Tubarão-tigre no Sudeste: quais são os riscos da espécie agressiva de tubarão monitorada pela 1ª vez no Rio

Considerada uma das espécies mais agressivas do mundo, o animal passou a ser observado com frequência na Baía de Ilha Grande, no litoral sul do Rio de Janeiro, após relatos de pescadores e barqueiros


  • 12/02/2026, 11h48, Foto: Divulgação.

Pela primeira vez, cientistas monitoram por satélite a presença de tubarões-tigre na região Sudeste do Brasil. Considerada uma das espécies mais agressivas do mundo, o animal passou a ser observado com frequência na Baía de Ilha Grande, no litoral sul do Rio de Janeiro, após relatos de pescadores e barqueiros da região.

O tubarão-tigre é comum no litoral de Pernambuco, onde há registros de ataques fatais. Agora, pesquisadores querem entender por que a espécie tem sido vista com mais regularidade no Sudeste e se há ligação entre esses grupos e os que vivem no Nordeste. (Leia mais abaixo)

Primeiros registros e monitoramento inédito - Moradores da região relatavam a presença de um tubarão conhecido como tintureiro, que hoje é reconhecido como o tubarão‑tigre. Para surpresa dos biólogos, os animais não chegaram recentemente: “Na verdade, eles sempre estiveram aqui. Agora a gente está enxergando eles mais”, afirma uma pesquisadora do Instituto Pro Shark.

Em janeiro, pescadores levaram a equipe ao local onde os tubarões costumam ficar. Ali, os cientistas conseguiram capturar e marcar dois indivíduos:

  • Gaspar, medindo 1,80 m
  • Baltazar, com 2,08 m

Ambos receberam uma antena de monitoramento acoplada à nadadeira dorsal, capaz de enviar dados de posição e temperatura da água quando o animal sobe à superfície.

Circulação em grupo dentro da baía - As primeiras semanas de monitoramento revelaram um comportamento inesperado: apesar de serem considerados solitários, os tubarões‑tigre estavam em grupo. “A gente conseguiu perceber a presença de pelo menos dez bichos juntos”, dizem os pesquisadores.

Ausência de registros de ataques - Apesar da fama da espécie, não há histórico de ataques dentro da Baía de Ilha Grande. Especialistas explicam que o ambiente é considerado equilibrado, com abundância de alimento e áreas de proteção ambiental, o que reduz o risco de incidentes. (Leia mais abaixo)

O maior perigo, segundo os especialistas, ocorre quando pessoas “sem informação entram na água ou tentam interagir com os animais”. Por isso, a equipe evita divulgar com precisão os locais onde os tubarões circulam, para proteger tanto os animais quanto os visitantes.

Histórico de ataques em Pernambuco - A comparação com Pernambuco reforça o alerta. Em 34 anos, foram registrados 82 ataques e 27 mortes no litoral do estado, principalmente na região metropolitana do Recife. Pesquisadores associam os incidentes a fatores como poluição, esgoto lançado no mar, mudanças nas correntes marítimas e presença de canais naturais usados pelos tubarões durante a reprodução.

Um dos casos mais graves ocorreu em Jaboatão dos Guararapes, onde uma adolescente perdeu parte do braço após ser atacada por um tubarão-tigre. A área é considerada de alto risco e recebeu placas de advertência ao longo da orla.

Segundo especialistas, o monitoramento no Rio pode ajudar a entender por que a espécie se comporta de forma diferente em regiões distintas do país. E quanto mais animais forem marcados, mais informações teremos sobre deslocamento, comportamento e possíveis riscos.

Prevenção e monitoramento científico - Nos próximos meses, novos tubarões devem receber transmissores. A expectativa é que os dados ajudem a prevenir ataques, orientar políticas públicas e ampliar o conhecimento sobre o impacto das mudanças climáticas sobre os grandes predadores marinhos. (Leia mais abaixo)

Enquanto isso, a recomendação é clara: respeitar o habitat dos animais, evitar áreas sinalizadas e não tentar se aproximar ou alimentar tubarões. “A convivência segura depende de informação e monitoramento”, afirmam os cientistas.

Fonte: g1



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