Três UPAs do Rio restringem atendimento a casos graves por falta de repasses da prefeitura


  • 18/08/2018 09h52 Foto: Divulgação .
Com dor de garganta, febre e mal-estar, o bailarino Ruan Santos de Souza, de 20 anos, procurou atendimento na UPA Madureira, na Zona Norte do Rio, na tarde desta-sexta-feira. Passou pela triagem, mas foi recomendado a buscar outra unidade. O mesmo aconteceu com a estudante Tuane Alves, de 17 anos, com a desempregada Juliana Neri, de 26, com o estudante Rehael Natal, de 16, e todas as outras pessoas que procuraram socorro na UPA e não corriam risco de morte. Sem receber repasses da Prefeitura do Rio, a organização social (OS) Iabas, que administra a unidade, decidiu restringir o atendimento a pacientes graves desde a manhã de hoje. A situação se repete nas UPAs Vila Kennedy e Costa Barros, também gerenciadas pela OS. - Estou me sentindo mal, com enxaqueca. Vim até aqui para ser atendida e pegar dipirona, mas não me atenderam. Recomendaram procurar a Clínica da Família. Passei lá antes de vir para cá e estava muito cheia, mais do que o normal. As pessoas não conseguem atendimento aqui e estão indo para lá - diz Juliana, que costuma procurar a UPA Madureira quando precisa. - O atendimento é muito bom, mas os funcionários estão sem salário, e eu entendo isso. O pobre só é sugado. Pagamos impostos e nem assim estão pagando salários. Ruan também foi embora da UPA Madureira do mesmo jeito que chegou, com dor de garganta, febre e mal-estar. Há três dias, os sintomas de gripe castigam seu corpo. - Um funcionário me indicou procurar a UPA de Marechal Hermes, mas vou trabalhar assim mesmo. Estou mal há três dias e não melhoro - disse o rapaz, ao deixar a unidade. A estudante Tuane Alves chegou em seguida à unidade relatando os mesmos sintomas. E recebeu a mesma recomendação: procurar a UPA de Marechal Hermes, que é administrada pelo governo estadual. - Daqui até lá, são cerca de meia hora de ônibus. Vamos para casa mesmo. Aqui, só estão atendendo casos de vida ou morte - diz Alcineia Barreto de Carvalho, de 60 anos, que acompanhava a sobrinha Tuane na UPA. Com um abscesso no polegar esquerdo, o estudante Rehael Natal queria ter a dor e a infeçcão tratadas na UPA Madureira, mas também não foi atendido. - Desde terça-feira, o dedo do meu filho só vem piorando. É uma sensação muito ruim ser dispensado apesar do seu filho precisar de atendimento. Achei que iriam drenar esse abscesso. Mandaram procurar a UPA de Marechal Hermes. Vamos ter que ir até lá - diz o pai de Rehael, o funcionário público Jeferson Pinto, de 39 anos. A decisão de restringir o atendimento nas UPAs Madureira, Costa Barros e Vila Kennedy foi comunicada, nesta quinta-feira, à Secretaria municipal de Saúde por meio de um ofício. O último repasse da prefeitura à OS que administra as três unidades foi realizado em junho e a dívida já ultrapassa R$ 18 milhões. Com o salário de julho atrasado, sem vale transporte e com os cartões combustível, no caso dos médicos, bloqueados, muitos profissionais estão faltando aos plantões. - Ontem (quinta-feira), todos os seis médicos do plantão da UPA Costa Barros faltaram. Um gerente médico ficou na unidade para cuidar dos pacientes internados. A média tem sido quatro médicos por plantão, com dois faltando. Entre os profissionais de enfermagem, o índice de falta é maior. Isso prejudica o atendimento. E já faltam medicamentos e insumos. As três UPAs estão sem hidrocortisona, que é muito importante para atender casos de asma ou reações alérgicas graves - afirma um profissional de saúde que pediu para não ser identificado. As unidades passam problemas também com o pagamento de empresas terceirizadas. No mês passado, a firma que entrega a comida ameaçou parar. O laboratório, também terceirizado, vem funcionando de forma precária. - Tem dias que os funcionários do laboratório dizem que todos os insumos acabaram e não tempos como pedir nem um simples hemograma. Temos pacientes graves internados e isso nos preocupa - afirma outro funcionário. A Secretaria municipal de Saúde (SMS) afirma que não orientou as unidades a restringir o atendimento. A pasta informa que “trabalha junto com a Secretaria Municipal de Fazenda para regularizar os repasses e alguns pagamentos já foram realizados”. Fonte: Extra 



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