Um pronto-socorro acima da média

Campos 24 Horas ENTREVISTA - Fabrícius de Sá, chefe do setor de Pronto-Socorro do Hospital Geral de Guarus (HGG)


domingo, 15 de fevereiro de 2015   -   Foto: Campos 24 Horas Postado por: Fabiano Venancio Diretor da Emergencia do HGG, Fabricio-AL (1) Um hospital que com pouco mais de 12 anos de existência tornou-se referência na região, além de estar localizado em Guarus, distrito que é quase uma cidade em termos habitacionais, acaba tendo o seu pronto-socorro como foco da população em qualquer situação de urgência ou emergência. É isso que acontece no Pronto-Socorro do Hospital Geral de Guarus (HGG) que, no ano passado, registrou quase 105 mil atendimentos, de crianças e adultos, o que dá uma média de 8 mil e 750 pacientes/mês ou, ainda, quase 300 pacientes/dia. Mas isso é porque, como foi falado, a população acaba focando essa unidade, enquanto o procedimento, na maioria das vezes, deve ser outro. Num primeiro instante o paciente deve procurar as unidades pré hospitalares (PU da Saldanha Marinho, PU de Guarus, Hospital São José, UBSs 24h, entre outras) que faz o primeiro atendimento e, em caso de internação, transfere para o HGG ou HFM. Mas isso é outro assunto. Enquanto isso não acontecer, o Pronto-Socorro do HGG está aberto 24h, com urgência clínica e, também, pediátrica. E para aguentar essa demanda toda, tem que se ter uma dose de psicologia, já que todos que chegam se auto classificam como prioritários no atendimento. Que o diga o chefe do setor, o médico psiquiatra, Fabrícius de Sá Mello, pós graduado em psiquiatria e pós graduado em dependência química, além de médico socorrista do Corpo de Bombeiros. Mas todo o bom e compreensível atendimento, segundo o chefe do pronto-socorro, não seria possível se não fosse a equipe que faz parte do quadro do hospital, especialmente, do pronto-socorro. E afirma: “Não tenho problema com material humano”. Diretor da Emergencia do HGG, Fabricio-AL (2) Confira a entrevista: Campos24Horas – O trabalho no HGG é muito vasto, mas vamos falar do pronto-socorro. Como funciona? Fabrícius de Sá – O nosso pronto-socorro atende urgência e emergência, clínica e pediátrica, todos os dias, 24h. Além da clínica cirúrgica, não traumática, que são patologias de urgência, não decorrentes de traumas, como por exemplo, dor abdominal. E somos referência para as unidades pré hospitalares da rede. C24H – É aí que começa o problema. Têm pacientes que vêm direto para aqui, não é mesmo? Fabrícius – É, tem que haver uma ordem de atendimento, que começa com o paciente se dirigindo as unidades pré hospitalares, que vai do PU da Saldanha Marinho, passando pela UBS 24h de Farol, até o PU de Guarus. Nestas unidades, quando há necessidade de internação há a transferência para cá ou para o Ferreira Machado. Mas, mesmo assim, a gente não deixa ninguém sem atendimento. C24H – Em todo o pronto-socorro do país, a reclamação é quanto ao acolhimento. Como é o trabalho aqui? Fabrícius – O paciente é acolhido por uma equipe de enfermagem, que classifica o paciente quanto à patologia e essa classificação determina a ordem e o tempo de atendimento. Este é um protocolo de acolhimento e classificação de risco, do Ministério da Saúde. A classificação obedece as cores vermelha (atendimento imediato), amarela (o paciente necessita de avaliação), verde (caso de menor gravidade e menos urgente) e azul (casos de menor complexidade e sem problemas recentes). C24H – E aí que mora o problema. O paciente classificado na cor azul não poderia ser atendido em outro local? Fabrícius – Sim, nas unidades pré hospitalares ou no ambulatório. São pacientes, por exemplo, que as vezes só precisa de um atestado médico, ou então teve uma dor estomacal no dia anterior, entre outros. Ele não corre risco de vida como muitos eu estão ali ao seu lado. E se este paciente necessitar de exames, são encaminhados para isso. Diretor da Emergencia do HGG, Fabricio-AL (4) C24H – E os casos de geram internação? Há leito para suficiente? Fabrícius – No HGG temos 25 leitos para internação, mas se precisar solicitamos vaga nas unidades contratadas, que são Santa Casa de Misericórdia, Beneficência Portuguesa, Álvaro Alvim e outras. E como já disse, em caso de exames, são feitos aqui. Não há problema nesse sentido. C24H – Por isso que o senhor criou o núcleo interno de regularização? Diretor da Emergencia do HGG, Fabricio-AL (5)Fabrícius – Sim, o NIR atua quando há necessidade de internação, fazendo a interface com a rede contratualizada e, também, com a central de regularização. É uma maneira de agilizar esse processo todo, diminuindo o tempo de espera e direcionando para onde o paciente vai, de acordo com sua patologia. C24H – Mas e o velho dilema do corredor cheio? Fabrícius – Uma eventual superlotação que ocorre, é porque a demanda de leitos para internação da rede contratual naquele dia não comtempla na mesma proporção. Mas são casos esporádicos e tudo isso é sazonal. C24H – Diante dessa demanda, como é a equipe do pronto-socorro? Satisfaz? Fabrícius – Nós funcionamos obedecendo as normas exigidas de profissionais e não temos problemas com material humano. A equipe é formada por médicos, enfermeiros, técnicos de enfermagem, assistente social e fisioterapeuta, mais a equipe de apoio e um administrador. C24H – Chefiar um pronto-socorro deve ser complicado... Fabrícius – Não quando a gente tem uma equipe boa, que dá suporte para isso. Da função temos que saber o que é correto   e bom para o próximo...



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