Tensão: Escândalo do Ceperj e futuro de Castro nas mãos do TSE; Bacellar tenta se salvar e não renuncia

Estado do Rio vive momentos de tensão com julgamento de políticos envolvidos com escândalos, além de duas eleições de governador em 2026


  • 24/03/2026, 12h47, Foto: Divulgação.

Postado por Fabiano Venancio - Os meses de março e abril serão de importância capital para a reorganização das forças políticas que irão comandar o Estado nos próximos meses com a eleição de um governador para um mandato-tampão até dezembro, a escolha de um novo presidente da Assembleia Legislativa (Alerj) e um julgamento no TSE que pode colocar um fim nos planos de dois políticos responsáveis por milhares de contratações ilegais com dinheiro público. O Campos 24 Horas mostra a cronologia de eventos, que  começou nesta segunda-feira (23) com a renúncia do governador Cláudio Castro (PL) e segue nesta terça (24) com a possibilidade de sua cassação e do deputado Rodrigo Bacellar (União) pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) em razão do chamado Escândalo do Ceperp. No campo político, o Campos 24 Horas mostra as articulações e os favoritos para duas eleições de governador que vão acontecer esse ano, além do resultado de uma reunião em que 30 deputados eram aguardados, porém apenas 10 compareceram nas últimas horas.

O cálculo de Castro em renunciar ao cargo visa, em caso de cassação, escapar da inelegibilidade, o que lhe impossibilitaria de concorrer a uma cadeira no Senado, seu próximo projeto político. Com a renúncia do governador, o presidente do Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro (TJ-RJ), Ricardo Couto, assume o governo e convocará eleição indireta dentro de 30 dias para eleição de um novo governador a ser escolhido pelos 70 deputados na Assembleia Legislativa (Alerj). (Leia mais abaixo)

O vice-governador Thiago Pampolha não pode assumir porque renunciou ao cargo por uma vaga no Tribunal de Contas do Estado (TCE-RJ), enquanto o segundo da linha de sucessão, o presidente Alerj, Rodrigo Bacellar (União), está afastado do cargo por determinação do Supremo Tribunal Federal (STF) por suspeita de envolvimento com o Comando Vermelho.

Na pauta desta terça no TSE, a exemplo de Cláudio Castro, Bacellar estará também sendo julgado por abuso de poder político e econômico em razão de sua participação das irregularidades do caso Ceperj, em 2022, onde mais de R$ 470 milhões foram pagos em contratações de milhares de pessoas com pagamento em dinheiro na boca do caixa em agências bancárias.

Segundo o Ministério Público Estadual os gastos tiveram critérios meramente eleitoreiros para programas sociais e projetos que não se concretizaram na prática.

BACELLAR NÃO RENUNCIA - A tática de Bacellar, no entanto, é diferente daquela adotada por Castro. Ele descarta renunciar ao cargo de deputado pois perderia a proteção que lhe confere o mandato parlamentar.

Enquanto aguardava a decisão do TSE, Bacellar se reuniu nesta segunda-feira (23) para um almoço em sua casa de Teresópolis, onde esperava reunir pelo menos 30 deputados a fim de selar um acordo com aliados com vista a viabilizar a candidatura de Chico Machado (SD), seu fiel escudeiro, na eleição indireta para cumprir o mandato-tampão.  (Leia mais abaixo)

A chapa encabeçada por Chico conta com o apoio dos prefeitos do Rio, Eduardo Paes (PSD), e de Maricá, Washington Quaquá (PT). No entanto, segundo o portal Agenda do Poder, o parlamentar campista só conseguiu reunir entre 10 e 13 deputados na serra fluminense, bem longe do quantitativo de 70 parlamentares que compõem a Alerj.

Porém, o grupo de oposição na Alerj conta ainda com a capacidade de articulação do ex-presidente da Casa, André Ceciliano (PT), que também exerce influência sobre muitos deputados. Convém lembrar que Bacellar foi eleito presidente da Assembleia com quase unanimidade dos votos, inclusive da partidos de esquerda.  

O grupo governista defende a candidatura do presidente interino da Alerj, Guilherme Delaroli (PL), irmão do prefeito de Itaboraí, Marcelo Delaroli (PL), enquanto apostará suas fichas no deputado Douglas Ruas (PL), secretário estadual de Cidades, para a disputa do Palácio Guanabara na eleição direta de outubro.

Coincidentemente, Guilherme Delaroli e Ruas tem a mesma base eleitoral nos municípios de São Gonçalo e Itaboraí.

Enquanto isso, com a disputa do governo-tampão por Guilherme Delaroli, a movimentação para a eleição para a Alerj também agita o Palácio Tiradentes. Com o apoio de Paes, o deputado Rosenverg Reis (MDB) já se articula para obter os votos dos parlamentares. (Leia mais abaixo)

RITO PARA A ELEIÇÃO INDIRETA - A partir da vacância, a engrenagem da eleição indireta começa a correr. A Constituição do Estado do Rio determina que, nos dois últimos anos do mandato, a escolha do novo governador e do vice seja feita pela Alerj trinta dias depois da última vaga. Já a Lei Complementar 229/2026, sancionada neste mês, fixa que o edital de convocação deve ser publicado em até 48 horas após a dupla vacância.

Na prática, o calendário fica assim. Com a renúncia de Cláudio Castro, a convocação da eleição indireta terá de sair ainda esta semana. A votação, seguindo a regra dos 30 dias após a última vaga, deve acontecer em 22 de abril, uma quarta-feira. A posse da chapa eleita terá de ocorrer em até 48 horas após a proclamação do resultado, o que empurra esse passo final para até 24 de abril.

Depois da publicação do edital, as chapas terão cinco dias úteis para se inscrever. Encerrado esse prazo, a Mesa Diretora da Alerj tem até 24 horas para divulgar a lista dos candidatos. A partir daí, abre-se uma janela de 48 horas para impugnações, mais 48 horas para defesa e outras 48 horas para decisão da CCJ da Casa.

 



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