Um técnico muito mais político do que tantos por aí


domingo, 22  setembro de 2013    -    Foto: Campos 24 Horas

_________Entrevista com (Leia mais abaixo)

o presidente da Fundação Municipal de Sáude, José Manuel Moreira

José Manoel 2Embora ele não se considere um político, há anos pratica a política da boa vizinhança, conseguindo angariar a simpatia e confiança das pessoas. Isso desde que começou na vida pública, passando de governos em governos, mostrando, principalmente, sua competência em administrar. Com isso, o médico coloproctologista José Manuel Correia Moreira, no alto dos seus mais de 40 anos de profissão, deu lugar ao administrador público, atualmente transformado em presidente da Fundação Municipal de Saúde.

Esta, por sua vez, engloba as unidades de urgência e emergência do município que trabalham em sistema 24h (Unidades Pré-Hospitalares (UPH) de Ururaí, Travessão, Santo Eduardo, São José, Sandus de Guarus e da Saldanha Marinho, no final do ano a UPH de Farol de São Thomé, além dos Hospitais Ferreira Machado e o Geral de Guarus). A palavra de ordem de José Manuel, que diz que hoje dentro da profissão tem uma visão mais social, é capacitação, humanização e acolhimento, o que, segundo ele, pratica em todas as unidades acima. No breve relato de sua história, mostra que é mais político do que outros por aí...

José Manoel 4A entrevista Campos 24 Horas – O senhor fala muito em três pontos: Capacitação, humanização e acolhimento. Dá para praticar tudo isso na rede pública municipal?

José Manuel  – Claro que dá, tanto é que já estamos praticando há tempo. Os profissionais que trabalham nas nossas unidades estão passando por cursos, principalmente, para melhor atendimento à população. Estamos também treinando as equipes para melhor acolhimento José Manoel 1dos pacientes, tipo, fazendo a classificação de risco, o que já existe, inclusive, na Unidade Pré-Hospitalar do São José, em Goitacazes, e no HGG. Tudo isso faz a diferença. (Leia mais abaixo)

C24H– Como classificação de risco?

José Manuel – É o que há de moderno, uma maneira também de desafogar algumas unidades. Primeiro o paciente é atendido com medição de pressão, depois o profissional faz as perguntas básicas sobre o que está sentindo e, a partir daí, ele recebe uma cor: vermelha (o paciente entra imediatamente); amarela (ele pode entrar até em 30 minutos); azul ou verde (pode esperar um pouco mais).

C24H - Mas e o problema crônico da falta de pediatra nas unidades? E a falta de demais médicos?

José Manuel – A falta de pediatra é um problema no país todo, não somente em Campos. Mas, mesmo assim, a população não fica desassistida, porque se falta em uma unidade, a gente encaminha para o HGG, por exemplo, onde tem uma base pediátrica muito boa. E quanto aos demais médicos, nas unidades as equipes estão completas. O que pode acontecer é uma falta isolada, como em qualquer lugar.

José Manoel 6C24H– Outro problema crônico é a questão das macas em corredores do HFM. Não há remédio? (Leia mais abaixo)

José Manuel – Há sim. O que acontece é que na nossa retaguarda não há vagas nos hospitais conveniados sempre. Eu te pergunto: Hoje, qual é a epidemia na emergência? São as fraturas, que são difíceis de serem cuidadas em outras unidades, sem falar na grande demanda, já que o HFM recebe paciente de vários municípios da região. Em caso de fraturas, o HPC também atende, mas casos menos graves.

C24H – Sim, mas o senhor ainda não disse qual é o remédio...

José Manuel – Obras e mais obras, o que estamos e ainda vamos fazer. Primeiro vamos ter que tirar a sede da Fundação Municipal de Saúde do segundo andar do Ferreira, além de tirar o Dip e a Fisiologia, transferindo tudo para outros locais. Com isso vamos abrir mais 45 leitos, mas tudo demanda tempo e não é feito da noite para o dia, porque estamos tratando de saúde, vidas. E, de imediato, vamos abrir mais oito leitos, onde era o antigo CTI. Também vamos abrir um novo centro cirúrgico, cujas obras já terminaram. Dentro dessas obras todas, não vamos esquecer do item acolhimento, que já falei anteriormente.

C24H – Obras e acolhimento. Com assim?

José Manuel – Simples, em algumas unidades, como no HFM, as obras vão fazer com que tenhamos uma sala confortável só para acolhimento. Sem falar que, em termos de qualidade no atendimento, vamos separar o atendimento pediátrico do adulto, o que já acontece, mas que será ampliado ainda mais. As outras unidades também passam ou passarão por obras semelhantes. (Leia mais abaixo)

C24H – Quais unidades, por exemplo?

José Manuel – No HGG vai haver obras de reforma e ampliação da emergência, com a licitação devendo acontecer no próximo mês, uma obra grande, de mais de R$ 4 milhões. A UPH São José está em obras e só lá são feitos aproximadamente 12 mil atendimentos/mês, local que receberá também novos equipamentos, entre outros. A UPH de Travessão também passará por obras de reforma e ampliação e o atendimento é de mais ou menos 8 mil pacientes/mês. Sem falar nas obras para implantação de novidades.

C24H – Que novidades?

José Manoel 3José Manuel – A gente chama de novidades mais são melhorias e avanços. No HGG, por exemplo, vamos implantar uma Agência Transfusional, que é uma unidade hemoterápica, que tem como função armazenar sangue e seus derivados, realizar exames imuno-hematólogicos pré-transfusionais, liberar e transportar os produtos sanguíneos para as transfusões nos setores do complexo hospitalar. Assim, vamos ter estoque de sangue no HGG sem precisar sair correndo para apanhar no HFM.

C24H– No início da entrevista, o senhor disse que procura sempre falar a verdade para o paciente. Acha melhor? (Leia mais abaixo)

José Manuel– Primeiro, a gente tem que se colocar no lugar do outro e ninguém gosta de ser enrolado. Claro que tem todo um jeito e procedimento para isso, mas temos que falar a verdade com o paciente sobre sua situação, conversar, alertar e isso também estendido aos familiares. O bom diálogo ainda é o melhor remédio, porque, às vezes, você dispensa cinco minutos do seu tempo e ganha uma vida...

C24H– Para terminar, quer acrescentar alguma coisa?

José Manuel – Somente dizer que estamos aqui na Fundação, eu e toda a equipe, de portas abertas para conversamos a qualquer momento, abertos a críticas e sugestões.

__________________________________ Postado por: Fabiano Venancio



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