das ruas, mas à promoção de saúde, dignidade e acesso aos serviços.
“O papel da Saúde Mental em ações como essa é oferecer apoio e realizar a busca ativa. Essa busca não significa simplesmente tirar as pessoas da rua, mas entender onde elas estão no território, o que é uma atribuição dos CAPS. Ações como essa são também ações de promoção de saúde e de dignidade humana. É importante compreender que a responsabilidade pela Saúde Mental também é uma responsabilidade social”, afirmou Gabriella.
Durante as abordagens, as equipes identificam as demandas apresentadas e, conforme cada caso, realizam os encaminhamentos para os serviços de saúde ou da assistência social. Quando a pessoa aceita o acolhimento em uma unidade da rede socioassistencial, passa a contar com um espaço seguro para realizar refeições, cuidar da higiene pessoal e guardar seus pertences. Por meio do Centro Pop, os usuários também têm acesso a atendimentos com assistentes sociais, psicólogos e pedagogos, além de oficinas e cursos voltados para o desenvolvimento da autonomia e para a reinserção social. (Leia mais abaixo)
Nos casos de pessoas que fazem uso abusivo de álcool e outras drogas, os encaminhamentos podem ser realizados para o Centro de Atenção Psicossocial Álcool e Drogas (CAPS AD), serviço especializado no cuidado e acompanhamento desse público.
A unidade trabalha com uma perspectiva de cuidado voltada à autonomia e à reinserção social, considerando o usuário como parte ativa do próprio processo de cuidado. O serviço oferece oficinas terapêuticas, acompanhamento com profissionais especializados, além de espaço para refeições e higiene pessoal. A equipe multidisciplinar é formada por psicólogos, profissionais de serviço social, educador físico, enfermeiro, técnico de enfermagem, psiquiatra e oficineiros, que desenvolvem atividades como arteterapia e musicoterapia.
Rede de acolhimento
O município de Campos conta com quatro unidades de acolhimento para onde podem ser encaminhadas pessoas em situação de rua, de acordo com a avaliação das equipes e a necessidade de cada caso: o Abrigo Manoel Cartucho, a Casa de Passagem, o Abrigo Lar Cidadão e o Albergue Francisco de Assis (AFA), uma Organização da Sociedade Civil (OSC) cofinanciada pela Secretaria Municipal de Desenvolvimento Humano e Social.