Vereador e policiais são presos em operação contra agiotagem

A denúncia oferecida à Justiça relata a prática de fraude à licitação por parte do vereador


  • 22/10/2021, 08h26, Foto: Reprodução-TV Globo.

O vereador de Duque de Caxias Carlos Augusto Pereira Sodré, o Carlinhos da Barreira (MDB), foi preso nesta sexta-feira na Operação Barreira Petrópolis. Segundo a força-tarefa da Polícia Civil do RJ e do Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ), Carlinhos chefia uma quadrilha de agiotas que praticam extorsão.

Carlinhos também foi denunciado por lavagem de dinheiro e fraude à licitação. O vereador está no terceiro mandato consecutivo e foi o terceiro mais votado nas eleições de 2020. (Leia mais abaixo)

Também foram presos os PMs Ricardo Silva dos Santos e Carlos Alexandre da Silva Alves. Ricardo já foi subsecretário de Governo de Duque de Caxias e atualmente era secretário de Obras de Silva Jardim, na Região dos Lagos.

“O vereador recebeu, nas diversas contas bancárias mantidas por ele e por sua empresa, vários depósitos que somaram R$ 62 milhões, mesmo sem possuir receitas legais e declaradas que justificassem tamanha movimentação financeira”, afirmou o MPRJ.

Ameaça após empréstimo De acordo com as investigações, Carlinhos da Barreira emprestou, em 2019, R$ 1 milhão a um empresário do setor de compra e venda de automóveis. Em contrapartida, o vereador exigiu 3,5% mensais a título de juros.

Segundo a denúncia, um ano depois, quando o empresário não conseguiu honrar o compromisso, Carlinhos acionou os PMs Ricardo e Carlos Alexandre para ameaçá-lo de morte.

Lavagem e fraudes Em um ano de investigações, a força-tarefa também descobriu que Carlinhos da Barreira usou a sociedade empresária Sodré Serviços de Transportes e Locação de Máquinas e Equipamentos para lavar capitais. Em cinco anos, o vereador movimentou R$ 70 milhões. (Leia mais abaixo)

A denúncia oferecida à Justiça relata a prática de fraude à licitação por parte do vereador.

“A Madasa Comércio e Locações de Máquinas e Veículos manteve vínculo contratual com a Prefeitura de Duque de Caxias de 2013 a 2016, tendo repassado à empresa do vereador o montante de R$ 8.546.367,56, em 109 diferentes operações bancárias”, afirma o MPRJ.

Outras três empresas — a TGM Locação de Máquinas e Equipamentos, a V.F. da Rosa Refeições e a Hashimoto Manutenção Elétrica e Comércio —, também celebraram contratos administrativos com a Prefeitura de Duque de Caxias, entre 2017 e 2018, e repassaram R$ 4.193.624,62 para as contas da Sodré Serviços.

“As investigações também apontaram que, entre janeiro de 2015 e agosto de 2020, Carlinhos da Barreira dissimulou, de forma reiterada, a origem de R$ 62.360.738,52, provenientes das práticas criminosas denunciadas”, detalhou o MPRJ.

Buscas na Câmara A 1ª Vara Criminal Especializada no Combate ao Crime Organizado também expediu 17 de busca e apreensão. Um deles foi cumprido na Câmara de Vereadores de Caxias. (Leia mais abaixo)

Equipes também foram para endereços em Guapimirim e na Barra da Tijuca e Recreio dos Bandeirantes, na Zona Oeste do Rio.

A operação é uma parceria da 105ª DP (Petrópolis) com o Grupo de Atuação Especial no Combate ao Crime Organizado (Gaeco/MPRJ) e a Corregedoria-Geral da Polícia Militar.

O que dizem os envolvidos A defesa de Carlinhos da Barreira não tinha se manifestado até a última atualização desta reportagem.

Em nota, a Câmara Municipal de Duque de Caxias informou que o mandato é única e exclusivamente destinado ao gabinete do Vereador Carlinhos da Barreira, e se põe a disposição da justiça para qualquer esclarecimento que se fizer necessário.

Fonte: G1 (Leia mais abaixo)



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