12/07/2015 - às 10h55 - Foto: Divulgação

Não bastassem as dificuldades comuns para alcançar o primeiro emprego, o jovem está precisando de bastante iniciativa e criatividade para encarar sua primeira crise econômica, apontam especialistas. De acordo com a última Pesquisa Mensal de Emprego, feita pelo IBGE, o total de jovens que procuram emprego com idades entre 18 e 24 anos apresentou intenso crescimento na comparação com trabalhadores de outras faixas etárias.
A taxa de desocupação entre esses jovens cresceu de 12,3%, em maio de 2014, para 16,4%, em maio deste ano, com uma variação bem maior do que o indicador de desemprego total do país. Para se ter uma ideia, de acordo com o IBGE, o desemprego no país, incluindo brasileiros de todas as idades, bateu em maio 10 pontos percentuais abaixo do indicador para os jovens.
Para Carlos Eduardo Pereira, psicólogo e consultor de carreiras do Bê-á-bá do RH, o fato do jovem de hoje não estar preparado para encarar o mercado de trabalho contribui também para esse cenário. Ele aponta que os que têm mais iniciativa estão partindo para o próprio negócio.
“Quem tem formação em novas tecnologia tem esse perfil, sabe que é um mercado que não sofre tanto em uma crise econômica e que apostar neste setor é o primeiro passo para empresas que pensam em investir em otimização de processos”, comenta Pereira.
Mariana Torres, gerente de desenvolvimento de carreiras do Senac Rio, diz que atividades voluntárias em geral e cursos extras de aperfeiçoamento são interessantes para quem está desempregado. “Mesmo as vagas de trabalho temporário não podem ser descartadas, pois um trabalho bem executado agrega valor àquele funcionário e deixa portas abertas para uma futura oportunidade”, aponta a especialista.
Atividade informal vira alternativa
A Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua, outro levantamento do IBGE que acompanha as tendências do mercado de trabalho, também mostra que o cenário não é nada favorável ao trabalhador.
A taxa de desemprego nos últimos três meses, até maio, subiu para 8,1%. É a maior da série histórica desse outro indicador, que começou em 2012. No mesmo período em 2014, a taxa era de 7%. Para Cimar Azeredo, coordenador de Trabalho e Rendimento do IBGE, o índice de desocupação cresceu porque houve aumento na procura por empregos.
“O número de vagas oferecidas no mercado não acompanha esse aumento. O mercado fica pressionado. Há procura e não há vagas”, comenta Azeredo.
Segundo o coordenador, esse movimento de desocupação leva o trabalhador a duas opções: continuar a busca por um novo emprego ou seguir para o próprio negócio. Azeredo afirma que com isso aumenta o número da informalidade.