O médico Evaldo Cretton, citado na Operação Cardiopata, desencadeada pela Polícia Federal na semana passada e que investiga supostas fraudes contra o INSS, obteve nesta segunda-feira (11), no Tribunal Regional Federal (TRF) da 2ª Região, no Rio, um habeas corpus e responderá o processo em liberdade. Ainda na semana passada, o médico, que estava viajando de férias com a família e não se encontrava em Campos no dia em que a operação foi deflagrada, teve contra ele um mandado de prisão preventiva, a partir de agora suspenso por força do habeas corpus.
O habeas corpus do médico Evaldo Cretton foi obtido pelos advogados João Paulo Granja e Jefferson Cretton, irmão do médico. Jefferson declarou que "o Estado de Direito voltou a prevalecer". (Leia mais abaixo)
Entre os envolvidos no esquema, 34 foram conduzidos à sede da Polícia Federal em Campos e um para Macaé. Destes, 15 estão presos, sendo oito intermediários, quatro técnicos do seguro social, dois médicos peritos e um médico particular. Diversos beneficiários foram conduzidos coercitivamente à sede da Polícia Federal. Eles foram ouvidos e liberados. O delegado federal Vinícius Venturini, que está à frente da Operação Cardiopatas, explicou que o inquérito é de 2013, mas a investigação foi intensificada nos últimos oito meses. Os policiais analisaram inquéritos de fraudes previdenciárias isoladas que seguiam o mesmo modus operandi (modo de operação), caracterizando a atuação de uma quadrilha.
A Operação
Desde as primeiras horas da manhã desta sexta-feira (08), agente da Polícia Federal deflagraram a Operação Cardiopatas, de combate a corrupção de servidores do INSS e a fraudes previdenciárias em Campos, São João da Barra, Italva e Casimiro de Abreu.
A ação contou com 120 policiais federais, dois analistas de inteligência previdenciária, no cumprimento de 12 mandados de prisão preventiva, três de prisão temporária, 15 de busca e apreensão e 20 de condução coercitiva.
Entre os investigados estão técnicos do seguro social, médico peritos, médicos particulares, agenciadores de benefício e clientes de organização criminosa.
Durante a investigação foram comprovadas fraudes em 34 benefícios por incapacidade, entre auxílios-doença e aposentaria por invalidez, gerando um prejuízo de pelo menos R$ 4.373.151,04 à Previdência.
Os investigados responderão pelos crimes de estelionato previdenciário, corrupção passiva e ativa, peculato e violação de sigilo funcional.
Segundo a PF, o nome da operação se deve ao fato de a maioria dos beneficiários associados pela organização criminosa terem simulado miocardiopatia - doença do músculo do coração - dilatada ao INSS, com base em documentos médicos ideologicamente falsificados.
Última atualização às 09h44.