14/05/2016 00h13
Suledil Bernadino_____________
(*)Secretário de Controle Orçamentário e Auditoria
Esta semana, se consolidou a saída da presidenta Dilma Rousseff e assumiu interinamente Michel Temer. A equipe escolhida por ele para governar o país, nos próximos meses, demonstra que aquilo que escrevemos, recentemente, vai se concretizar: Temer será o presidente das privatizações.
Os economistas mais afinados com a linha de mercado adotada pelo novo presidente sugerem oito dicas para saída da crise. São elas: liberação da exploração do pré-sal pelos “gringos” sem a participação da Petrobras; flexibilização do orçamento, que tem como objetivo sobrar recursos para rolagem da dívida pública, que chega a quase R$ 3 trilhões; novos acordos comerciais, para aumentar as exportações; autonomia das agências reguladoras, despolitizando a gestão e reforçando o lado técnico para melhorar a eficiência fiscalizadora.
Seguindo as dicas, estão reforma da previdência, aumentando o tempo de contribuição e de idade para aposentadoria e desvinculando os reajustes do salário mínimo; privatizar empresas públicas para melhorar o caixa do governo federal a fim de reduzir o déficit fiscal; mudanças na lei trabalhista, flexibilizando as negociações entre empresas e trabalhadores, e simplificação tributária, a fim de reduzir o número de impostos e tirar a liberdade constitucional que os estados têm quanto à cobrança de ICMS.
A receita está sendo dada. Resta saber se Michel Temer terá respaldo do PMDB, o maior partido do Congresso Nacional, pois o histórico desse partido tem sido a política do “Toma lá, dá cá” e olha que é a terceira vez que o PMDB assume o comando do Brasil sem voto. A primeira vez foi através de José Sarney, que era vice do falecido Tancredo Neves. Depois, foi Itamar Franco, pós impeachment de Fernando Collor e, agora, Temer assume como vice da presidenta Dilma, afastada esta semana.
A nova galeria de ministros do país, por si só, deixa-nos todos perplexos, pois existem sete deles, citados na Lava Jato, que acabam de ganhar de presente o foro privilegiado. Isso acontece depois de tantas críticas no caso do ex-presidente Lula, que quase foi, mas acabou não sendo ministro de Dilma.
Enquanto isso, o povo trabalhador terá que aguardar com “paciência” os próximos lances da política brasileira.