Uenf desenvolve disco solar para tratamento de água

O sistema recebe e reflete a luz do sol para um ponto, onde ela é transformada em energia térmica


24/05/2016     07h48    |    Foto: Divulgação LD4A3495-webPor: Ascom com Redação do Campos 24 Horas Mesmo diante de mais grave crise da sua história, que ameaça a instituição de ter água, luz e telefones cortados por falta de pagamento, pesquisadores da Uenf , em Campos, ainda conseguem reunir forças e capacidade para desafiar os problemas e produzir ciência. Esta semana, um grupo de pesquisadores da Universidade Estadual do Norte Fluminense (Uenf), anuncia que está em fase de testes, no Núcleo de Energias Alternativas, do Laboratório de Ciências Químicas da UENF (LCQUI) o protótipo de um disco solar térmico capaz de promover a desinfecção da água através de um sistema de reflexão e seguimento solar. O sistema recebe e reflete a luz do sol para um ponto, onde ela é transformada em energia térmica. A água é aquecida a mais de 65ºC, quando ocorre a esterilização. O disco solar é o primeiro a ser desenvolvido com a função de tratamento de água. Intitulada “Construção e implementação no Brasil de sistemas de concentração solar e materiais fotocatalíticos para purificação química e biológica em águas e ar”, a pesquisa tem a coordenação da professora Maria Cristina Canela e colaboração do professor Benigno Sanchez Cabrero, do CIEMAT – Plataforma Solar de Almeria, Espanha, que atua como pesquisador visitante especial na UENF. — O professor Benigno vem trabalhando incansavelmente neste projeto junto conosco. Ele vem três meses por ano ao Brasil só para isso. Além disso, co-orienta os estudantes envolvidos e faz questão de fazer vários ensaios e aprimorar os experimentos com a sua experiência na Plataforma Solar de Almeria — diz a professora Maria Cristina. TECNOLOGIA FÁCIL - Segundo ela, trata-se de uma tecnologia de fácil manipulação, não sendo necessária mão de obra especializada para a manutenção rotineira do equipamento. Constituído por uma estrutura leve de alumínio, o disco solar é multifacetado e conformado por espelhos simples, que são dispostos de maneira que haja baixa resistência ao ar. Além disso, o equipamento não requer custos altos de instalações. O equipamento começou a ser construído em abril de 2013 com o objetivo de ser utilizado em áreas rurais, onde a contaminação da água de poços rasos por micro-organismos é comum. Atualmente ele está em fase de testes e a previsão é que eles sejam finalizados no final de 2016, quando o disco será apresentado a empresas que tenham interesse na fabricação da tecnologia. De acordo com os pesquisadores, o consumo de água contaminada é um dos principais problemas de saúde pública no Brasil. Com o objetivo de tentar mudar esta realidade, a universidade vem buscando uma forma eficiente e barata de tratamento da água, baseada no uso da energia solar. IMPACTOS NA SAÚDE - A ideia é utilizar o disco solar inicialmente em águas de poços rasos, muito utilizados na zona rural, onde não chega a rede de água potável. Dados do IBGE mostram que na zona rural 54,8% da água vem de poços e nascentes. Um estudo feito pela empresa Trata Brasil e Fundação Getúlio Vargas mostra que o SUS recebe cerca de 800 pacientes/dia com doenças diretamente ligadas ao saneamento ambiental inadequado, como diarreias, febre amarela, leptospirose, micoses, entre outras. - O Brasil tem investido muito nos últimos anos em energias renováveis e o potencial brasileiro para energia solar não pode ser negligenciado e pode ser importante tanto do ponto de vista de grande escala como em pequenas unidades – afirma Cristina. Segundo Cristina, a tecnologia de concentradores solares surgiu na década de 1970 como um caminho para a produção de energia através do aquecimento de um fluido e para tratamento de materiais pela concentração de energia do sol em uma área definida. PROCESSO DE BAIXO CUSTO - Os discos solares podem produzir concentração de energia muito alta e então alcançar um aumento significativo de temperatura. Diferentes sistemas têm sido desenvolvidos para esta finalidade, embora em alguns casos estes discos possam necessitar de grandes áreas e serem muito caros. - Nosso disco solar pode captar a luz solar e concentrá-la em um ponto, onde deverá ter um sistema para passagem da água, que será aquecida a alta temperatura, promovendo a sua desinfecção. É um processo de baixo custo, que utiliza energia renovável, ocupa pouco espaço, não consome reagentes químicos e precisa de pouca manutenção – explica Cristina. A pesquisadora lembrou que nas comunidades rurais o equipamento poderia ser utilizado para tratar a água a ser consumida no próprio local de uso, melhorando assim a qualidade de vida das populações e evitando problemas com enfermidades hídricas.



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