Torcida do Goytacaz entre a tristeza, indignação e revolta


  • 22/11/2021, 13h47, Foto: reprodução/Campos 24 Horas.

E pior dos mundos aconteceu de verdade para a torcida alvianil. E o Goytacaz está mesmo submetido ao pior vexame de sua centenária história, rebaixado à quarta divisão do futebol do Rio. O sentimento é de tristeza e dor, de impotência e resignação. Mas também de revolta e indignação com a sucessão de equívocos e tropeços cometidos pelas últimas administrações que passaram pelo clube. A comédia de erros parecia não ter fim, e destino final do clube veio com a crônica da tragédia anunciada. A venda fraudulenta da Vila do Curumim, a nebulosa transação envolvendo os direitos econômicos em torno do atacante Jussiê, a terceirização do futebol nas mãos de aventureiros, a gestão nada profissional do futebol pelos absurdos administrativos com a escalação de Tales e Pepeu sem condições de jogo e a consequente perda de pontos se somam ao mais recente escândalo de jogadores envolvidos em esquema de apostas que teriam vendido resultados em jogos do time. Com base em depoimentos e postagens de torcedores nas redes sociais, o Campos 24 horas ouviu jornalistas, cronistas esportivos em geral, além de representantes da imensa massa azulina que se manifestaram pelas redes sociais, quase incrédulos, diante da dramática situação por que passa o alvianil da Rua do Gás.

Silvia Salgado – Misericórdia, senhor! O Goyta não merecia essa humilhação. O time mais querido, amado e de maior torcida. Não dá pra ter esperanças. Muito, muito, muito triste. Tanto fizeram que jogaram o nosso Azul nesta situação. Imperdoável, quebrar a tradição, macular a história de um clube centenário e humilhar torcedores. O Azul da Rua do Gás não merecia este destino, não merecia passar por isso. Eu, como torcedora, estou desolada. Como campista, revoltada.  Não demora muito vão dar um jeito de vender o estádio. Tudo é possível na mão desse povo que não leva em conta a grandeza e o peso da camisa do Goytacaz. A nação goitacá está de luto. Parabéns aos envolvidos!!! (Leia mais abaixo)

Paulo Renato Porto - O Goytacaz não precisa de adversários, é sempre capaz de perder para si próprio. Escala jogadores sem condições de jogo, o adversário vai lá e ganha os pontos. Terceiriza o futebol nas mãos de bandoleiros, que contratam jogadores bandidos, que se vendem para outros comparsas em esquemas de apostas, negociando resultados para vender a dignidade do clube. Como escreveu o Gabriel García Marquez em seu realismo trágico, foi a crônica da tragédia anunciada. Vai ser difícil resgatar o clube desta tragédia, não apenas no campo esportivo, mas também moral. Também não há que se debitar este supremo vexame apenas na conta de um vilão solitário. Se o clube chegou a este fundo do poço, a culpa deve ser debitada, sim, na conta de todos os alvianis que se omitiram, mas que deveriam (e poderiam) interferir para evitar a miséria prenunciada. Onde estavam as jovens lideranças do clube que se eximiram ao longo do tempo, ao invés de intervir e lançar mão de sua presença efetiva para evitar os trapaceiros e incompetentes, preservando um legado deixado pelo seus pais ou antepassados, escrito com sangue, suor e lágrimas?

