Veja os principais pontos da PEC da Escala 6x1 que vai ser votada no Senado

CCJ deve analisar a proposta nesta semana; relator rejeitou mudanças que ampliavam transição ou permitiam jornadas acima do novo limite


  • 30/08/2026, 11h14, Foto: Geraldo Magela/Agencia Senado.

Campos 24 Horas – A Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado Federal deve votar nesta semana a PEC do Fim da Escala 6×1, que reduz de 44 para 40 horas a jornada máxima semanal, estabelece dois dias de repouso remunerado e impede a redução de salários com a mudança.

O texto chega à votação sem alterações em relação à versão aprovada pela Câmara. O relator da proposta na CCJ, Omar Aziz (PSD-AM), rejeitou as 12 emendas apresentadas por senadores, entre elas propostas para manter o teto de 44 horas em determinadas situações, ampliar o período de adaptação das empresas e permitir maior flexibilização por meio de negociação coletiva. (Leia mais abaixo)

A PEC 221/2019 é uma das prioridades do último esforço concentrado do Congresso antes das eleições, entre 31 de agosto e 4 de setembro. A inclusão da matéria na agenda foi acertada depois da reunião do presidente Luiz Inácio Lula da Silva com os presidentes do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), e da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), nesta última semana.

Se aprovada pela CCJ, a proposta segue para análise no plenário, onde precisará de pelo menos 49 votos em dois turnos. A manutenção do texto aprovado pelos deputados evita uma nova passagem pela Câmara caso os senadores aprovem o texto sem alterações.

Relator barra flexibilizações - Uma das principais disputas na CCJ ocorreu justamente em torno do grau de flexibilidade que empresas e trabalhadores teriam para definir jornadas diferentes.

Três emendas do senador Izalci Lucas pretendiam preservar o limite constitucional de 44 horas e permitir que a redução fosse definida por acordo ou convenção coletiva. Aziz rejeitou a alternativa.

Outras alterações permitiriam jornadas acima das 40 horas em regimes diferenciados. Uma delas, apresentada por Hamilton Mourão (Republicanos-RS), buscava explicitar escalas como 12×36, 4×4 e 3×3. O relator também rejeitou a mudança e sustentou que a legislação já admite a escala 12×36. (Leia mais abaixo)

Também ficaram de fora emendas que estendiam a transição para quatro anos, com redução de uma hora por ano. O texto mantido por Aziz estabelece um cronograma mais curto. 

O próprio relator reconhece que a mudança exigirá adaptação das empresas: “Não passa despercebido a esta Comissão que a redução da duração do trabalho sem redução salarial demanda reorganização produtiva.”

Aziz argumentou, porém, que a PEC já contém mecanismos suficientes para essa adaptação e classifica a manutenção das 44 horas como incompatível com o objetivo da proposta.

O que prevê a PEC

  • 40 horas semanais: o teto constitucional cai das atuais 44 para 40 horas, mantendo o limite de oito horas diárias.
  • Dois dias de folga: ficam assegurados dois dias de repouso remunerado por semana, sendo um preferencialmente aos domingos.
  • Sem corte salarial: a redução da jornada não poderá diminuir salários nem pisos salariais e valerá também para contratos em vigor.
  • Transição: dois meses depois da publicação, a jornada máxima cai para 42 horas; um ano depois do fim desse prazo, chega às 40 horas.
  • Negociação coletiva: acordos e convenções continuam permitidos para compensação de horários e organização dos repousos, mas sem afastar os limites estabelecidos pela PEC.
  • Pequenas empresas: lei complementar poderá criar medidas temporárias para mitigar os efeitos sobre MEIs, micro e pequenas empresas, desde que preservados os empregos.

Na Câmara, a PEC foi aprovada em maio por 472 votos a 22 no primeiro turno e 461 a 19 no segundo. (Leia mais abaixo)



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