A polêmica do retorno às aulas presenciais parece longe de acabar. O caso de uma professora contaminada pelo novo coronavírus no Liceu de Humanidade de Campos (veja Aqui) reacende o debate sobre a volta do normal nas escolas do município. O Sepe (Sindicato Estadual dos Professores) e o Sinpro (Sindicato dos Professores das Escolas Particulares de Campos e São João da Barra) têm posições diferentes. Enquanto o Sepe defende a volta das aulas presenciais somente após a vacinação dos profissionais da educação, o Sinpro defende o sistema híbrido de ensino (modelo que mescla aulas on-line com presenciais). O Campos 24 Horas mostra nesta reportagem as diferentes posições que chamam a atenção para o risco iminente do retorno às aulas em um momento ainda crítico da pandemia. A decisão final deve sair nesta quinta-feira, dia 18, às 15h30, quando representantes das escolas privadas, da prefeitura, do Sepe e dos conselhos tutelares terão uma reunião com o Ministério Público Estadual (MP) para discutir de que forma deve ocorrer a volta às aulas em Campos. Nos últimos dias, o MP ouviu pais de alunos, entidades classistas, Conselho Tutelar e recebeu da prefeitura um parecer técnico com as exigências sobre as medidas sanitárias a serem adotadas, caso haja um consenso para a retomada das aulas presenciais.
A coordenadora regional do Sepe, Odisseia de Carvalho, disse que o caso da professora contaminada pelo novo coronavírus deveria servir de exemplo para os que defendem a volta das aulas presenciais. “É um fato grave e a denúncia será encaminhada pelo Sepe ao Ministério Público (MPRJ)”. (Leia mais abaixo)
Odisseia reiterou o posicionamento da entidade quanto a proposta contrária do retorno presencial nas escolas.
— O posicionamento do Sepe é pela volta as aulas presenciais, mas só depois que os profissionais forem vacinados. Nós contamos com a parceria do Ministério Público que tem a mesma posição de que a volta as aulas presenciais tem que ser feita com segurança como ficou definido na última reunião com o MP, o Sepe e os conselhos tutelares — disse Odisseia.
Segundo a coordenadora do Sepe, “a professora esteve cumprindo a exigência de comparecimento no Liceu na terça-feira (09) no turno da manhã quando manteve contato com os colegas e alunos aos quais aplicou o questionamento psicoemocional e também no dia 11. No dia 12 foi apresentado atestado médico com a confirmação de teste positivo para Covid 19”.
De acordo com Odisséia, a professora contaminada esteve com 15 alunos em sala de aula para a aplicação do questionário psico-socio-emocional que tinha como base a falta de acesso de alguns alunos a internet e como esses alunos teriam aulas para suprir esta necessidade.
O Sepe informa ainda que a direção do Liceu emitiu um comunicado via WhatsApp os demais professores, mas até o momento não há nenhuma informação sobre como ficará o retorno das aulas pós-carnaval e nem qual providência a Secretaria de Educação irá tomar com aqueles que tiveram contato com o profissional nas dependências no colégio. (Leia mais abaixo)
O caso alerta para o risco iminente do retorno às aulas em um momento ainda crítico da pandemia, que pode colocar estudantes e suas famílias em perigo, além dos docentes que, até o momento, não possuem qualquer previsão de vacinação em Campos.
Odisseia admite que tem sido intensa a pressão dos professores e proprietário de escolas privadas para o retorno às aulas presenciais. “Mesmo sabendo do caso da contaminação de uma colega eles insistem na volta às aulas presenciais”, disse.
SINTICATO QUER RETORNO HÍBRIDO DAS AULAS - Através de uma live, o presidente do Sindicato dos Professores de Escolas Particulares de Campos e São João da Barra (Sinpro), Frederico Rangel, defendeu o retorno híbrido das aulas na rede privada.
“Analisando as várias estruturas das escolas particulares, a diretoria executiva do Sinpro declara apoio ao retorno híbrido das aulas nas escolas particulares. Não dá mais para continuar como está. As escolas particulares têm estrutura para receber as crianças. Da mesma forma que o pai de aluno tem autonomia para levar seu filho ao shopping, pegar um ônibus com ele ou levá-lo a igreja, assim como a festinha de aniversário do seu amiguinho, cabe a ele ter o direito de decidir se encaminha seu filho a escola ou não. É nisso que acreditamos”, declarou Frederico.
Fred Rangel explica que o ensino híbrido não é obrigatório e que as escolas particulares estão preparadas para o retorno híbrido. “O ensino híbrido é oportunizar ao aluno participar das aulas em alguns dias da semana no espaço escolar conforme escalonamento e seguindo todos os protocolos de higiene e segurança contra a Covid-19. Ao mesmo tempo uma câmara na sala de aula filma a aula do professor, e o aluno que não se sentir a vontade ou não está em condições, poderá assistir a aula em tempo real em sua casa. Da forma como está posta a discussão, a criança pode ir a tudo, menos à escola. Isso não passa de uma hipocrisia”, criticou. (Leia mais abaixo)
“Porque o pai não tem o direito de escolher se o filho volta às aulas escola ou não, fiscalizando o espaço da escola e saber se os protocolos de higiene, segurança e combate ao Covid existem ou não?”, concluiu.