1º/05/2016 08h33 | Foto: Campos 24 Horas
Postado por Fabiano Venancio
Um programa municipal para permanecer em atividade por 18 anos consecutivos tem que ter uma filosofia consistente e, ainda, dar bons frutos no decorrer se sua trajetória. E se esse programa for voltado ao adolescente as responsabilidades no que diz respeito a resultados aumentam. Em 1997 foi criado em Campos, pelo então prefeito, Anthony Garotinho, a Guarda Mirim Municipal, naquela época para jovens a partir de 12 anos de idade. Mas, com o tempo, o programa sofreu uma série de alterações dentro de sua convocação e hoje é dirigido a jovens de 15 aos 18 anos. E aí entram algumas discussões, como por exemplo: E depois dos 18 anos, como esse jovem se posiciona na vida?
Esse período dos 15 aos 18 é o tempo mínimo para se trabalhar o adolescente, já que nesta fase ele está em transformação e em busca do seu ideal. Essa é a opinião de quem entende do assunto e, atualmente, é o coordenador da Guarda Mirim, o pedagogo e coronel reformado da Polícia Militar, Airton Évio de Souza, que também foi presidente do Conselho de Direitos da Criança e do Adolescente, presidente do Conselho Municipal de Assistência Social, diretor do antigo Criam, coordenador de casa de acolhimento no município, além de diretor do Presídio Carlos Tinoco da Fonseca. A Guarda Mirim é um programa desenvolvido pela Fundação Municipal da Infância e Juventude (FMIJ).


Campos 24 Horas – Vamos começar pelo final da história. Os guardas saem do programa aos 18 anos. Estão preparados para a vida?
Airton Évio – É por isso que eles entram aos 15, porque assim teremos um tempo mínimo para trabalhar esse adolescente. É nesta fase que eles começam a se transformar, de crianças para adultos, vamos dizer assim. E no final dessa trajetória eles terão um certificado, porque não basta só o título de guarda mirim, é preciso comprovar conhecimentos. Além disso, eles têm uma relação estreita com a escola, uma exigência do programa, por isso eles atuam no contra turno escolar. No programa eles aprendem de tudo cum pouco, saem preparados, verdadeiros cidadãos para a vida.
C24H – E o que eles aprendem no programa?
Airton Évio – O programa é dividido em módulos. Eles aprendem ordem unida, disciplina militar para condução à formação da cidadania, moral e cívica, ética, relação humana, dinâmica de grupo, formação de liderança, entre outros. Tem ainda o módulo onde eles vão aprender a ser agentes transformadores do meio ambiente (parceria da FMIJ com o IFF), vão aprender sobre turismo do município e muito mais. E quais poderão ser as possibilidades partir dos 18 anos, na área de segurança, meio ambiente, turismo e muito mais. E o mais importante: Eles estão aprendendo, aprendendo, aprendendo.
C24H – O programa seria, então, uma oportunidade de abertura de portas no futuro?
Airton – Com certeza. E é isso que nós passamos para eles, para que aproveitem bem a oportunidade de agora, porque Guarda Mirim hoje poderá ser referência amanhã para abertura de portas. E como já falei tudo isso atrelado à escola. Recentemente foram abertas vagas para 61 novos guardas, mas, deste total, somente 50 puderam permanecer, porque o horário escolar não coincidia com o curso e a escola é prioridade. Mas temos ainda mais 43 antigos, que agora participam ativamente da formação desses que acabaram de chegar. Estes mais antigos exercem atividades na própria FMIJ.
C24H– Os Guardas Mirins têm uma bolsa auxílio. Isso muda o comportamento deles?
Airton – Sim, muda, mas isso não quer dizer que seja um programa da área social ou, então, somente ingressa nele quem não tem condição financeira familiar nenhuma. A bolsa auxílio influencia na medida em que eles se sentem valorizados, gerindo alguma coisa na sua vida ou, até mesmo, ajudando sua família. Hoje a maioria dos guardas vem para o programa conduzido pela sua família, que quer ver seu filho ou filha ocupando seu contra turno escolar com algo que possa o tornar um cidadão completo.
C24H– O senhor falou sobre a atuação dos Guardas Mirins até mesmo na comunidade onde vivem. Certo?
Airton – O aprendizado do dia a dia na Guarda Mirim permite a eles um preparo, principalmente, para a comunidade onde ele reside. Mas não como críticos de uma coisa ou outra, mas como um agente desbravador. Essa é a nossa ideia, nossa esperança e para isso eles estão aqui, aprendendo, crescendo como cidadãos e tudo isso para que num futuro próximo possam ajudar a outros.

C24H – Com sua grande experiência na área com jovens e adolescentes, deve acumular muitas histórias, não?
Airton – Muitas, muitas. Já vi muita coisa boa, mas também muita coisa triste. Já vi, por exemplo, jovens que eu conheci no tempo em que era presidente do Criam e que estiveram por lá, anos mais tarde no Presídio Carlos Tinoco onde eu também estava diretor. Isso é muito triste, saber que aquele adolescente não teve recuperação e acabou se transformando em presidiário. Isso quer dizer que a instituição não cumpriu sua função, embora houvesse esforço para isso. Neste caso a família é muito importante, porque cuidador ou agente nenhum, por mais dedicação que tenha, não substitui a família.