União da Ilha, Porto da Pedra e Sossego são destaques no 1º dia de desfiles da Série Ouro no Rio

Noite foi marcada por atrasos e acidente que envolveu uma menina e um carro alegórico na saída da Sapucaí. Em Cima da Hora, Cubango, Unidos da Ponte e Unidos de Bangu também desfilaram


  • 21/04/2022, 08h25, Foto: Reprodução.

Depois de dois anos, o carnaval voltou à Sapucaí nesta quarta-feira (20) com as apresentações das escolas da Série Ouro do Rio de Janeiro. Nesta primeira noite, União da Ilha do Governador , Acadêmicos do Sossego e Unidos do Porto da Pedra se destacaram. 

A abertura da festa ainda contou com Em Cima da Hora, Acadêmicos do Cubango, Unidos da Ponte, Unidos de Bangu e Acadêmicos do Sossego.  (Leia mais abaixo)

Em uma noite marcada por atrasos, o primeiro desfile começou 50 minutos depois do previsto, mas o maior deles aconteceu mesmo depois.

Uma menina de 11 anos ficou ferida em um acidente com um carro alegórico da Em Cima da Hora na saída do Sambódromo e foi levada para um hospital. A perícia realizada pelas autoridades gerou um atraso de mais de uma hora para a entrada da terceira escola da noite, a Unidos da Ponte.

A própria Unidos da Ponte estourou o tempo em um minuto. A Unidos de Bangu foi além, e encerrou seu desfile com três minutos a mais do que o limite.

Na noite desta quinta-feira (21), outras oito escolas completam o carnaval da Série Ouro 2022: Lins Imperial, Inocentes de Belford Roxo, Estácio de Sá, Acadêmicos de Santa Cruz, Unidos de Padre Miguel, Acadêmicos de Vigário Geral, Império da Tijuca e Império Serrano.

Em Cima da Hora (Leia mais abaixo)

Segunda colocada do Grupo Especial da Intendente Magalhães, a terceira divisão do Carnaval carioca, a Em Cima da Hora abriu a primeira noite de desfiles com 50 minutos de atraso. A escola não se apresentava na Série Ouro desde 2015.

Com uma reedição do enredo "33 - Destino D. Pedro II", ganhador do Estandarte de Ouro de 1984, a agremiação cantou sobre os trabalhadores que pegam o trem todos os dias.

O desfile contou a história do trem 33, que levava os passageiros de Japeri, na Baixada Fluminense, à estação Dom Pedro II, hoje Central do Brasil. Foram 20 alas, três alegorias e 1.800 componentes.

A comissão de frente entrou na Sapucaí com direito a dançarinos em um trem lotado e dois integrantes com pernas de pau.

O carro do abre-alas representou o próprio 33, mas a dificuldade em empurrar a alegoria gerou um buraco na evolução da escola. (Leia mais abaixo)

Mesmo assim, a Em Cima da Hora não sofreu para cumprir o tempo, encerrando o desfile em 53 minutos.

Acadêmicos do Cubango

A Acadêmicos do Cubango foi a segunda escola da primeira noite da Série Ouro.

O enredo "O Amor Preto Cura: Chica Xavier – a Mãe Baiana do Brasil" fez uma homenagem à atriz Chica Xavier (1932-2020), que teve extensa carreira no teatro e na TV.

A Verde e Branca de Niterói costurou as interpretações de Xavier com suas contribuições em outras áreas, como educação e religião, em 19 alas, 3 carros e 2 tripés e 2.200 componentes – alguns deles, no entanto, afirmam que não puderam desfilar. (Leia mais abaixo)

Eles afirmam que receberam fantasias incompletas. A escola negou a existência de problemas.

Com um tripé representante do ritual juremeiro, linha de trabalho espiritual de Chica, a comissão de frente trouxe diferentes entidades entre seus dançarinos, como Exu, Oxóssi e Obaluaê.

A longa "paradinha" da bateria, que também se ajoelhava, favorecia os vocais do intérprete Pixulé, acompanhado de agogôs.

A Cubango encerrou sua participação com 54 minutos de desfile.

Unidos da Ponte (Leia mais abaixo)

A terceira escola da noite, a Unidos da Ponte, entrou na Sapucaí com mais de uma hora de atraso por causa do acidente envolvendo uma menina e um carro alegórico da Em Cima da Hora.

Em 2020, a escola ficou no 12º lugar da então conhecida como Série A.

Neste retorno, o enredo "Santa Dulce dos Pobres - o anjo bom da Bahia" faz homenagem à Irmã Dulce, que dedicou sua vida a fazer caridade na Bahia.

Com 20 alas, três alegorias e 1.800 componentes, revelou que, além da fé inabalável da santa, ela também foi admiradora das artes e até do futebol.

