O secretário municipal de Saúde do Rio, Daniel Soranz, e especialistas em epidemiologia da Fiocruz e UFRJ opinaram sobre a realização do carnaval na cidade em 2022, durante uma audiência pública da Câmara de Vereadores nesta sexta-feira (1°). Eles afirmaram que acreditam na realização do carnaval, desde que os números da pandemia de Covid atinjam certos parâmetros.
Hermano Castro, diretor da Escola Nacional de Saúde Pública da Fiocruz, menciona que elaborou um documento orientador, em conjunto com o epidemiologista da UFRJ Roberto Medronho, com as condições necessárias para a realização do carnaval. (Leia mais abaixo)
No documento, constam os seguintes indicadores para que as festividades aconteçam:
Mesmo com os cuidados, Hermano diz que a data da realização do evento precisa ser debatida. Na audiência, o presidente da Liga Independente das Escolas de Samba do Rio de Janeiro (LIESA), Jorge Perlingero, alertou que, caso haja a necessidade de redução de público no carnaval, vai adiar os desfiles das escolas para junho de 2022.
Roberto Medronho, epidemiologista da UFRJ, acrescentou mais os seguintes parâmetros:
Vacina
O secretário de Saúde afirmou que a expectativa é que a prefeitura consiga vacinar mais de 90% da população carioca com a segunda dose até meados de novembro. (Leia mais abaixo)
Atualmente, o Rio tem:
"A gente acredita que até o final de novembro a gente possa derrubar todas as principais restrições e protocolos no Rio. A utilização da máscara ou não é uma discussão que vai acontecer perto de novembro, a gente acha que é precoce começar agora", explicou.
Soranz menciona ainda que, com o avanço da vacinação, houve queda no número de contágios e de internações.
"Ontem [quinta] fechamos 100 leitos destinados à Covid-19 no [Hospital] Ronaldo Gazolla. A expectativa é que até o final de novembro, a gente não tenha praticamente nenhuma leito exclusivo para Covid no hospital", disse Soranz.
Ele explicou que não considera a taxa de ocupação de UTI de Covid como um dos parâmetros para a realização do carnaval, porque conforme os leitos de Covid vão sendo desmobilizados, eles vão sendo destinados ao tratamento de outras doenças. Medronho concordou com a interpretação. (Leia mais abaixo)
Passaporte no Carnaval
Soranz também defendeu o chamado Passaporte de Vacinação, e diz que quer turistas no carnaval, mas que as pessoas venham imunizadas.
"Talvez não seja necessário ter passaporte em fevereiro. Talvez o mundo e o Rio de Janeiro tenham uma cobertura bastante alta, mas por enquanto a gente acha bastante necessário e muito importante”.
O que pode causar o cancelamento
Para o secretário, existem dois principais riscos que podem mudar as previsões positivas para a cidade até o ano que vem. (Leia mais abaixo)
“O problema é termos uma nova variante que ultrapasse a barreira da vacina e um aumento do número de casos ou também a perda da capacidade de proteção da vacina ao longo do tempo. São dois riscos que a gente tem, que a gente se preocupa e vai monitorar", afirmou.
"O número de infecções vem caindo, temos o menor número desde abril de 2020, em torno de 450. Imaginamos que o número vai se manter até dezembro, até porque é uma doença que leva um tempo de internação. Tem pacientes com sequela", completou.
Soranz diz ainda que, no momento, "a recomendação da secretaria de saúde é que todos os órgãos se programem para fazer um réveillon espetacular, que se programem para fazer o maior carnaval da nossa história no ano que vem".
"Mas é claro que a gente vai acompanhar os números muito de perto. É claro que a gente quer ter uma taxa de transmissão baixa, para termos capacidade de atender as pessoas. Se a gente tiver a taxa de transmissão alta por si só não vai dar pra ter carnaval", disse o secretário.
Para o epidemiologista Roberto Medronho, se não houver a chegada de uma nova variante que escape da resposta imunológica das vacinas e a prefeitura consiga atingir a cobertura vacinal esperada, a cidade poderá chegar em fevereiro com baixa transmissão. (Leia mais abaixo)
Medronho também afirmou que a Comissão da Câmara e a sociedade devem debater os aspectos éticos de optar por fazer a festa - ele é a favor desde que se atinjam certos parâmetros.
“Não é uma questão só quantitativa, dos indicadores, para além disso uma discussão ética. Precisamos na audiência pública e no debate para a sociedade, ao tomar a decisão de ter carnaval, ter bem claro que risco zero não existe. Qualquer evento", afirma "'Viver é correr risco'. Fez um evento: há o risco de ter doenças infecciosas de qualquer etiologia", diz.
"Esses indicadores são para nortear a decisão de ter ou não o carnaval. Para além disso, precisamos em função não só das questões econômicas, mas também das questões referentes à saúde mental de todos, nós precisamos saber que há incertezas, não temos certezas que estará tudo bem em fevereiro. Há riscos em realizar o evento, entretanto, os benefícios da realização desse evento superam em muito", completou.
Comissão Especial sobre o carnaval
O debate entre os especialistas e lideranças ligadas ao carnaval aconteceu no âmbito da Câmara dos Vereadores do Rio, em uma Comissão Especial com o objetivo de analisar a relação e as responsabilidades do poder público com a realização da folia no Rio. (Leia mais abaixo)
Na reunião desta sexta (1°), realizada para discutir a realização da festa em 2022, também estavam presentes:
Fonte: G1