Tem doutor na agricultura do município de Campos e, em consequência, tem gente que produz e sabe desenvolver o interior e proporcionar, principalmente, ao pequeno e médio produtor, melhores condições de vida. Fixar o homem no campo, em meio a tantas “tentações” de uma cidade grande, não é tarefa fácil e para isso ele tem que ter produtividade e lucro. E todo esse trabalho requer dedicação, levando-se em conta que Campos conta com mais de 220 mil quilômetros de hectares agrícola, considerado o maior do
Estado, com pelo menos um produtor rural em cada canto do município.
E em se tratando de interior, Campos é grande em tudo. Para se ter uma idéia, tem a maior concentração de assentamentos, totalizando 16, todos reconhecidos pelo Incra. Para ser considerado pequeno produtor, a pessoa tem que ter até 48 hectares e a renda tem que sair da propriedade e aqui são mais de dois mil com a carteira de agricultor familiar, número que poderá chegar até 5 mil mais adiante. E são cerca de 8 mil estruturas fundiárias (propriedades rurais), sendo mais de 90% de pequenos produtores. (Leia mais abaixo)
Quem conhece bem essa realidade é o doutor em Agronomia na área de Fitotecnia e, também, engenheiro agrônomo, Luiz Eduardo de Campos Crespo, atual secretário municipal de Agricultura e, ainda, servidor público da Universidade Estadual do Norte Fluminense (Uenf). Além dessa bagagem, Eduardo Crespo também adquiriu conhecimentos na prática, como presidente da Associação Norte Fluminense dos Plantadores de Cana (Asflucan), cargo que ocupa há anos. Além do campo, outra vocação do secretário de Agricultura é a política, sendo atualmente suplente.
Campos 24 Horas– Diante de um município com um interior de dimensões grandes, como trabalhar essa extensão de forma proporcional?
Eduardo Crespo– O governo Rosinha foi muito cuidadoso neste sentido e lançou Agências de Desenvolvimento Regional (ADRs), uma forma administrativa de criar territórios homogêneos para que as ações da secretaria fossem melhor realizadas, considerando essa grande extensão territorial. Imagina um município com mais de 4 mil quilômetros quadrados e em cada canto, pelo menos, um pequeno produtor? As ADRs foram divididas em sete, como se fossem distritos rurais e, assim, se traça a política de trabalho, respeitando as vocações de cada um destes.
C24H– Sim, mas na prática, como funciona?
Eduardo– Veja bem. Para a disponibilização de máquinas para o interior, por exemplo, fizemos pregão para cada ADR, ou seja, foram sete contratos, ficando fácil para a empresa que vai prestar o serviço naquele território. E todos os serviços oferecidos nos territórios são por unidade. (Leia mais abaixo)
C24H– E quantos aos assentamentos? Parece que a cada dia aparece um...
Eduardo– Não, temos hoje 16 e todos são reconhecidos pelo Incra. E temos neles políticas e ações para o público da agricultura familiar, porque nos assentamentos é onde concentra mais produtor desta natureza. E os assentamentos são um desafio para o Governo, porque temos que mudar a política de desenvolvimento que o Incra vem sustentando. Tem que ser uma política com interface tecnológica, na base do não produzir só para a subsistência, mas oferecendo mais para o produtor realizar.
C24H– Mas na prática, como vai funcionar e o que está sendo feito para isso?
Eduardo– Como já falei, com ações integradas com outras secretarias, além de universidades, Emater, Incra e outros órgãos afins. Criamos a partir daí, o projeto chamado Café com Prosa, que é uma reunião de trabalho com todos esses órgãos que já citei e outros, discutindo com os produtores da agricultura familiar o que cada um precisa para, por exemplo, se tornar fornecedor dos programas governamentais. E para isso eles têm que ter uma série de certificações, tem que estar organizado.
C24H– Mas aí está o problema, porque a maioria não tem essa organização exigida. Não é? (Leia mais abaixo)
Eduardo– Sim, mas esse é o trabalho que estamos promovendo, construindo junto com os produtores, levando informações sobre os programas, o que eles precisam para aderir e ouvindo suas dificuldades e de que forma querem resolvê-las. Tudo de forma integrada, criando oportunidade para acesso a crédito junto ao Fundecan, convênio com a Uenf e Universidade Rural, cursos do Pronatec e por aí vai. Estaremos identificando cadeias produtivas como projeto piloto, em atividades ligadas ao frango, horta, leite e agroindústria de modo geral. Já são mais de dois mil e seiscentos produtores cadastrados.
C24H– Fale um pouco de cada atividade citada...
Eduardo– No que diz respeito ao frango, já avançamos bem e a expectativa é de introduzir uma cadeia organizada de pequenos produtores de corte. O primeiro passo foi identificar uma unidade mínima para aprendizagem, com criação de uma mini granja, que nada mais é do que um equipamento para instalar na propriedade do pequeno produtor para que ele dê início a criação. E tudo acompanhado por técnicos do programa. Já foram compradas as primeiras 10 mini granjas (kit). Uma dificuldade é a ração e o produtor vai aptrender também. Campos já tem abatedouro certificado para isso, que hoje compra frango do Espírito Santo e, depois deste investimento, poderá comprar os daqui.
C24H– E sobre as horas?
Eduardo– Nosso desafio é transformar o programa de hortas, o maior programa de agricultura urbana do Estado, hoje contando com 140, em atividade rentável e não só de inclusão social, mas também de renda. Estamos trabalhando com o Sebrae em processo de capacitação e seleção do perfil e apresentando casos de sucesso. Para isso tem que se investir em tecnologia, planejar e se organizar para o mercado. Tem que se ter produto de qualidade e com continuidade. (Leia mais abaixo)
C24H– E sobre o leite, é mesma coisa?
Eduardo– Olha, Campos é o maior produtor de leite do Estado, com cerca de mil e quinhentos pequenos produtores, a maioria pecuária de corte. Inicialmente vamos identificar 300 produtores de leite, que vão receber capacitação em parceria com o Sebrae. Eles vão construir um projeto com as técnicas adquiridas e ver quantos meses precisam para triplicar a produção. Através de emenda do deputado Garotinho, conseguimos adquirir equipamento, o kit leite, que é um container com tanque de resfriamento, para ser locado nas ADRs. Ele é semi móvel e pode ser deslocado de um território para outro. E neste contexto, capacitamos agentes de crédito para fazer acontecer os financiamentos, através das linhas oferecidas pelo Banco do Brasil e Caixa, que podem ser equilizadas pelo Fundecan.
C24H– Mas existe uma reclamação geral por causa de máquinas no campo...
Eduardo– Criamos o programa Patrulha Rural, com três vertentes: preparo do solo, recursos hídricos e logística. Isso com o desafio de criar planejamento para que as máquinas atendam os anseios dos produtores no momento adequado, agregando a parte do solo, semeadura e outros. Na drenagem temos demanda significativa de limpeza de valão, bebedouros e outros.
C24H– Para terminar, não posso deixar de falar em política com um também suplente de vereador. E as pretensões? (Leia mais abaixo)
Eduardo– Olha, para deputado não tenho pretensão política nenhuma, porque estou com essa missão no governo municipal e, também, não vejo sinalização para candidatura. Mas tenho sim, pretensões políticas, sou um homem entusiasmado pela política, o que acho natural e espontânea pelo perfil do grupo que faço parte ____________________________________ Postado por Fabiano Venancio