Tabagismo causa 8 milhões de mortes todos os anos, diz OMS

Desse total, em torno de 7 milhões de mortes são resultado do hábito de fumar e 1,2 milhão é composto por um grupo de não fumantes expostos passivamente à fumaça do cigarro


  • 12/06/2021, 00h20, Foto: Reprodução.

Não é novidade que o hábito de fumar é prejudicial: dados da OMS (Organização Mundial da Saúde) indicam que o uso do cigarro mata mais de 8 milhões de pessoas por ano no mundo todo. Desse total, em torno de 7 milhões de mortes são resultado do hábito de fumar e 1,2 milhão é composto por um grupo de não fumantes expostos passivamente à fumaça do cigarro.

Não faltam também estudos para explicar a razão das mortes: são dados e mais dados comprovando que o tabaco é responsável direto pelo desenvolvimento de inúmeras doenças como câncer, infarto, AVC, doenças cardiovasculares, DPOC (doença pulmonar obstrutiva crônica) e fibrose pulmonar, entre outras. (Leia mais abaixo)

Para se ter uma ideia, estima-se que 90% dos casos de câncer de pulmão no Brasil são provocados pelo hábito de fumar cigarro. Atualmente, esse tipo de tumor é considerado um dos mais letais entre homens e mulheres, chegando a atingir uma taxa de mortalidade de 13% e 11%, respectivamente.

Outros tipos de câncer também podem ser desenvolvidos por fumantes como o de bexiga, cabeça e pescoço e pâncreas.

"As substâncias cancerígenas presentes no cigarro provocam mutações celulares muitas vezes permanentes", explica o médico patologista Felipe D'Almeida Costa, diretor de Ensino da SBP (Sociedade Brasileira de Patologia), titular da anatomia patológica do A.C.Camargo Cancer Center, em SP, e coordenador médico de educação da patologia da Dasa.

"Esse processo agressivo e cumulativo excede a capacidade do DNA de reparar a célula, que passa a se multiplicar de maneira desordenada, desenvolvendo câncer", diz o especialista.

No caso do tumor de pulmão, um dos grandes problemas é a demora em buscar ajuda —o que faz com que o paciente já chegue ao consultório com a doença em fase avançada. (Leia mais abaixo)

"Em geral, o fumante não associa os sintomas de tosse, pigarro e secreção a um possível problema de saúde e não procura o médico", diz Alexandre Ferreira Oliveira, cirurgião oncológico e presidente da SBCO (Sociedade Brasileira de Cirurgia Oncológica). "O desenvolvimento de um tumor no pulmão é silencioso, sintomas mais graves acontecem apenas quando o órgão já está muito comprometido pela doença", afirma.

Outras complicações O uso do cigarro ainda torna o indivíduo vulnerável a outras infecções. Alguns estudos recentes já mostram que usuários de tabaco têm 34% mais chances de contrair doenças provocadas por vírus da família influenza e pelo coronavírus.

"A fumaça e as toxinas do cigarro ainda possuem efeito imunossupressor, ou seja, são responsáveis por uma maior vulnerabilidade a infecções por vírus e bactérias", explica Clarissa Mathias, presidente da SBOC (Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica).

Segundo ela, o uso do tabaco ainda provoca inflamações nos pulmões. "Isso também é um fator de risco para complicações e agravamento da covid-19", alerta a especialista.

Tabagismo é uma doença? Sim. Considerado uma enfermidade complexa, o vício em tabaco pode ter como principal fator a dependência química da nicotina, geralmente medida em uma escala de 0 a 10 por meio do Teste de Fagerström, baseado em um questionário sobre o hábito de fumar. (Leia mais abaixo)

Em alguns casos, a dependência de nicotina pode até ser baixa, mas a dependência psicológica é forte e está ligada à ansiedade —que também precisa ser tratada, muitas vezes antes do início do tratamento medicamentoso.

O cigarro ainda é composto por mais de 40 substâncias —além da nicotina, outra substância prejudicial é o alcatrão.

Tem tratamento? Sim. Atualmente, o tratamento farmacológico pode ser baseado em três medicamentos, que podem ou não ser combinados, dependendo da avaliação do especialista em cada caso: terapia de reposição de nicotina; uso da bupropiona, um antidepressivo; e vareniclina, medicamento que age no receptor da nicotina, reduzindo o desejo de fumar e os sintomas da abstinência.

Há inúmeros gatilhos mentais que podem levar o indíviduo a acender um cigarro —como uma determinada comida ou um momento específico do dia. Isso precisa ser observado para que o paciente possa romper o padrão e substituir a ação por uma atividade prazerosa.

"A vontade de fumar que surge como escape de uma situação psicológica pode ser respondida com a ingestão, por exemplo, de um copo d'água, o consumo de uma bala, uma caminhada ou corrida", afirma Felipe Marques da Costa, pneumologista da BP - A Beneficência Portuguesa de São Paulo. (Leia mais abaixo)

Mas os médicos também dão atenção especial a essa substituição, já que muitos pacientes substituem a vontade de fumar pela comida —ocasionando um aumento de peso na pessoa.

Ansiolíticos e antidepressivos também são medicamentos que de fato abrem o apetite e precisam ser tomados apenas com orientação e supervisão especializada.

Por isso, é importante que o tratamento seja multifatorial, com médicos e psicólogos montando estratégias individualizadas para evitar impactos indesejados do tratamento, como o ganho de peso.

O tratamento para tabagismo pode ser feito na rede privada e também de forma gratuita no SUS (Sistema Único de Saúde). Informações podem ser obtidas através do 136.

Novos produtos, velhos problemas Quando falamos em tabagismo, a imagem clássica que vem à mente é de alguém com o cigarro na mão. Mas, em tempos modernos, esse cigarro também acabou virando um device. (Leia mais abaixo)

Os cigarros eletrônicos (ou dispositivos eletrônicos para fumar, como são chamados) são uma forma de atrair o público mais jovem para o vício, com uma roupagem moderna e tecnológica de um produto que faz tão mal quanto seus "primos" de papel.

Para se ter uma ideia, dados recentes da Pesquisa Nacional de Saúde mostram que o uso dos derivados de tabaco (cigarros e outros produtos do tabaco) diminuiu em todas as faixas etárias nos últimos anos, exceto entre os mais jovens (18 a 29), em que a prevalência permanece a mesma.

"Isso pode ser decorrente justamente dos novos dispositivos do tabaco que estão sendo inseridos na população mais jovem", avalia Luciana Vasconcelos Sardinha, assessora técnica de epidemiologia e saúde pública da Vital Strategies, uma organização global de saúde pública.

Até o dia de hoje, a comercialização, a importação e a propaganda dos cigarros eletrônicos permanecem proibidas no Brasil. Mas a indústria do tabaco faz pressão para isso mudar, alegando que o e-cigarro funciona como auxílio àqueles que desejam parar de fumar e que são menos danosos, o que não é verdade.

Pensando nisso, a Fundação do Câncer, em parceria com a Aliança para o Controle do Tabaco e a Associação Médica Brasileira, elaboraram uma cartilha (que pode ser baixada clicando aqui) com informações importantes para chamar a atenção dos jovens sobre o perigo do uso desses dispositivos. (Leia mais abaixo)

Para o epidemiogista Alfredo Scaff, consultor médico da Fundação do Câncer, tratar de um assunto como a dependência do tabaco de forma natural ajuda a sociedade. "É algo que está em nosso cotidiano e que muita gente não vê como dependência química, mas é", ressalta.

Fonte: Viva Bem



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