Uma mulher é agredida a cada 15 minutos no estado do Rio

Na maioria das vezes, o crime é cometido dentro de casa pelo próprio companheiro


  • 27/08/2018 14h59 Foto: Divulgação.
Uma mulher foi agredida a cada 15 minutos, em média, no ano passado, no estado do Rio. Dados do Instituto de Segurança Pública obtidos via Lei de Acesso à Informação mostram que de janeiro a dezembro foram registrados 39.646 casos de lesão corporal dolosa e lesão seguida de morte. Na maioria das vezes, o crime é cometido dentro de casa pelo próprio companheiro. Apesar do elevado número de notificações, a quantidade real de casos pode ser ainda maior, segundo especialistas. De acordo com a delegada titular da Delegacia Especial de Atendimento à Mulher (Deam), Débora Rodrigues, seis anos após a criação da Lei Maria da Penha, a subnotificação ainda é um desafio no combate à violência contra a mulher. — Cada uma que vai à delegacia denunciar agressão alega que sofre há cinco, dez, às vezes 15 anos, e nunca fez o registro. Existe vergonha de denunciar e muitas vezes o casal faz as pazes e a vítima volta para tentar retirar a queixa, o que não é permitido — explica. A advogada X., de 39 anos, foi agredida em casa pelo marido, com quem foi casada por dez anos. Ela se separou, mas, para preservar a família, nunca denunciou o agressor, com quem teve dois filhos. — Ele era muito apegado a bens materiais e, depois de perder o emprego, as coisas foram piorando. Um dia eu o confrontei, chamando de egoísta. Ele segurou meu braço, me sacudiu e me jogou contra a parede — lembra a vítima. Nos últimos anos, os registros de agressões contra mulheres vêm caindo. Em 2014, foram 56.039 — 30% a mais do que no ano passado. A trajetória decrescente pode ser um reflexo do sucateamento de políticas públicas para mulheres, como explica a coordenadora de Defesa dos Direitos da Mulher da Defensoria Pública estadual, Flávia Barbosa. — A partir de 2014, houve uma redução pelo governo federal nos recursos destinados ao combate à violência contra a mulher. Isso afeta diretamente os centros de referência para atendimento às mulheres — observa ela. Fonte: Extra 



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