Guarus não é apenas um pedaço de terras à margem esquerda do rio. Ali habita a relação afetiva, o sentimento de honra e altivez de um povo, que paira sobre aspectos geográficos. Separados pelo curso d'água, mas unidos pelas pontes que ornamentam o Paraíba, o campista, do lado de lá e de cá, permanece irmanado pelas relações sociais, o sentimento de amizade e traços culturais. Mas o campista guarulhense é um povo que sente orgulho de viver ali, de ser parte do lugar e se ufana de haver ajudado a constituir esta comunidade de quase 200 mil habitantes, população maior do que a maioria dos municípios do Estado do Rio de Janeiro.
— Sou morador de Guarus há quase 30 anos tenho orgulho do meu lugar. Não trocaria por nenhum outro bairro no Centro. Mas sinto que há muita discriminação, apontam logo o problema da violência e acham que aqui é muito perigoso, como se fosse um morro, daqueles lá no Rio de Janeiro. Mas não é bem assim. A maioria, 99% é de pessoas de bem, gente trabalhadora — pondera o comerciante Luís Carlos Junior. (Leia mais abaixo)
Mas, por sua população e dimensões, avalia Luís Carlos, o subdistrito carece de mais investimentos, sobretudo em lazer, entretenimento, esportes e cultura. “Guarus é gigantesco, aqui há diversos bairros, todos eles muito populosos. Mas carece de muita coisa, como investimentos nessa garotada que é o nosso futuro. Me lembro que quando era mais jovem havia o projeto Meninos do Amanhã, que tirava essas crianças da rua”, lembra.
— Tem muito garoto aqui que fazia judô, taekonwdo que agora é esporte olímpico, mas não há incentivo. Falta investimento, mas que não é caro, não precisa uma grande estrutura, bastaria a contratação de profissionais já que existem as vilas olímpicas, onde há uma estrutura de piscinas e poderia abrigar competições de natação — sugeriu ainda Luís Carlos.
O comerciante também propõe pistas de skate, aproveitando o embalo da conquista da fadinha Rayssa Leal, de 16 anos, uma maranhense que conquistou a medalha de ouro nas Olimpíadas de Tóquio e o coração dos brasileiros.
—Tivemos essa menina ainda muito jovem, mas que começou mais jovem ainda e se tornou uma medalhista olímpica. Seu exemplo serve de incentivo a outras meninas e meninos. Aqui em Guarus as crianças tem vontade de praticar skate ou andar numa bicicleta daquela bike BMX. Tem vontade de fazer suas manobras, não tem onde treinar. É só um empurrãozinho a mais que ajudaria muito essas crianças — afirmou.
Um festival de pipas seria outra atividade que preencheria o tempo ocioso da garotada, mas em outro local. “A prefeitura deveria autorizar um local próprio para um festival de pipas organizado, ao invés de ficarem na Avenida José Carlos Pereira Pinto, arriscando cortar o pescoço de alguém com essas linhas perigosas. Deveria definir um lugar mais reservado, com autorização da Vigilância, Guarda Civil e da Postura, para que a molecada pudesse brincar sem perigo toda semana”, acrescentou. (Leia mais abaixo)
O esporte é uma ferramenta eficiente para tirar as crianças da ociosidade e livra-la da marginalidade e da criminalidade, avalia ainda o empreendedor. “Havia um projeto de musculação ali no Santo Antônio, que foi desativado, mas que poderia voltar e ser instalado em dois ou três pontos, com espaço aberto ao público e de forma gratuita. Isso ajudaria muita gente. O esporte é uma ótima ferramenta para tirar a garotada da rua e fazer coisa errada. A molecada de 15 a 16 anos, quando começa entrar na academia, deixa de beber e usar drogas”, pontuou Junior.
A comunidade reclama ainda de um posto de vistoria do Detran que inclusive serviria para desafogar os postos que funcionam na antiga concessionária Comauto e no Shopping Estrada.
Outras opções de lazer se somam ao inventário de carências de Guarus, como enumera Luís Carlos Junior. “Se a gente quiser ver filme tem que ir ao Shopping 28 ou no Boulevard Shopping. Guarus é um lugar que merece esses investimentos”, reivindica.
Entretanto, no balanço de carências e ganhos, há razões para comemorar porque há consenso quanto a existência de uma gama de serviços em Guarus que não deixa nada a desejar em relação a muitas cidades.
— Aqui temos agências da Caixa Econômica Federal, do Bradesco, Itaú, Sicoob, vários supermercados, shopping, o Atacadão e vários supermercados, além de casas lotéricas e clínicas médicas. Temos o HGG (Hospital Geral de Guarus) que não está funcionando muito bem, mas há a expectativa de que melhore. Guarus é um polo comercial de investimentos, um lugar gigantesco e com um povo maravilhoso — finalizou Luís Carlos Junior. (Leia mais abaixo)
Em nota, a Prefeitura de Campos disse que: "Toda essa situação das Vilas Olímpicas, completamente abandonadas pela administração anterior, já foi levantada e um cronograma de recuperação já está sendo cumprido. Começamos com a Vila Olímpica Ederval Venâncio, em Travessão, hoje funcionando muito bem, dando oportunidade às pessoas de praticarem suas atividades esportivas. O mesmo acontece com a Vila Olímpica João de Souza, no Parque Esplanada, que também está em funcionamento, dentro das normas sanitárias impostas pela pandemia da Covid-19. A próxima vila a ser reformada e reinaugurada será a Amaro Silveira no Parque Santa Clara. em breve, será divulgada a data de inauguração."
A prefeitura esclarece ainda que "todo o aparelho público esportivo estava em completo abandono mas, gradativamente, a situação vem sendo resolvida" e que "desde que assumiu a presidência da FME, em 23/06/21, Luciano Viana dotou-as de vigias, auxiliares de serviços gerais e coordenador . Portanto, as unidades não estão mais abandonadas. Após a reinauguração ainda neste mês da Vila do Parque Santa Clara, as obras serão reiniciadas na Vila Olímpica Bruno Rangel, no Pq Alphaville".