
A Violência Obstétrica foi o tema do segundo “Café com o Conselho”, realizado nessa sexta-feira (13), no Conselho Municipal dos Direitos da Mulher (Comdim), no auditório da Casa dos Conselhos. O debate – aberto ao público – recebeu como palestrantes a doutora em Sociologia Política, e também, secretária de Desenvolvimento Humano e Social, Sana Gimenes; a coordenadora do Centro de Referência da Saúde da Mulher de Campos, a médica obstetra, Leila Werneck; e a jornalista Daniela Abreu, paciente vítima de violência obstétrica.
— A violência obstétrica acontece antes, durante e depois do parto, e com mulheres em situação de abortamento espontâneo ou provocado. Precisamos lançar luzes para que não somente os profissionais de Saúde, mas toda a sociedade em geral, e as próprias vítimas entendam o que está acontecendo e quais são os direitos. Normalmente, o que acontece é a violência simbólica, situação em que a pessoa não percebe a agressão, porque o discurso dominador prevalece. A parturiente pensa que o sofrimento, além de ser inerente à condição feminina, é necessário para que o bebê nasça bem — afirmou Sana Gimenes.
De acordo com a médica obstetra Leila Werneck, não há no Brasil um tipo específico de crime em relação à violência obstétrica. Mas, há outros crimes que podem estar agregados como ameaça, maus tratos, constrangimento, etc.
— Na obstetrícia moderna não existe mais lugar para este tipo de agressão. A violência obstétrica é institucional, verbal e física. Por exemplo, negar à gestante o direito de ter um acompanhante ou parto normal. É uma inverdade dizer que a mulher tem que parir com dor. Isso não existe mais. Os casos de violência obstétrica diminuíram bastante, porém ainda está longe do ideal — ressaltou a médica.
A jornalista Daniela Abreu optou por não ter mais ter filhos depois da violência que sofreu no parto, há 20 anos. “Eu soube que a situação que passei durante o parto da minha filha se tratava de violência obstétrica há uns 4 anos. É preciso levar esse debate a todas as esferas da sociedade porque a ideia de que a parturiente não pode reclamar dos procedimentos médicos passa de geração para geração”.
Comdim – As reuniões do Conselho são mensais. No mês passado, foi discutida a situação da mulher no sistema prisional de Campos dos Goytacazes. O tema do encontro dessa sexta foi uma solicitação das conselheiras, por se tratar de uma questão que tem incomodado as mulheres que frequentam o espaço.
Segundo a presidente do Comdim, Vanessa Henriques, o objetivo das palestras é aproximar a sociedade do Conselho. “Tratamos temas diversificados debatidos com profissionais que trabalham com políticas públicas para mulheres ou que estudem essa temática”, disse Vanessa.
O Conselho Municipal dos Direitos da Mulher, gerido administrativamente pela Secretaria de Desenvolvimento Humano e Social de Campos, funciona no edifício Centro Executivo, à Rua Alberto Torres, 371, sala 1107.