28/11/2015 - às 11h48 - Foto: Divulgação

A crise financeira dos governos federal e estadual tem afetado a saúde nos municípios, que sofrem com a redução de verbas. A aflição é de pacientes do estado que procuram atendimento nas Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) de cidades do interior. Criadas para serem a porta de entrada dos pacientes na rede, as UPAs têm agonizado. Em Petrópolis e Resende, o atraso nos repasses do estado às unidades já chega a R$ 8 milhões. Em São Gonçalo, uma unidade construída em parceria com o Ministério das Cidades está pronta há quase um ano no bairro do Pacheco, mas permanece fechada.
No estado, um dos quadros mais graves apontados pelo Sindicato dos Médicos é o das 28 UPAs municipalizadas. Cada unidade recebe, por mês, R$ 400 mil do estado, R$ 500 mil do governo federal e R$ 200 mil de contrapartida da prefeitura.
No entanto, uma consulta ao Sistema de Acompanhamento Financeiro do Estado (Siafem), feita pela liderança do PSDB na Alerj, revela que o governo estadual deixou de repassar, somente este ano, cerca de R$ 68 milhões para as unidades.
Os dados mostram ainda que a dívida da Secretaria de Saúde com fornecedores e prestadores de serviços é de R$ 890 milhões, mais da metade do total de R$ 1,6 bilhão que o estado deve a todos os seus credores.
O prefeito de Petrópolis, Rubens Bomtempo, afirmou que a dívida do estado com o município, em relação às UPAs, chega a R$ 4,8 milhões. Segundo Bomtempo, há sete meses o estado não faz os pagamentos.
— As UPAs só não interromperam o funcionamento porque a prefeitura está cobrindo. Mas eu não tenho como bancar sozinho, porque afeta o fluxo de caixa. Se o governo (estadual) não tem como manter as UPAs, tem que vir a público, falar isso, e chamar os prefeitos para o diálogo — disse o prefeito, acrescentando que cada unidade custa em torno de R$ 1,2 milhão mensais, dos quais R$ 250 mil vêm do governo federal.
ATENDIMENTO LENTO
De acordo com o presidente do Sindicato dos Médicos, Jorge Darze, os atrasos nos repasses têm levado à redução no número de profissionais e ao aumento do tempo de espera dos pacientes.
— A situação é crítica. Faltam insumos e profissionais e, em muitos casos, o atendimento à população tem sido prejudicado — afirma Darze.
Em Resende, a primeira-dama e deputada estadual Ana Paula Rechuan (PMDB) afirma que o município não recebe repasses do estado para a UPA da cidade desde março:
— Estamos mantendo o atendimento com recursos próprios. Mas a situação é difícil. As despesas têm crescido porque também recebemos muitos pacientes de Itatiaia, Quatis e Porto Real — disse.
Em Cabo Frio, a falta de repasses do estado há quase um ano levou a prefeitura a devolver a gestão da UPA ao estado.