Maurício Campinho - Por culpa de dirigentes sem escrúpulos nenhum , onde não pensaram no clube, muito menos nos torcedores. Marcelo Virgílio - Eu não perco meu tempo de sofrer por erros de uma diretoria amadora. Kiko Anderson – Acabaram com o nosso Goyta. Alcindo Junior - Nos momentos difíceis, alguns sucumbem e os verdadeiros alvianis se apresentam para apoiar... Estou sempre junto com o Goyta e convoco a torcida para apoiar ! Vamos em frente Goyta ! Luiz Mauricio Carneiro - Infelizmente o futebol de Campos sucumbiu, é amadorismo puro, não tem apoio dos empresários, prefeitura muito menos. Os clubes do interior paulista são exemplos. Nós, torcedores, é que temos que mudar essa situação. Paulo Salve - Tá feia a coisa. É o que dá fazer time cata-cata. Um clube de tradição como o Goytacaz não pode estar nesta situação Castilho Nery Santiago - A culpa é do presidente anterior, com esse agora está melhor. Helton França – Um absurdo. Conseguiram acabar com o Goytacaz Marquinhos Barbosa – Vergonhoso. Infelizmente o clube caminha para fechar as portas. Ricardo Santos – Nem cabe no meu coração tanta tristeza. Edgar Wesley Gonçalves - Sofrimento que não acaba. Um clube de tradição, de uma torcida apaixonada e alucinada. Certamente que não merecemos esse vexame o que nós resta é continuar torcendo e pedir aos Deuses do futebol que possa nascer uma diretoria honesta e profissional juntamente com um conselho capaz de mudar esse estatuto pois são as mesmas figuras que são presidentes do meu Goytacaz, ou seja, do nosso Goytacaz te amo meu alvianil e sempre serei Goyta até na décima divisão Walter Duarte - O torcedor do Goyta sempre fez sua parte. As novas gerações, infelizmente não vivenciaram os áureos tempos. Se existe uma paixão no futebol do interior, essa paixão se chama Goytacaz. Quem viu, viu. Minha torcida é eterna, porém a tristeza também é grande. Francisco Martins - Infelizmente, nos falta lideranças corretas e capazes. Por isso o nosso futebol está moribundo. Lideranças autênticas e com espirito bairrista e comunitário. Enquanto isso, sobram políticos ineptos, dirigentes despreparados e mal intencionados. Assim não há o que fazer. Brenno Souza – O Goytacaz merece mais não isso ai que está passando. Meu Goytacaz é gigante e não merece o que está acontecendo. Orávio de Campos Soares/jornalista – Venderam a Vila do Curumim, sem nenhuma consulta aos sócios proprietários. Sinto-me lesado pelos incompetentes que, em nome do nome sagrado do Goytacaz, jogaram o patrimônio no lixo. Hoje, a torcida do Goyta não merecia estar passando por essa vergonha. O time precisava ganhar, perdeu de virada em casa e é rebaixado à quarta divisão do Estadual pela primeira vez na história. O futebol campista, de tantas tradições, agoniza. Infelizmente... Luiz Azevedo – Isso tudo aconteceu devido alguns presidentes que dirigiram o clube e conseguiram acabar com a Vila do Curumim e ainda deixaram dívidas para o Goytacaz pagar. É só fazer uma retrospectiva e ver um grupo que acabou com nossa credibilidade. Pessoas que não tem condições de dirigir um clube. Saudades da velha guarda. Rodrigo Diego – O Goytacaz vai reagir. Em 2022 tem eleições no Goyta e vamos seguir em frente. Nada como um dia atrás do outro. Goyta sempre, não deixaremos de apoiar. Luís Rodolfo Freitas – Rodrigo, o problema é que já tem uns 30 anos reagindo. Hiroíto Pereira Paes - Homens maus em várias posições de topo nas administrações acabaram com a tradição e história de nossa Campos. Marcus Vinícius Pinto – Apesar de torcer pelo Americano, o Goytacaz sempre foi o clube ao qual fui mais próximo. Era perto de casa e ia com meu pai ver alguns finais de jogos quando os portões eram abertos aos 40 do segundo tempo. Outros jogos vi inteiros, acompanhando dois dos melhores narradores que já vi: meu tio Josélio Rocha e meu irmão Mário Márcio, com direito a goleadas como aquela sobre o timaço do Flu nos anos 80, vitória em cima do Flamengo de Zico. O time de futebol que joguei, do Edifício Salete onde morei, usava a camisa do Goyta. Era vontade da maioria. Amargar uma quarta divisão do futebol do Rio é algo que a torcida alvianil não merecia. Não merece. Como não merece as suspeitas de jogadores armando resultados para ganhar dinheiro sujo. E como o Americano não levanta a cabeça, o fim do futebol campista, de Didi, Pinheiro e Amarildo, é melancólico. Ou alguém acredita que o Americano vai ter um estádio que se preze qualquer dia outra vez? Conversa fiada.

Álvaro Marcos - A situação do Goytacaz é dramática. Provavelmente a mais triste da fantástica historia deste clube que tem a garra indígena no nome, na alma e no sangue. Mas acredito que seja este um momento propício para a união e reconstrução. Nas dificuldades, os alvianis vão se unir e reconstruir esse clube espetacular. Tenho muito orgulho de ser torcedor do Goytacaz, clube do coração também dos meus três filhos. Em 2017, ultimo ano de enorme alegria, com o titulo da Série B, escrevi  um texto sobre o Goytacaz. No riso e no choro, continua valendo porque o Goyta é eterno.

“Goyta dos gols a Formosa e da Saldanha/ de Tonico, Amarildo e Lukinha.

Da matemática e da filosofia (Leia mais abaixo)

Do bom humor e da ironia

Goyta de títulos, de troféus e vencedor

Da mulher, do homem, do torcedor

De criança e do aposentado

Do doutor e do descamisado (Leia mais abaixo)

Goyta da vida, da história e do amor

Do grito alto, do abraço e do louvor

Do arco e flecha, reis e plebeus

Goyta cor do céu, Goyta de deus

Arnaldo Garcia – Essa é a consequência da falta de compromisso com o clube. Os grandes alvianis perderam o interesse pelo clube. Deixaram ao Deus dará, e isso no desporto é condenação, pois ninguém consegue tocar sozinho. Este processo de desconstrução vem de longa data, e bastou um período pandêmico para aquém sabia conhecer a fragilidade de nossas agremiações esportivas. Não adianta execrar presidente ou qualquer mandatário. O problema existe, mas o combate precisa ser feito com união. E abram o olho em relação ao leilão do estádio (Leia mais abaixo)



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