Tomate barato e alho mais caro: covid-19 já impacta preço de alimentos no Rio

A variação é consequência do fechamento das fronteiras na China




25/03/2020, 18h10, Foto: Reprodução.

A pandemia de coronavírus já impacta o preço dos alimentos no Estado do Rio de Janeiro. Em um mercado de Niterói, o quilo do alho que era vendido no início de março por R$ 18,96 passou a custar R$ 26,99 nesta semana, o que representa um aumento de 42%. O preço vendido direto do produtor na Ceasa-RJ também subiu: a caixa de dez quilos vendida a R$ 150 no começo do mês sofreu acréscimo e passou a ser negociada a R$ 250 nesta quarta-feira (25).


De acordo com engenheira agrônoma e coordenadora da Divisão Técnica do Ceasa, Rozana Moreira, a variação é consequência do fechamento das fronteiras na China:


— Não estava vindo nenhum produto de lá e grande parte do alho que consumimos é importada da China. Estamos tentando abastecer o mercado com alho da Argentina, mas a demanda continua alta e o volume baixo.


Outros produtos importados também ficaram mais caros, como a maçã Fuji, o kiwi e a pêra Williams. Esta, especificamente, teve aumento considerável, saltando de R$ 70 para R$ 120/caixa. Segundo Rozana, a elevação se deu por uma razão diferente:


— Com o dólar e o euro caros, os importadores deixam de comprar esses produtos porque sabem que não vão conseguir repassar o preço para o consumidor, já que, a medida que o preço aumenta, as pessoas deixam de comprar e mudam hábitos de consumo.


Fechamento das escolas motivou baixas


Alguns produtos, porém, tiveram comportamento oposto nos preços. Exemplos são o tomate e a maçã gala. Isso porque, com o fechamento das escolas e restaurantes, a demanda diminuiu muito, enquanto a produção continua a todo vapor.


— O que foi plantado não pode esperar para ser colhido. Está vindo muita coisa para a Central de Abastecimento e o volume de compra caiu muito. A caixa do tomate vendida pelo produtor custava R$ 100 no último dia 13 e, agora, esta sendo vendida por R$ 45 — relata a engenheira agrônoma.


Rozana acredita que a tendência é que os preços continuem baixando, inclusive do alho a partir da importação da Argentina. A única hipótese para aumento dos preços seria se acontecesse restrição para cargas de alimentos, o que provocaria um cenário semelhante ao que tivemos durante a greve dos caminhoneiros.


Fonte: Extra