Wladimir: 'Se sou um bom deputado, vou tentar ser ainda melhor como prefeito'

ENTREVISTA – Campos 24 Horas entrevista neste domingo o deputado Wladimir Garotinho, candidato a prefeito de Campos


  • 27/09/2020, 00h52, Foto: César Ferreira.

Em entrevista ao Campos 24 Horas neste domingo (27), dentro da série que o site publica com todos os candidatos a prefeito, o deputado federal Wladimir Garotinho (PSD), 35 anos, afirma que "Campos precisa de um governo de verdade, que faça justiça social e prepare o município para um ciclo de desenvolvimento sustentável”.  Além de colocar suas idéias para várias áreas, Wladimir lamenta o caos vivido na área de Saúde, o fechamento do Restaurante Popular, entre outros problemas: “Foram gastos, somente ano passado em saúde, R$ 820 milhões e não tem remédios nos postos, cuja maioria está fechada, além de hospitais filantrópicos à beira do caos". O candidato ainda afirma que tem uma equipe com 114 pessoas que estão há 10 meses estudando os problemas e buscando soluções, a fim de que, caso seja eleito, possa promover as mudanças demandadas pela população: "O atual prefeito fica dizendo que não tem dinheiro, mas tem dinheiro". A respeito da área política, Wladimir também revela que, antes de decidir ser candidato a prefeito, tentou unir várias forças políticas para tirar um nome de consenso. Ele não deixou de comentar sobre seus pais Garotinho e Rosinha: “Eu me orgulho dos meus pais. Vou ouví-los, assim como ouvirei a sociedade”. Confira abaixo a entrevista completa do candidato a prefeito.

Campos 24 Horas - O que o leva a buscar um mandato de prefeito num dos momentos mais delicados da história de Campos, com a atual gestão municipal considerada fracassada do ponto de vista econômico? O senhor deixa a zona de conforto como deputado federal numa situação politicamente confortável, com bom desempenho em seu trabalho? (Leia abaixo) Wladimir Garotinho  – Em tese, seria mais cômodo continuar exercendo o mandato de deputado, em Brasília. Muitas pessoas, prefeitos da região principalmente, me falam que seria melhor para minha vida pessoal e profissional. Sobretudo, por causa do mandato parlamentar. Eles consideram que o meu desempenho é bom. Mas eu não posso fugir da responsabilidade como filho de Campos. Ainda que o momento seja ruim, eu acredito que Campos tem jeito e não falo da boca pra fora. Tenho uma equipe com 114 pessoas que estão há 10 meses estudando os problemas e buscando soluções de acordo com a realidade orçamentária do município. O que Campos precisa é de um governo de verdade, que olhe por toda a população, em especial para os mais humildes. Um governo sem ressentimentos, que busque soluções ao invés de terceirizar responsabilidades pelos erros. Se Deus e o povo campista me derem a oportunidade de assumir a prefeitura, não vou ficar olhando pra trás. Sei que vou encontrar muitos problemas, que vai ser muito difícil, mas a população quer resolução para os problemas. Os pais querem saber se os seus filhos vão ter vagas para estudar nas escolas do município, se tem merenda. O povo quer os postos de saúde funcionando e saúde básica. O povo quer o sistema de transporte funcional. São coisas elementares, que precisam funcionar. (Leia abaixo) (Leia mais abaixo)

 C24H - O senhor chegou a hesitar durante alguns meses quando seu nome era ventilado como pré-candidato. O senhor chegou a afirmar ter receio até mesmo para lhe preservar pessoalmente e à sua família. O que mais pesou para que decisão de se candidatar fosse tomada? Wladimir – Não foi uma hesitação. Na verdade, inicialmente, tentei unir diferentes forças políticas da cidade para que surgisse um nome de consenso. Caso esta tentativa prosperasse, me manteria em Brasília, como deputado, lutando por emendas e recursos para Campos. Mas a proposta não evolui, porque outras correntes políticas estavam colocando projetos pessoais acima dos interesses da cidade. Não restou alternativa que não fosse sair candidato. Nesses dois anos em Brasília criei boas relações. Exerço meu mandato sempre buscando a harmonia e o entendimento. Desta forma, saio de Brasília para me dedicar a Campos, mas deixando todas as portas abertas para chegar como prefeito em busca de recursos. A cidade precisa de um governo que faça justiça social e prepare o município para um ciclo de desenvolvimento sustentável. Em política não se pode disputar mandatos apenas para desfrutar bons momentos. É preciso ter disposição para enfrentar os momentos desafiadores. Se sou um bom deputado, vou tentar ser ainda melhor como prefeito. (Leia abaixo)

