Taxistas e motoristas do Uber deflagram disputa por passageiros em Campos

Entenda a disputa entre taxistas e Uber, que é um aplicatico com cobranças das corridas no cartão de crédito


10/12/2016   09h13 (atualização às 20h35)   |   Foto: Campos 24 Horas e Divulgação taxi-sao-salvador-2Da Redação do Campos 24 Horas A exemplo do que ocorre em outras cidades brasileiras, a disputa está instalada em Campos entre os taxistas e o aplicativo Uber no transporte de passageiros. No início do mês, representantes da corporação norte-americana se hospedaram num hotel da cidade para fazer o cadastramento dos interessados. Os taxistas reagiram com uma manifestação visando barrar a concorrência. Na última quarta-feira, os profissionais dos chamados “carros de praça” se reuniram com o vereador José Carlos Monteiro (PSDC) e participaram de uma audiência publica no plenário da Câmara de Vereadores. José Carlos apresentou um projeto de lei semelhante ao que foi apresentado do Rio para barrar a entrada do Uber em Campos. O presidente da Câmara, vereador Edson Batista (PTB) se comprometeu a incluir o projeto na pauta da sessão da próxima terça-feira, a fim de que o serviço do Uber tenha uma regulamentação no município, além de fiscalização. Durante a audiência pública, os representantes dos taxistas qualificaram o Uber de “transporte clandestino e pirataria”, entre outros adjetivos. — Tenho certeza que esta Câmara não irá nos desamparar. A mídia tem elogiado o Uber como progresso, mas considero como um retrocesso porque eles não pagam impostos, tributos e taxas como nós, taxistas. Até podem cobrar preço mais barato por uma corrida como prometem porque não tem alvará, nem pagam impostos municipais, estaduais e federais como nós. Nem podem oferecer um transporte seguro e confiável como eles anunciam”, —afirmou Eduardo Augusto Costa, presidente da Associação dos Taxistas de Campos. jose-carlos-vereador-e-taxistasO vereador José Carlos questionou a segurança do serviço através do aplicativo. — O taxista tem residência fixa, é cadastrado no IMTT (Instituto Municipal de Transporte e Trânsito). Em caso de acidente com um desses veículos do Uber, quem irá ser responsabilizar? Como ficará o passageiro? — indagou o vereador. Para Eduardo, a grande mídia tem feito a defesa do Uber com a participação de profissionais que amanhã poderão sofrer o mesmo tipo de concorrência desleal. — Se hoje os taxistas são as vítimas, amanhã serão jornalistas e radialistas da mídia que irão sofrer a invasão de estranhos em seu meio para ocupar as vagas dos verdadeiros profissionais — raciocinou. O presidente do Sindicato dos Taxistas de Campos, Marcelo Vivório, destacou a necessidade de se respeitar a categoria e a lei que regulamentou a profissão de taxista. — Tudo isso vem desde quando o profissional era chamado de “chofér de praça”, passando pela instalação do bigorrilho, a padronização dos veículos e a regulamentação da profissão — lembrou Vivório, que ressaltou a existência de um mercado de trabalho que sustenta cerca de 3 mil profissionais em Campos entre os taxistas e outros profissionais. "PAGAMOS IMPOSTOS" - Taxista mais antigo de Campos,  Zezinho que tem ponto na Avenida Sete de Setembro, com 56 anos de profissão, disse que não tem outra profissão. — Esse pessoal que vem de fora não vive desta nossa profissão. São estranhos ao nosso meio. Nós pagamos nossos impostos, contribuímos com os cofres públicos. Tenho muito orgulho de ser taxista — rejubila-se Zezinho. O Uber disponível em Campos aceita qualquer modelo de carro com fabricação de 2008 em diante, desde que tenha quatro portas, cinco lugares e ar condicionado. Entre os usuários, a recepção ao aplicativo tem sido boa, na medida em que a concorrência só tende a melhorar o serviço de transporte. — O Uber não vai acabar com os taxis. A concorrência fará bem ao mercado e ao consumidor. E ela, diferente do que todos imaginam, não é desleal. A população é quem ganha com a chegada de outra opção. Os taxistas darão um upgrade em seus serviços, o que será bom para os dois lados. Lutar contra isso não é inteligente porque há, sim, lugar para todos. Se as lotadas estão aí com um serviço de qualidade duvidosa e ninguém reclama, por que reclamar do Uber? Tenho vários amigos taxistas que certamente saberão explorar suas qualidades e apresentarão um serviço ainda melhor — comentou o jornalista Cássio Peixoto, através das redes sociais. uberENTENDA MELHOR A QUESTÃO – “Uber” é o nome do aplicativo. Você se cadastra pelo celular e as cobranças das corridas vêm direto no cartão de crédito. O Uber acelera sua expansão pelo Brasil na lacuna deixada pelo Plano Nacional de Mobilidade Urbana, publicado em 2012. A diretriz regulamenta o transporte publico de passageiros e o transporte privado coletivo — mas não falta nada sobre transporte de poucas pessoas feito por motoristas particulares, justamente onde entra o Uber. É esse o entendimento de advogados e especialistas ouvidos pelo CAMPOS 24 HORAS. A empresa reconhece que atua sem que haja a regulamentação da atividade em diversos municípios como é o caso de Campos. — A Uber opera no Brasil amparada pela lei federal 12.587/2012, referente à Politica Nacional de Mobilidade Urbana. Em municípios onde o serviço foi proibido pela Câmara de Vereadores ou pelo executivo (casos de Florianópolis e Rio de Janeiro) obteve sentenças liminares (provisórias) na Justiça. — Somos uma empresa de tecnologia. Os motoristas trabalham de acordo com sua vontade e necessidade. Muitos se utilizam do Uber para complementar a renda. Eles não têm a obrigação de trabalhar jornada fixa por dia. Estamos dispostos a ajudar na construção de regulamentação com a prefeitura e o Legislativo. O importante é dar o direito de escolha aos consumidores — argumenta a empresa, via assessoria de imprensa. Na Câmara dos Deputados, um grupo de trabalho que analisa o projeto de lei (PL 5587/16) sobre a regulamentação de plataformas digitais para o transporte de passageiros quer aprovar em Plenário, já nesta semana, a urgência para a votação da matéria. Segundo um dos autores do projeto e coordenador do grupo de trabalho, deputado Carlos Zarattini (PT/SP), o objetivo é garantir que o serviço prestado por plataformas como o Uber, Cabify, 99 e outras em atuação no mercado seja de qualidade e fiscalizado pelo poder público. O deputado descartou prejuízos para os serviços. "Ninguém quer acabar com essas plataformas digitais, ao contrário do que está se falando. O que nós pretendemos, exclusivamente, é regulamentar e permitir maior segurança para o usuário. Esse projeto permite que o Uber possa funcionar, funcionar dentro de uma legislação que, evidentemente, vai ser boa para o usuário".  



fique bem informado