Tentativas de feminicídio aumentaram 55% no estado do Rio

Em menos de 24h, duas mulheres foram vítimas de tentativa, e uma foi encontrada morta. A suspeita é de que os ex-companheiros sejam os autores


  • 10/04/2024, 09h58, Foto: Rperodução-O Globo.

Corpo incendiado, golpes de machadinha e tiro na cabeça. Em menos de 24h, três mulheres foram vítimas de violências brutais no Rio, todas teriam sido cometidas por ex-companheiros. Uma delas foi encontrada morta em casa por parentes no último domingo, no Jacarezinho, bairro da Zona Norte onde morava. Os crimes contra Michele Pinto da Silva, de 39 anos, de Wanessa Gonçalves de Oliveira, de 37, e de Ágatha Marques, de 26, ainda não aparecem no Instituto de Segurança Pública (ISP), mas confirmam um aumento observado desde o início do ano: em relação a janeiro e fevereiro de 2023, a taxa de feminicídio cresceu 25%, enquanto a de tentativa de feminicídio 54,7%.

Nos dois primeiros meses de 2023 foram contabilizados 16 feminicídios e 53 tentativas. Agora, os números subiram para 20 e 82, respectivamente, chegando ao maior patamar da série histórica, iniciada em 2017. A Polícia Civil reforça que o estado conta com 14 delegacias especializadas no atendimento à mulher, e que, juntamente da Polícia Militar, atua no “enfrentamento da violência doméstica, familiar e de gênero”. Além disso, destaca que, em março, 819 pessoas foram presas por violência contra a mulher e que 13 mil medidas protetivas de urgência foram solicitadas em delegacias, estando a concessão delas sob decisão da Justiça. (Leia mais abaixo)

Michele Pinto da Silva Na segunda-feira (8), Michele estava na estação de trem Augusto Vasconcelos, na Zona Oeste, quando um homem se aproximou e ateou fogo no corpo dela. A mulher foi socorrida por bombeiros e levada para o hospital Municipal Rocha Faria. Segundo a Secretaria Municipal de Saúde, ela teve 90% do corpo queimado e, atualmente, está em estado gravíssimo no Hospital Municipal Pedro II.

Segundo parentes da vítima, a suspeita é de que Edmilson Félix do Nascimento, ex-companheiro dela, tenha cometido o crime por não aceitar o fim do relacionamento, que aconteceu há pouco mais de um mês. Ele fugiu logo após o crime e, segundo a Polícia Civil, teria cometido suicídio ao pular da Ponte Rio-Niterói. O corpo ainda não foi encontrado, mas, no local, foi localizado um carro abandonado que pertenceria a Edmilson.

Os dois tinham juntos uma filha de 2 anos. O caso é investigado pela 35ªDP (Campo Grande).

Wanessa Gonçalves de Oliveira Encontrada morta dentro de casa por parentes, no domingo (7), Wanessa teria sido vítima de golpes à machadinha pelo ex-namorado, a quem descreveram como "agressivo" ao G1. O casal estava junto desde o ano passado e, antes do crime, a família aponta que ambos apresentaram comportamento diferente: Wanessa com dores na cabeça, e o suspeito com a mão machucada.

O caso, que aconteceu no Jacarezinho, Zona Norte, é investigado pela Delegacia de Homicídios da Capital. Wanessa deixa três filhos. (Leia mais abaixo)

Ágatha Marques Assim como Michele, Ágatha teria sido vítima do ex-namorado devido à recusa dele em aceitar o fim do relacionamento. Segundo testemunhas, ela estava na rua, em Realengo, Zona Oeste, no domingo (7), quando o homem teria efetuado vários disparos na direção dela, acertando sua cabeça.

Ela foi socorrida por um vizinho e levada para o Hospital Municipal Albert Schweitzer. Atualmente, encontra-se em estado grave no Hospital Municipal Pedro II. O caso é investigado pela 33ªDP (Realengo).

Fonte: O Globo



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