A comissão de frente representou a canonização de irmã Dulce, contando com uma homenageada tocando um acordeão e diversas transformações. O instrumento virava altar, e uma casa assumia a forma de igreja. (Leia mais abaixo)

A última alegoria trazia uma irmã Dulce recebendo, nos céus, o ator Paulo Gustavo, que morreu em 2021 de Covid. Devoto assumido da Santa, ele foi um grande doador das Obras Sociais Irmã Dulce.

O carro, no entanto, apresentou dificuldades para ser empurrado e custou à escola um minuto além do limite para o desfile. Com isso, a apresentação se encerrou com 56 minutos.

Momentos antes, os organizadores precisaram serrar parte do portão da dispersão, que estava emperrado e não abria totalmente.

Unidos do Porto da Pedra

A Unidos do Porto da Pedra, quarta escola da noite, também sofreu com alguns minutos de atraso, ainda reflexo do acidente na área de saída. (Leia mais abaixo)

Com o enredo "O caçador que traz alegrias", a escola de São Gonçalo homenageou a escritora e yalorixá Mãe Stella de Oxóssi, que lutou pelo respeito ao candomblé.

Desde que desceu para o antigo Grupo de Acesso, em 2013, sonha em voltar para para o grupo principal do Carnaval do Rio. Em 2020, chegou muito perto ao ficar com o terceiro lugar da Série A (agora Série Ouro).

Em sua nova tentativa de recuperação, a Porto da Pedra realizou um desfile que misturou tradição com modernidades.

Na comissão de frente, que retratou as raízes do candomblé, guerreiros com arcos e flechas iluminavam a Sapucaí com feixes de laser verde.

As luzes estiveram presentes em diversas alegorias e fantasias dos integrantes, por mais que em alguns poucos casos não tenham funcionado completamente. (Leia mais abaixo)

O abre-alas, uma representação dos orixás brilhando entre as árvores da floresta, trouxe um grande tigre, animal símbolo da escola.

Com 23 alas, três carros e um tripé e 2 mil componentes, mas sem sustos, a Porto da Pedra encerrou seu desfile com 54 minutos.

União da Ilha do Governador

A União da Ilha do Governador foi a quinta escola da noite, e tenta voltar ao Grupo Especial após ficar em último lugar em 2020 e cair para a Série Ouro.

Para atingir o objetivo de conquistar a única vaga para subir novamente, a escola apresentou o enredo "O vendedor de orações". (Leia mais abaixo)

Com 22 alas, três carros e dois tripés e 2 mil componentes, a União da Ilha contou a história de Zacarias, um homem escravizado que foi libertado por meio da fé em Nossa Senhora Aparecida.

Na comissão de frente, a atriz Cacau Protásio assumiu o papel da padroeira do Brasil. Já na bateria, inovou com uma paradinha com direito a badaladas de um sino de bronze que acompanhou a escola.

Com alguns dos maiores carros da noite, a escola cantou sobre milagres, sincretismo religioso e fé.

O desfile foi realizado em 54 minutos.

Unidos de Bangu (Leia mais abaixo)

A quinta escola mais antiga do Brasil, Unidos de Bangu, foi a sexta a entrar na Sapucaí.

Com um décimo lugar em 2020, a agremiação espera voltar à elite do Carnaval carioca, onde esteve pela última vez em 1963, com o enredo "Deu Castor na cabeça".

Foram 17 alas, três carros e 1.500 componentes para cantar sobre a história do time de futebol do Bangu, do bairro e do bicheiro Castor de Andrade.

A comissão de frente apresentou alguns animais do jogo do bicho e também o castor, símbolo do homenageado.

Com a última de suas três alegorias em homenagem à Mocidade Independente de Padre Miguel e sem pressa, a escola estourou o limite em três minutos e encerrou seu desfile com 58 minutos. (Leia mais abaixo)

Acadêmicos do Sossego

Já era dia quando a Acadêmicos do Sossego encerrou a primeira noite dos desfiles. A escola de Niterói foi a sétima.

Desde 2017 na Série A (a agora Série Ouro), ela apresentou o enredo "Visões xamânicas".

Com 17 alas, três carros e um tripé e 2 mil componentes, a Sossego criou um xamã fictício para alertar sobre a importância do respeito à natureza e dos perigos de um mundo adoecido.

Na comissão de frente, o herói do desfile participou de um ritual para receber as visões que dão nome ao enredo. (Leia mais abaixo)

Logo no abre-alas, ele se deparou com a representação da destruição provocada pelo extrativismo do homem em duas cobras gigantes. 

A escola conseguiu encerrar sua participação em 53 minutos, sem atraso.

Fonte: G1



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