'Terremoto Lula' abala mercado: dólar dispara e bolsa derrete 17%

Mercado financeiro sofre os efeitos da vitória de Lula na eleição presidencial


  • 26/10/2026, 12h44, Foto: Divulgação.

Presidente Luiz Inácio Lula da SilvaCampos 24 Horas – Um dia depois da vitória do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sobre o senador Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno das eleições, o mercado financeiro vive um dia de pânico, com disparada do dólar perante o real e o derretimento do Ibovespa, principal índice da Bolsa de Valores do Brasil (B3). 

Em confirmação do movimento que já começou na madrugada desta segunda-feira, 26, com uma forte desvalorização do real em relação à moeda norte-americana no mercado futuro, o dólar chegou a disparar mais de 12% pela manhã e seguia subindo forte com o decorrer da sessão. 

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Dólar - Por volta das 11h30 (pelo horário de Brasília), a moeda dos Estados Unidos disparava 9,85% e era negociada a R$ 5,486. 

Mais cedo, pouco depois da abertura da sessão, o dólar saltou 12,25% e cravou R$ 5,604. Com isso, a moeda norte-americana bateu o nível máximo de trava de negociação da B3. 

A chamada “trava” do câmbio é uma operação usada para fixar a taxa de câmbio de uma transação futura e funciona como uma espécie de “congelamento” da taxa. 

Na cotação máxima do dia até o momento, o dólar foi vendido a R$ 5,605. A mínima é de R$ 5,425.

Na última sessão da semana passada, na sexta-feira 24, antes do segundo turno da eleição, o dólar terminou o dia em queda de 0,9% ante o real, cotado a R$ 4,993.

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Com o resultado, a moeda dos EUA acumula perdas de 3,5% em outubro e de 9,03% em 2026. 

Ibovespa - O “terremoto Lula” também está afetando o mercado de acionário brasileiro. O Ibovespa, principal indicador do desempenho das ações negociadas na B3, afundava no fim da manhã. 

Às 11h30, o índice tombava 17,13%, aos 169.956,83 pontos. 

Na pontuação máxima registrada durante o pregão até aqui, o Ibovespa marcou 205.088,73 pontos. A mínima é de 169.516,44 pontos. 

Mais cedo, a B3 acionou o chamado circuit breaker e suspendeu as negociações por 30 minutos. Trata-se um mecanismo de segurança utilizado pela bolsa de valores para suspender temporariamente as negociações quando o mercado registra quedas bruscas. Em linhas gerais, seu objetivo é conter o pânico, evitar vendas precipitadas e dar tempo para que os investidores reavaliem o cenário econômico.

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No pregão da sexta-feira 23, o Ibovespa fechou em alta de 0,47%, aos 205 mil pontos. Com o resultado, a bolsa brasileira acumula ganhos de 10,06% em outubro e de 27,28% em 2026.

Desvalorização forte do real - Já na madrugada desta segunda-feira, horas depois da confirmação da vitória de Lula, o real registrava uma forte queda de cerca de 10% perante o dólar no mercado futuro da CME, em Chicago (Estados Unidos), a maior bolsa de derivativos (futuros e opções) do mundo. 

Por volta das 3h40 (pelo horário de Brasília), o contrato com vencimento em novembro de 2026 tombava 10,09%, o que pode, em tese, levar o dólar para a faixa de R$ 5,56 na sessão desta segunda-feira. Já o contrato com vencimento em dezembro de 2026 recuava 9,79%. 

Na sexta-feira 24, o Citi divulgou um relatório feito a partir da avaliação de mais de 70 gestores de fundos de ações multimercado. Em caso de vitória de Lula, o que acabou se confirmando nas urnas, cerca de 80% dos entrevistados projetavam uma queda superior a 5% no Ibovespa, principal índice da Bolsa de Valores do Brasil (B3), no pregão desta segunda. 

Outros 7% estimavam uma desvalorização entre 1% e 5%, enquanto 3% esperavam recuo de 1% a 5% no primeiro pregão da semana. 

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Ainda de acordo com o levantamento do Citi, 63% indicavam uma possível desvalorização do real acima de 5% perante o dólar. Outros 28% apontavam uma depreciação entre 2% e 5%.

Outros índices - Na noite deste domingo, 25, ativos brasileiros negociados no exterior registravam perdas depois da confirmação do quarto mandato de Lula no Planalto.

O EWZ, fundo de índice negociado em Nova York (EUA) que reúne as maiores empresas da bolsa brasileira, tombava 18,29% no pregão noturno, a US$ 34,80, o que representava perda de US$ 7,79 em relação ao fechamento de sexta-feira.

O Next Funds Ibovespa Linked, principal fundo de índice brasileiro negociado na Bolsa de Valores de Tóquio (Japão), operava em forte baixa no pregão desta segunda-feira (pelo horário local), negociado a 288 ienes – queda de 11,8%.

Segundo analistas do mercado, é provável que o Banco Central (BC) faça uma intervenção no mercado de câmbio nesta segunda-feira, com venda de dólares à vista, com o objetivo de prover liquidez diante de uma demanda mais forte pela moeda norte-americana.  

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Por que o mercado queria Flávio - A expectativa dos agentes econômicos era que uma possível vitória de Flávio Bolsonaro na eleição presidencial mudasse os rumos da economia do país a partir de janeiro de 2027.

Os agentes de mercado esperavam que um novo governo implementasse um programa de ajuste fiscal, com a redução das despesas do governo e a diminuição do tamanho da dívida pública brasileira em relação ao Produto Interno Bruto (PIB).

O mercado financeiro também tinha grande expectativa em relação a uma agenda de reformas de um governo liberal na economia, entre as quais a reforma administrativa e uma nova etapa da previdenciária. Também havia projeções que apontavam para a redução da taxa básica de juros (Selic) pelo Banco Central (BC) diante de um possível alívio na inflação.

No segundo turno das eleições presidenciais de 2026, Lula obteve 51,79% dos votos válidos (64,2 milhões) e terminou à frente de Flávio Bolsonaro, que recebeu 48,21% (59,8 milhões).

Fonte: Revista Oeste

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