Transporte público Campos: injeção de R$500 milhões e reforço de 350 veículos

Levantamento exclusivo: Campos24H mostra como será o sistema de bilhetagem. Governo Wladimir se articula para dar um salto de qualidade no transporte público


  • 26/04/2024, 08h12, Fotomontagem: Campos 24 Horas.

Postado por Fabiano Venancio - Vencer o desafio do transporte público de passageiros, que tem problemas há décadas em Campos. Levantamento da reportagem do Campos 24 Horas mostra que o governo Wladimir Garotinho poder levar o município a dar um salto de qualidade a partir do segundo semestre deste ano com a implementação de um pacote de medidas que inclui a construção de três terminais integrados de passageiros e a aquisição de 350 veículos, através do PAC Seleções do governo federal, a um custo de R$ 500 milhões, com, inclusive, a aquisição de ônibus elétricos. O Campos 24 Horas mostra ainda como será o processo de bilhetagem eletrônica e as opiniões do presidente do Instituto Municipal de Trânsito e Transportes (IMTT), Nélson Godá, e do empresário do setor, José Maria Junior.

O projeto está entre as obras reivindicadas por Campos ao governo federal, pleito reforçado durante encontro entre o prefeito Wladimir Garotinho (PP) e o secretário especial de Assuntos Federativos da Secretaria de Relações Institucionais da Presidência da República, André Ceciliano. O documento contempla aquisição de ônibus, micro-ônibus e ainda ônibus elétricos. (Leia mais abaixo)

Dois terminais de integração — os de Donana e do Parque Canaã (próximo a Travessão) — já se encontram em fase de conclusão. As obras do terminal de Ururaí devem ser iniciadas nos próximos dias. Os custos dos três terminais são da ordem de R$ 15 milhões.

Os ônibus que partem da área central deixarão os passageiros nestes terminais integrados. A partir dali, o transporte dos passageiros serão feitos por vans e microônibus nos seus distritos, bairros e localidades.

BILHETAGEM - No projeto estão inseridos estudos sobre subsídios do óleo diesel e da gratuidade dos bilhetes, assim como uma compensação às empresas que operam em regiões de pouca densidade populacional, cuja operacionalidade as empresas alegam ser economicamente inviável pela baixo quantitativo de passageiros. 

O processo de bilhetagem eletrônica para mensurar com precisão o percentual de gratuidade, principal reclamação dos concessionários, está em fase de licitação.

PRESIDENTE DO IMTT E OS DESAFIOAS DO SETOR - A Câmara de Vereadores realizou este ano uma audiência pública para debater a questão do transporte público no município. Na ocasião, o presidente do Instituto Municipal de Trânsito e Transportes (IMTT), Nélson Godá, classificou como um “grande desafio” a tarefa da melhoria do transporte público em Campos. (Leia mais abaixo)

“É um grande desafio porque recebemos o sistema muito esfacelado e com muitas dificuldades. Mas estamos adotando um conjunto de ações, e o sistema está se reerguendo, embora a gente reconheça que ainda há muito a melhorar, e essa melhora virá com outras medidas que iremos tomar ainda este ano”, disse.

Godá destacou também o subsídio do óleo diesel para as empresas, projeto do gabinete do prefeito e aprovado pela Câmara. "Algumas empresas estavam em situação falimentar, outras já conseguiram regularizar pendências trabalhistas com seus funcionários, graças ao subsídio".

O presidente do IMTT reconhece que as empresas, que já andavam mal das pernas, entraram em situação de quase insolvência com a pandemia.

EMPRESÁRIO OPINA - O empresário José Maria Junior considera que o subsídio do diesel ajudou as empresas, mas ainda não é suficiente. Segundo ele, a tarifa do passageiro não sustenta a modalidade.

“Em Campos já tivemos mais de 300 ônibus, hoje não temos nem a metade dessa frota. Eram 14 empresas, hoje são apenas 5 em operação. De 2015 até hoje, houve uma queda de movimento de 70%, ou seja, hoje carregamos em torno de 30% do que antes transportávamos de passageiros”. E acrescentou: (Leia mais abaixo)

 “Os custos aumentaram muito. Para termos um transporte de qualidade Campos seria necessário uma tarifa em torno de R$ 7,00 ou R$ 8,00, o que seria inviável para os passageiros”.

O setor aponta que um dos motivos da crise é a quantidade de gratuidades, em torno de 50%. Além da gratuidade, outras razões apontadas estão a concorrência com o transporte ilegal, as chamadas “lotadas”, e o transporte por aplicativos.

VEREADOR ANALISA TRANSPORTE - O vereador Juninho Virgílio também reconheceu a necessidade de melhoras no sistema e lembrou ainda que o governo Wladimir repassa R$ 3,6 milhões mensais às empresas como subsídio às empresas para completar o custo da tarifa. 

Já o estudante de Políticas Sociais da Uenf, José Vítor Frutuoso, questionou a dificuldade de acesso ao transporte no município, diante da falta de itinerários e horários disponíveis.



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