(Veja vídeo ao final das informações) - O número de pessoas infectadas e de mortes dispara a cada dia. Mas as cenas de aglomerações continuam sendo vistas pela região, como se houvesse um período de absoluta normalidade. Nos finais de semana campistas tomam o caminho das praias da região. Aglomerações são formadas sem o devido distanciamento social. Neste sábado (23/01) à noite, na Avenida Liberdade, a principal da praia de Grussaí, centenas de pessoas se aglomeravam, muitas delas sem o uso de máscara e o devido distanciamento social.
“Com tanta gente morrendo por este vírus maldito, não deveríamos ter cenas assim”, disse a corretora Conceição Silva. “Eu fico perplexo com tanta negligência, tanto descuido. É surreal”, completou Júlio Santos, técnico em informática. (Leia mais abaixo)
O uso da máscara só era visto nos funcionários dos bares e restaurantes. Alguns clientes entravam com o acessório, mas logo removiam na hora de comer ou beber.
O único atenuante é que na maioria destes estabelecimentos as pessoas não se encontravam no interior da casa, mas nas calçadas, onde havia circulação de ar. Mas sem medida de proteção no rosto como a máscara, os riscos de contrair a doença são maiores, assim como contaminar outras pessoas, inclusive seus familiares, segundo alerta das autoridades médicas.
No site da Prefeitura de São João da Barra, nos últimos dias, não há registro de nenhuma ação dos órgãos responsáveis, com autuação, auto de infração ou aplicação de multas.
BARREIRA - Enquanto isso, a prefeita Carla Machado (PP) se mostra preocupada com as ações na divisa com Campos, e anunciou que a Prefeitura vai mover ação na Justiça para ter o direito de manter a barreira sanitária da BR 356, próximo a Barcelos, a fim de controlar o fluxo de veículos que chegam ao município.
A barreira foi suspensa pela Polícia Rodoviária Federal (PRF) na madrugada deste sábado, 23, alegando transtornos no tráfego da rodovia federal, por onde passam caminhões de carga com destino ao Porto do Açu. (Leia mais abaixo)
ALERTA - Especialistas em epidemiologia avaliam que as características físicas dos bares e do comportamento de seus freqüentadores fazem com que esses locais sejam propícios para a transmissão da covid-19. Sobretudo se os recintos forem pequenos e fechados, o que propicia oportunidades para a aproximação e aglomeração dos clientes, do balcão ao banheiro.
As chances de transmissão da covid-19 em um ambiente fechado são 18,7 vezes maiores em comparação com um ambiente ao ar livre, segundo um estudo realizado no Japão.
“Apesar de não ser a rota principal de transmissão, o vírus pode ficar em suspensão no ambiente, sob a forma de gotículas, por até três horas, segundo alguns estudos feitos em laboratório. Em um ambiente fechado, com muitas pessoas infectadas, você pode ter muita carga viral”, disse Rafaela Rosa-Ribeiro, doutora em biologia celular com pós-doutorado na Itália.
CUIDADOS - A especialista lembra que as pessoas tiram a máscara para comer e beber e, naturalmente, irão conversar, se tocar e se cumprimentar. “Os bares, cinemas, shoppings, escolas, universidades, todos têm de ter certos cuidados, como distanciamento social, máscaras e higienização das mãos. Em bares e restaurantes isso tudo fica muito mais complicado porque as pessoas acabam se descuidando por estarem em um momento de descontração”, pontuou.
Um estudo americano de 2009 demonstrou que as partículas menores de saliva, como as projetadas durante uma conversa, tendem a ficar mais tempo suspensas no ar. “As pessoas podem respirar essas partículas e acabar se infectando”, afirmou Rosa-Ribeiro. (Leia mais abaixo)