Usina Paraíso: Campos 24H mostra situação do Parque Industrial e moagem em julho

Reportagem verifica Parque Industrial, na Baixada Campista, sendo calibrado para moer em torno de 300 mil a 400 mil toneladas de cana


  • 18/03/2023, 08h03, Foto: Campos 24 Horas.

Postado por Fabiano Venancio - A Usina Paraíso, uma das mais tradicionais indústrias do ramo no Estado, voltará a moer este ano numa fase de testes entre julho e agosto para marcar o reinício de suas atividades, agora incorporada à Cooperativa Agroindustrial do Estado do Rio de Janeiro (Coagro). No total estão sendo investidos cerca de R$ 50 milhões na Paraíso, sendo R$ 42 milhões no parque industrial e R$ 8 milhões no plantio. A retomada das atividades da usina impacta diretamente a economia de Campos. A reportagem do site Campos 24 Horas verificou esta semana que os trabalhos de ajustes no parque industrial seguem de forma acelerada para a moagem, com ação de engenheiros, técnicos, mecânicos, eletricistas, caldeireiros e soldadores, entre outros. No campo, o site verificou o preparo do solo para o plantio e a recuperação das estradas, além de cerca de 170 km de canais da região que já passaram por um processo de limpeza. O Campos 24 Horas também mostra nesta matéria especial como a Paraíso acabou  entrando em recuperação judicial em 2017. Dois anos depois, o grupo de Renato Abreu com a Coagro arrendou essa empresa.

A previsão é de que a unidade localizada no distrito de Tocos, na Baixada Campista, vá moer neste período inicial em torno de 300 mil a 400 mil toneladas de cana, com estimativas para que o volume seja duplicado e até triplicado para os próximos quatro anos de operação. O presidente da Coagro e vice-prefeito de Campos, Frederico Paes, realizou vários encontros com fornecedores de cana (Aqui) nos últimos meses para falar sobre a reforma e modernização da usina com vistas à moagem de 2023. (Leia mais abaixo)

No campo, as atividades caminham a todo vapor com o incremento da produção de cana na Baixada Campista, onde produtores são fornecedores tradicionais da usina, controlada pela família do industrial Geraldo Coutinho. Após o preparo do solo e o plantio, a manutenção de estradas vicinais e a movimentação de tratores, empilhadeiras, colheitadeiras e retroescavadeiras passaram a ocupar a cena dos canaviais na Baixada.

Cerca de 170 km de canais da região já passaram por um processo de limpeza pela Asflucan (Associação Fluminense dos Plantadores de Cana), juntamente com a Secretaria Municipal de Agricultura.

O prefeito Wladimir Garotinho  esteve em Tocos para anunciar obras no distrito, como asfaltamento das ruas, reforma da quadra esportiva e uma academia do idoso. Na ocasião, Wladimir enfatizou a importância da reativação da unidade industrial, ao lado do vice-prefeito e presidente da Coagro, Frederico Paes. "Vai gerar muito emprego, muita oportunidade e vai gerar renda aqui para os comerciantes porque o dinheiro vai estar circulando aqui dentro de novo”, disse Wladimir, comentando: “Esse inclusive foi o compromisso do meu vice prefeito Frederico”.

CELERIDADE - Paralelamente, o trabalho de ajustes no parque industrial também segue em forma acelerada para a recepção, preparo e moagem da cana na usina, onde cerca de 100 operários se esmeram para entregar as máquinas num nível de calibragem suficiente para iniciar a moagem dentro do prazo previsto.  Em ação, engenheiros, técnicos, mecânicos, eletricistas, caldeireiros e soldadores, entre outros, aceleram os trabalhos na preparação de máquinas pesadas e equipamentos como caldeiras, mesa alimentadora, turbinas, exaustores, moenda, silos, secagem, centrifugação, tratamento, fermentação, cristalização e os setores de logística, almoxarifado.

COMÉRCIO MAIS AQUECIDO - A movimentação de trabalhadores nesta fase se reinstalação da indústria já aquece o comércio de Tocos. No total estão sendo investidos cerca de R$ 50 milhões na Paraíso, sendo R$ 42 milhões no parque industrial e R$ 8 milhões no plantio. (Leia mais abaixo)

A injeção destes recursos para viabilizar uma outra nova unidade para produzir açúcar e etamol contou com a parceria do empresário Renato Abreu, presidente do Grupo MPE e da Agromon, que já havia entrado na parceria com a Coagro para a reativação da Usina Sapucaia.

VOLTA DA SAPUCAIA - Em 2010, a Sapucaia entrou em recuperação judicial como outras indústrias em crise no setor. Tratava-se da maior usina de açúcar e álcool da região. O parque industrial da usina foi colocado em leilão pela Justiça. Em 2013, Abreu e um grupo de empresários arrematou o parque industrial da Sapucaia. Logo após, o grupo contratou a Coagro para operar essa indústria, quando foi feita uma grande reforma na empresa e, dois anos depois, na safra de 2015/2016, se efetivou a primeira moagem de cana.

Antes, a Coagro, ainda sem a participação de Renato Abreu, mas com Frederico Paes e o apoio da Prefeitura, através de recursos financiados pelo Fundecam (Fundo de Desenvolvimento de Campos), a cooperativa reaberto a Usina São José, em Goitacazes.

EFEITOS DA CRISE - A exemplo do que ocorrera com a Sapucaia, a Usina Paraíso também não ficou imune à crise que atingiu o setor, que aponta a falta de matéria-prima como o principal fator para o declínio do segmento, que já contou com 12 usinas na década de 1980. E assim a Paraíso acabou também entrando em recuperação judicial em 2017. Dois anos depois, o grupo de Renato Abreu com a Coagro também arrendou essa empresa, com o objetivo de ter uma usina do lado esquerdo do Rio Paraíba do Sul e outra do lado direito, a fim de aproveitar a produção de cana de ambas as regiões de Campos e outros municípios vizinhos como São João da Barra, Quissamã e Carapebus.

Na primeira safra de Sapucaia, em 2015/2016, a indústria conseguiu moer 450 mil toneladas de cana numa unidade de um parque industrial com capacidade para moer até 2 milhões de toneladas. Ao longo dos anos seguintes houve um aumento de produção até que, no ano passado, chegou a moer perto de 1 milhão de toneladas. (Leia mais abaixo)

PLANOS AMBICIOSOS - A Usina Paraíso está parada desde 2018. Os planos de Frederico, Renato, juntamente com os 10 mil cooperados da Coagro é chegar a 2 milhões de toneladas na região com a Paraíso e a Sapucaia e uma meta, nos próximos quatro anos, o de processar 3 milhões de toneladas.

O grupo começou a plantar cana-de-açúcar em áreas da própria usina Sapucaia. Houve a renovação dos canaviais que estavam abandonados e se chegou inicialmente a plantar cerca de 8 mil hectares, o que animou os outros pequenos produtores da região, mas atualmente o grupo já atingiu 18 mil hectares de plantação, incluindo os parceiros. Hoje, o mesmo grupo empresarial arrendou as terras do grupo Othon, entre São João da Barra e Campos. 



fique bem informado