Uma luz no final do túnel – O agronegócio

CAMPOS 24 HORAS entrevista o Superintendente de Agricultura e Pecuária, Eduardo Crespo


24/01/2016     09h22     |     Foto: Campos 24 Horas Eduardo Crespo-AL (1) Postado por: Fabiano Venancio Em tempos de queda do preço do barril do petróleo no mercado internacional, afetando drasticamente municípios produtores de petróleo, a a luz no fim do túnel pode estar no campo, nas áreas ligadas à agricultura, principalmente em Campos, onde existe versatilidade de solo, água em abundância para irrigação, energia, logística e o que é melhor: consumo e mercado. E como não aproveitar isso tudo, essas condições que estão aí e que podem ser agregadas a outros fatores? O Superintendente de Agricultura e Pecuária, Eduardo Crespo, diz que esses fatores podem ser constatados. Exemplo: Campos é considerado município com maior bacia leiteira do Estado do Rio, mas, em contrapartida, o nosso leite é processado fora daqui. Campos também é considerado município, dentro da atividade de corte, com o maior rebanho de corte do Estado, mas, em contrapartida, não tem estrutura de frigorífico dentro das normas. Campos também é considerado município com destaque na produção de frango, mas, em contrapartida, ainda não tem autossuficiência neste ramo. entrevista Eduardo Crespo-AL (5)Campos 24 Horas– Você diz que Campos é o maior nisso, naquilo e naquilo outro na agricultura. E o que está sendo feito para tudo isso ser transformado na “luz do final do túnel”? Eduardo Crespo  - Não são só esses fatores que citei não, tem ainda a produção de alimentos, que também Campos está investindo. Tudo isso seria uma estratégia de se buscar renda e ocupação na área rural e o governo municipal já vem investindo nisso há anos, com olhar diferenciado para essas alternativas, seja conhecendo novas técnicas, formalizando o homem do campo, produzindo com segurança, entre outros. C24H – Neste contexto de valorização, investimento e alternativa, entra a cana de açúcar? Eduardo – Não só a cana, que já tem seu espaço conquistado, mais também a atividade leiteira, a atividade de corte, a produção de frango, a produção de alimentos, entre outros. É trabalhar a agricultura, o agronegócio, já que se têm alternativas rurais de oportunidades. E como já falei, o município tem trabalhado bastante neste sentido e com resultados satisfatórios, claro que, em alguns setores, estamos ainda buscando a autossuficiência. C24H – É por causa de investimento que você fala que a Prefeita Rosinha está entre as que disputam o título de “Prefeito Empreendedor”? Eduardo – O título é “Prefeito Empreendedor” e ela disputa na categoria Inclusão Produtiva. São ações como o Programa Mais Leite que, por sua vez, envolve outras ações integradas; a expansão do Serviço de Inspeção Municipal (SIM), que formaliza pequenos agricultores com selo de sanidade, em especial as queijarias; serviço de locação de tanques e resfriadores de leite (kit Mais Leite) em sete comunidades rurais, indo de tabela o Programa de Micro Polo de Inseminação Artificial do rebanho bovino, além do programa que foi a revelação ano passado, o Vaca Móvel, em parceria com o Sebrae/TEC. Entre outras... C24H – Entre outras ações? Eduardo – Sim, ainda dentro do Programa Vaca Móvel, que permitiu que mais de 50 pequenos produtores recebessem serviços veterinários para seus animais, as vacas puderam fazer exames de ultrassom, além de análise da qualidade do leite em nível de curral, análise de formação de pastagem e manejo do rebanho, tudo isso direcionado à melhoria da qualidade leiteira. São várias ações, que são integradas, mas têm desdobramentos em outras ações, uma cadeia mesmo de atividades, Eduardo Crespo-AL (7) (1)C24H – Mas, diante de um município com um interior de dimensões grandes, como trabalhar essa extensão de forma proporcional? Eduardo – O governo Rosinha foi muito cuidadoso neste sentido e lançou Agências de Desenvolvimento Regional (ADRs), uma forma administrativa de criar territórios homogêneos para que as ações da secretaria fossem melhor realizadas, considerando essa grande extensão territorial. Imagina um município com mais de 4 mil quilômetros quadrados e em cada canto, pelo menos, um pequeno produtor? As ADRs foram divididas em sete, como se fossem distritos rurais e, assim, se traça a política de trabalho, respeitando as vocações de cada um destes. C24H – Em outra entrevista você falou no Projeto Café com Prosa. Ele acabou? Eduardo – Não, pelo contrário, houve até desdobramento de ações. O Café com Prosa é uma reunião de trabalho com secretarias, universidades, Emater, Incra e órgãos afins, discutindo com os produtores da agricultura familiar o que cada um precisa para, por exemplo, se tornar fornecedor dos programas governamentais. E para isso eles têm que ter uma série de certificações, tem que estar organizado. E alguns já se organizaram para isso e até já entregam seus produtos para a merenda escolar, através do Programa PINAI. Está sendo uma quebra de paradigmas, porque Campos não participava por falta de organização dos agricultores da agricultura familiar. C24H – Mas ainda não é maioria dos agricultores que participa, certo? Eduardo – Certo, mas este é um trabalho que estamos promovendo, levando para demais comunidades, mostrando os exemplos de sucesso dos outros colegas agricultores. Nem todos do Café realmente aderiram, são muitos anos parados. E tudo é feito para eles de forma integrada, criando oportunidade para acesso ao crédito junto ao Fundecam, convênio com a Uenf e Universidade Rural, cursos do Pronatec e muito mais. C24H – E como o município está em relação a atividade ligada ao frango? Eduardo 1Eduardo – Já avançamos bem e a expectativa é introduzir uma cadeia organizada de pequenos produtores de corte. O primeiro passo foi identificar uma unidade mínima para aprendizagem, com criação de uma mini granja, que nada mais é do que um equipamento para instalar na propriedade do pequeno produtor para que ele dê início à criação. E tudo acompanhado por técnicos do programa. Foram compradas as primeiras 10 mini granjas (kit) e sete já estão em atividade. C24H – E quando ao leite? Eduardo - Olha, Campos é o maior produtor de leite do Estado, com cerca de 1.500 pequenos produtores, a maioria pecuária de corte. Inicialmente vamos identificar 50 produtores de leite, que vão receber capacitação em parceria com o Sebrae. Eles vão construir um projeto com as técnicas adquiridas e ver quantos meses precisam para triplicar a produção. Através de emenda do deputado Garotinho, conseguimos adquirir equipamento, o kit leite, que é um container com tanque de resfriamento, para ser locado nas ADRs. Ele é semi móvel e pode ser deslocado de um território para outro. E neste contexto, capacitamos agentes de crédito para fazer acontecer os financiamentos, através das linhas oferecidas pelo Banco do Brasil e Caixa, que podem ser equalizadas pelo Fundecan.



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