Impacto de tarifaço em Campos e outros municípios do Norte Fluminense

Petróleo, açúcar e etanol: Campos 24 Horas detalha, em entrevista com o economista Ranulfo Vidigal, como tarifaço vai mexer na economia dos municípios fluminenses


  • Atualização em 13/07/2025, 11h27, Foto: Campos 24 Horas.

Postado por Fabiano Venancio - O tarifaço de 50% que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, impôs às exportações brasileiras vai impactar a economia de Campos e do Norte Fluminense, a partir da depreciação de preços de três comodities produzidas na região, casos do petróleo, açúcar e etanol. O economista Ranulfo Vidigal, diretor de Indicadores Econômicos da Secretaria Municipal de Desenvolvimento Econômico detalha ao Campos 24 Horas os impactos na economia local e regional.

O petróleo é um dos produtos mais importantes da pauta de exportações para o país norte-americano, embora a China seja hoje o maior comprador desta fonte de energia. De acordo com  Ranulfo Vidigal, os reflexos imediatos se farão sentir nas receitas dos royalties para as prefeituras, que já registraram redução de valores nos últimos repasses em função de diversas variáveis. (Leia mais abaixo)

Os municípios tiveram redução média de 10% nos repasses no primeiro semestre deste ano.
O açúcar também é outro produto regional a ser também afetado, lembra o economista Ranulfo Vidigal, diretor de Indicadores Econômicos da Secretaria de Desenvolvimento Econômico de Campos. 
 
"Assim como o petróleo, o açúcar é outro produto de exportação para os EUA. O mais preocupante é a perspectiva de uma recessão internacional que afetará a demanda por açúcar, produto genuinamente campista, atrapalhando a próxima safra", avalia.
 
Quanto ao etanol, avalia Ranulfo, o tarifaço pode ser compensado com o aumento da demanda interna. "A demanda por etanol tende a subir no curto prazo com essa nova política de aumento de proporção do produto à gasolina para tentar estabilizar os preços do combustível. Esta safra está, portanto,  favorecida por isso. A outra, provavelmente, também", comentou ainda Ranulfo.
 
O Brasil exportou, no ano passado, 309 milhões de litros de etanol para os Estados Unidos. "Estes horizontes se avizinham justamente num momento em que a economia do Norte Fluminense registra um bom momento, com um saldo positivo de 8 mil empregos gerados só este ano. E estes segmentos são muito importantes na absorção de mão-de-obra local", finalizou o economista.
Além do petróleo, o Estado do Rio conta ainda com a siderurgia com outro setor exportador que será fortemente afetado com o aumento das tarifas.
 
Em São Paulo, além das exportações de laranja, açúcar e etanol, a grande outra preocupação é com a Embraer, que tem os Estados Unidos como grande comprador de suas aeronaves comerciais.
Outros exportadores importantes são Minas Gerais, Paraná e Rio Grande do Sul, além do Centro-Oeste, com grande produção açúcar, café, carne, soja e grãos. 
 



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