Adolescente que assassinou a família planejava matar também a mãe da namorada

VÍDEO – Delegado detalha envolvimento da namorada do jovem que matou os pais e o irmão


  • 1º/07/2025, 11h51, Foto: Filipe Lemos/Campos 24 Horas.

Vídeo ao final das informações - Em coletiva de imprensa realizada nesta terça-feira (1º), o delegado da 143ª DP, Carlos Augusto Guimarães, responsável pelas investigações do caso que chocou Itaperuna — onde um adolescente assassinou os pais e o irmão mais novo (aqui e aqui) — revelou detalhes estarrecedores sobre o crime e confirmou a participação direta da namorada virtual do jovem no planejamento e execução do triplo homicídio. Conversas sugeriram também a morte da avó dele e a mãe da namorada.

Segundo o delegado, desde o início das investigações havia indícios de que o crime não havia sido cometido de forma isolada. A análise de conversas encontradas no celular do adolescente revelou a troca de mensagens com uma jovem, também menor de idade, através de um perfil no Instagram com o nome “John Wick” — referência ao personagem fictício vivido por Keanu Reeves em uma série de filmes sobre um assassino profissional. (Leia mais abaixo)

“Confirmamos que essa adolescente existe, que não se trata de uma invenção ou de um adulto se passando por menor. A partir das mensagens, identificamos que ela teve uma participação ativa em todos os momentos: antes, durante e depois dos assassinatos. Ela induziu, planejou e instigou o adolescente a cometer os crimes, inclusive com chantagens emocionais”, afirmou o delegado.

Os dois adolescentes se conheciam há cerca de seis anos e mantinham um relacionamento virtual, que se intensificou no último ano. Segundo a polícia, os pais do rapaz eram contra o relacionamento, o que motivou o distanciamento físico entre os dois. Em meio às conversas, a jovem chegou a dar um ultimato: ou ele dava um jeito de vê-la pessoalmente, ou o relacionamento chegaria ao fim. Para isso, foi discutida a obtenção de dinheiro — inclusive por meio da venda do carro da família — como parte do plano para viabilizar o encontro.

A polícia destacou que os diálogos revelam um planejamento minucioso e cruel. Havia discussões sobre métodos de execução — disparos de arma de fogo ou facadas — e até sobre a ordem das mortes. O pai foi escolhido como o primeiro a ser assassinado, por ser visto como alguém que poderia reagir e comprometer os demais crimes. Também foram trocadas mensagens sobre como ocultar os corpos, com sugestões que incluíam picar os cadáveres, queimá-los ou até oferecê-los a porcos, numa demonstração de “total desprezo pela vida humana”, nas palavras do delegado.

Houve também conversas sobre como afastar o irmão caçula no dia do crime, para que ele não presenciasse a cena. Ainda assim, o menor acabou sendo morto. Inicialmente, a jovem teria pedido que ele fosse poupado, mas, segundo o relato do autor, a decisão final de matá-lo partiu dele.

A investigação aponta uma dupla motivação para o crime: o desejo de eliminar os pais que impediam o relacionamento, e a ganância, visando a obtenção de recursos financeiros. (Leia mais abaixo)

Com o avanço das apurações, a adolescente envolvida foi formalmente incluída como partícipe do crime. "As mensagens demonstram inequivocamente a cogitação, a premeditação, os atos preparatórios, os atos executórios e até a tentativa de cobertura para impedir a descoberta do crime", concluiu o delegado.



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