 C24H - Será a sua primeira experiência no Executivo, caso seja escolhido pelos campistas na disputa eleitoral este ano. O senhor se sente preparado para este desafio de governar Campos? Wladimir - Não se pode individualizar as responsabilidades de um governo. É um equívoco se apresentar como salvador da pátria e detentor de fórmulas mágicas para liquidar os problemas. Governo é um trabalho coletivo. Como falei, foi formada uma equipe para avaliar os problemas e buscar as soluções viáveis para a cidade e reafirmo: Campos tem jeito. E eu não vou governar sozinho. No meu governo será montada uma equipe técnica para que possamos devolver a esperança ao povo de Campos, não do verbo esperar, mas do verbo esperançar. Hoje estou deputado, mas eu e minha família moramos em Campos e nós temos que dar a todas as famílias desta cidade um lugar melhor para se viver. E é possível. Eu aceitei esse desafio por Campos, por nossas famílias. (Leia abaixo)

C24H  - Qual será sua primeira medida a ser tomada no dia seguinte à eleição, caso seja eleito prefeito de Campos? Wladimir - Precisamos urgentemente redimensionar custos. Vamos adotar medidas para garantir a qualidade de serviços, reduzir custeio, além de ampliar a eficiência do atendimento. Vamos reduzir o número de secretarias e superintendências, de cargos comissionados (DAS).

C24H  - A prefeitura de Campos registra elevado custeio, enquanto as receitas despencam a olhos vistos. Há estimativa de que o orçamento de 2021 possa cair para R$ 1,6 bi, outros falam em R$ 1,5 bilhão. A folha de pagamento consome mais da metade do atual orçamento, ficando com mais de R$ 1 bilhão. A Saúde tem orçamento estimado em R$ 700 milhões. Como manter o restante dos serviços sem comprometer o atendimento à população? Wladimir – Fazendo gestão com responsabilidade e muito trabalho. Não tem desculpa plausível deixar as pessoas passando fome. O custo do restaurante popular aberto, servindo duas mil pessoas por dia, é irrisório dentro do orçamento da prefeitura. O atual prefeito fica dizendo que não tem dinheiro, mas tem dinheiro. A atual gestão gasta R$ 100 milhões a mais em saúde se comparado ao governo anterior e hoje não tem saúde. Mas vou dizer qual é o número: em 2019 o prefeito gastou R$ 820 milhões com saúde e cadê a saúde? Este é um número que está no balanço orçamentário da prefeitura. São dados oficiais que constam no Portal da Transparência. (Leia abaixo)

C24H  - O Fundecam será mantido caso seja prefeito? Wladimir – Vamos manter o Fundecam, mas vamos reformular( se eleito) para que seja um braço de apoio às parcerias público-privadas, com foco no pequeno no pequeno e microempreendedor. O que precisamos fazer é incentivar e qualificar o fornecedor de produtos, serviços e de recursos humanos para empreendimentos de médio e grande porte, estruturados no município a partir de polos, como o Porto do Açu e similares, com portal digital de empresas ativas por segmento. (Leia mais abaixo)

 C24H - A Saúde e a Educação têm sido duas áreas bastante questionadas em Campos. Em síntese, quais as linhas mestras de seu programa de governo para melhorar estes dois setores? Wladimir – Como eu disse anteriormente. Foram gastos, somente ano passado em saúde, R$ 820 milhões e não tem remédios nos postos, cuja maioria está fechada e os hospitais filantrópicos estão à beira de um colapso por não receberem a complementação municipal há meses. Dias atrás um médico do Hospital Ferreira Machado me relatou que teve que cortar um paciente com tesoura, porque não tinha bisturi. Não há condições de trabalho para os profissionais da saúde. Precisamos implementar o pleno funcionamento da rede de urgência e emergência, fortalecendo e recuperando o Ferreira Machado e o Hospital Geral de Guarus (HGG). Vamos implantar a telemedicina para laudos à distância, como raios-x, eletrocardiograma e pareceres de especialistas no auxílio à assistência básica e na rede de urgência e emergência. Na educação, nós vamos ampliar a oferta de vagas em creches e escolas de educação infantil investindo na melhoria das condições físicas e de pessoal, além da composição de equipes multidisciplinares, como psicólogos, fonoaudiólogos, terapeutas, nutricionistas, para possibilitar um ambiente adequado à aprendizagem e ao pleno desenvolvimento da criança. Vamos investir na ampliação progressiva da escola de tempo integral. (Leia abaixo)

C24H- O senhor disse que Garotinho e Rosinha serão apenas conselheiros em seu governo, caso seja eleito. Nos fale um pouco sobre isso. Wladimir – Família é algo sagrado em minha vida. O homem que não defende a sua família, não defenderá o próximo e nunca estará habilitado a governar. Porque a família é a primeira sociedade com a qual convivemos e extraímos a educação primária para as nossas vidas. Eu me orgulho dos meus pais. Garotinho foi prefeito de Campos por dois mandatos, governador, deputado federal, secretário de estado. Tornou-se uma figura de expressão nacional. Rosinha foi governadora, prefeita de Campos por dois mandatos e também secretária de estado. São experiências admiráveis. Vou ouví-los, assim como ouvirei a sociedade, mas com apoio da minha equipe, as decisões serão minhas como prefeito da cidade.



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