Num gesto de sinceridade e franqueza, o vereador Leon Gomes (PDT) fez um desabafo durante uma sessão desta semana, na Câmara Municipal de Campos, para explicar seu posicionamento alinhado com o governo municipal, quando fez um resumo de sua trajetória de menino pobre criado na periferia. Leon, que também é pastor de uma igreja evangélica, chamou atenção pelo relato sobre como conseguiu driblar os obstáculos da pobreza, na Codin, em Guarus, onde viu o pai traficante ser morto e enalteceu a mãe Eloína, que criou cinco filhos, vendo um deles conquistar uma cadeira no Legislativo como representante da população. O Campos 24 Horas destaca os principais pontos do discurso, em tom de desabafo, em que ele fala ainda a respeito de sua trajetória na política e a primeira conversa com o presidente do PDT, Caio Vianna; leia abaixo
— Eu quero fazer aqui um resumo de minha vida, a minha biografia. Sou filho de uma mãe guerreira, Eloína da Silva Gomes, que criou cinco filhos. Meu pai era traficante e morreu no tráfico. Fui criado numa casinha na Codin com um cômodo e um banheiro durante muito tempo. Sou casado com Esther Souza Elias Gomes e pai do Benjamin. Nunca tive e não tenho vida de luxo. Mas graça a Deus consegui provar que, independente do meio em que se vive, você pode dar uma virada sua vida — disse o parlamentar, em tom de desabafo. (Leia mais abaixo)
O vereador conta que a vida o levou ao amadurecimento ainda no período da adolescência e destacou o caminho inverso que fez, ao contrário de muitos jovens da periferia, que tiveram a vida destruída por caminhos tortuosos. "Minha vida não foi fácil, não. Mas não me curvei às drogas e ao caminho mais fácil. Tenho primos, e não são poucos, envolvidos no tráfico. Nunca quis ter roupas de marca e viver no luxo da burguesia. Fiz o caminho inverso. Alguns falam, mas você ainda é novo. Não sou mais novo, já tenho 40 anos. Tive amadurecer ainda na minha adolescência, ali meu caráter foi formado, hoje tenho princípios morais e éticos que são inegociáveis. Não negocia por dinheiro nenhum, por nada. Não me dobrei em minha vida às pancadas que ela me deu, suportei todas. Passei por cima. E aqui não vai ser diferente", declarou.
A candidatura franciscana atesta que Leon lutou também em sua campanha contra a força do poder econômico. "Quem olhar minha prestação de contas vai ver que me candidatei gastando R$ 2.900,00, num somatório total de R$ 7.866,85, fruto do apoio de uns 40 e poucos amigos que me ajudaram de graça. Minha primeira conversa com Caio Vianna, presidente do meu partido, no dia 02 de abril, não pedi nada. Ele me perguntou: “O que você precisa?”. Eu disse: “Nada, só quero a vaga”. E serei eternamente grato — relatou.
"Cheguei aqui, em primeiro lugar, porque Deus me colocou. E os que atravessaram meu caminho foram instrumento dele. Cheguei aqui também porque tenho uma história, mas que muitas pessoas só conhecem o final dela. Para chegar a essa vida ilibada e intocável que tenho, perdi muito e perco tudo agora, mas não perco quem eu sou. Não me vendo, não me curvo a ameaças seja quais forem".
Pastor em uma igreja, Leon Gomes relata também que no meio evangélico tentaram lhe cooptar para que não se candidatasse a vereador. “Já me foi proposta uma situação, no meio evangélico onde estou, onde ganhava R$ 806,00, com um filho autista para criar. Me propuseram não vir como candidato se não perderia esta minha ajuda de custo. Eu disse que abriria mão da ajuda de custo, mas não abriria mão de minha causa. Que se não chegasse aqui como vereador lutaria como pai de um altista”, contou.
— Ajudei políticos, nunca fui reconhecido, meu nome não foi lembrado para nenhuma nomeação. O que consegui foi com muita luta, sacrifício e dedicação. O que me fez chegar aqui foi meu filho. Fred Machado talvez não saiba mas já lhe ajudei em sua campanha, em 2012. Cheguei aqui na Câmara desacreditado, mas se hoje gozo do respeito das pessoas é porque todas as vezes que chego aqui nesta tribuna para votar faço em nome de meus princípios morais e éticos, independente de amigos ou colegas criticarem meu posicionamento — complementa o legislador ao reforçar sua posição. (Leia mais abaixo)
“Estou como base do governo, sim. Mas voto de acordo com minhas convicções e peço respeito por isso porque respeito a todos, sem passar cima de ninguém. Desde aquele que trabalha na limpeza ao presidente desta Casa, o meu respeito é o mesmo”, concluiu