
Conforme já tinha sinalizado em abril do ano passado, o presidente do Carapebus, Victor Mothé, pretende jogar a Série B1 do Carioca de 2018 sob um nova parceria e, provavelmente, um novo nome. Após a bem sucedida união com o Campos, que posteriormente seguiu seu próprio caminho, o clube do Norte Fluminense está planejando disputar a próxima Segundona em outra cidade da região, mas deve definir isso nas próximas semanas. O desejo da diretoria é ter uma identidade própria, o que não foi possível em 2017, já que o Carapebus treinava em Campos e jogava em Cardoso Moreira.
Em entrevista à Rádio Absoluta, Mothé reconheceu a vontade de alterar o nome da equipe, embora admitindo que se trata de um processo burocrático complicado. Ele explicou que foi difícil arranjar patrocínios no ano passado e que quer solucionar o problema encontrando um lugar fixo para se manter, sem precisar de tantos deslocamentos entre treinos e jogos:
– É óbvio que quero alterar o nome e estamos sinalizando isso para os próximos dez dias porque não é um processo simples, até junto à CBF. Eu gostaria muito de alterar porque não nos deu retorno. A questão é que nós usamos o clube em 2015 para alavancar o Campos. Era preciso falar da fusão para que o Roxinho pudesse jogar as partidas oficiais. Como surgiu a chance da filiação direta, o Márcio (Reinaldo, presidente do Campos) fez a separação, de maneira correta, e decidiu seguir com as próprias pernas. Só que ficou difícil para nós conseguirmos patrocínio. Como é que o clube se chama Carapebus mas é de Campos? Ficamos sem identidade e isso dificultou para conseguirmos parcerias. Mudar o nome nos daria essa liberdade.
O presidente até deu pistas sobre qual pode ser o caminho do clube em 2018, não afastando totalmente a possibilidade de seguir como Carapebus, mas atuar em outra cidade, desde que haja um suporte financeiro melhor que o da última temporada, quando a equipe sentiu a perda de investimentos pós-Seletiva, altura em que a parceria com o Campos se encerrou e a equipe precisou jogar a Segundona com pouquíssimos recursos.
– Se eu for para outra cidade, pode ser que eu mantenha o nome e faça uma fusão com outro clube. Já tive propostas de São João da Barra, da própria Carapebus, mas isso vai ser pensado e estudado para melhor dar condições aos jogadores, sobretudo os sub-20 e sub-23, da nossa região. Eu ainda não tenho um nome oficial, mas tenho várias ideias. Até em 2017, pensei em fazer uma promoção através de internet, rádio, redes sociais, para pedir aos amantes do futebol para que nos indicassem um nome. Como fizemos com o desenho da nossa camisa para a Seletiva do ano passado. Quero tirar essas próximas duas semanas para fazer o fechamento financeiro de 2017 e, só então, caminhar com isso – diz Mothé.
Fé nos garotos é base da confiança
A segunda metade da temporada foi de percalços para o Carapebus, que terminou a Segundona em 15º lugar e, por pouco, não foi rebaixado para a Terceirona. A manutenção na divisão serviu de ânimo e foi comemorada, mas a ciência da responsabilidade no novo ano também é levada em conta. Apesar da campanha acidentada e dos problemas financeiros, Victor Mothé prefere não se abalar e confia no trabalho feito desde 2015, quando administrou o clube na parceria com o Campos e conquistou dois acessos consecutivos, chegando até a primeira divisão do Carioca.
– Tivemos um ano conturbado por conta daquela separação, nos trouxe muitos prejuízos. Não conseguimos patrocínio para dar suporte ao trabalho do clube. Isso reflete nas quatro linhas e quase não conseguimos ficar na segunda divisão. Futebol é dessa forma, faltou investimento e isso nos atrapalhou. Mas não se pode deixar a bandeira cair e a gente não vai medir esforços para manter o Carapebus vivo. Estamos abertos a parcerias, a propostas. A credibilidade que alcançamos nos dois últimos anos nos deixa tranquilos e, no fim de janeiro, já devemos ter um planejamento traçado para a temporada – afirma.
Novamente, como em 2017, são os garotos que deverão aparecer com destaque na equipe que está prestes a ser formada. Em princípio, não há pistas sobre novidades, nomes a serem apontados para formar a comissão técnica ou contratações. Mas a filosofia de dar oportunidade a jovens deverá se manter. Após o sucesso de nomes como Mateus Pivô, que foi para o Grêmio (RS), a diretoria confia no potencial dos jovens atletas que surgem no Norte Fluminense para fazer bonito. Seja em Carapebus ou em qualquer outra localidade:
– Temos alguns jogadores sob contrato. Estamos buscando jovens que a gente conhece e têm potencial. Vamos buscar parceiros para trabalhar como gostamos. Vi o jogo do Vasco contra o Juventus (SP) na Copinha e o jogador que fez um dos gols foi revelado aqui na nossa base: o Léo Reis. Isso nos alegra muito, mostra o caminho que queremos seguir. A gente ainda tem algumas pendências financeiras, mas devemos acertar tudo até meados de fevereiro. Queremos montar um time jovem, mas muito competitivo. Não digo que vai chegar lá em cima no campeonato, mas que seja capaz de trabalhar bem, algo parecido com o que a gente tem visto na Copa São Paulo, com um jogador nosso atuando e se destacando. É isso que a gente vem tentando.
(FutRio)