
A superintendente Lúcia Talabi e a diretora de pesquisa Simone Pedro, da superintendência de Igualdade Racial, ministraram uma palestra na tarde desta quarta-feira (10) no evento “Liceu: da escuridão da Senzala à Busca pela Igualdade Social”, no Liceu de Humanidades de Campos. Diversas figuras envolvidas com causas relacionadas à busca pela igualdade social participaram do projeto proporcionando uma aula diferente para os jovens.
O evento começou no turno da manhã com contação de histórias com o Grupo Oficina de Textos Terra da Alegria (Gotta), da Escola Municipal Sebastiana Machado. Alunos do 6º e 7º Ano do Ensino Fundamental acompanharam a apresentação do grupo coordenado por Ana Lúcia de Sousa. Durante a tarde, os alunos do 1º Ano do Ensino Médio participaram do ciclo de palestras, onde figuras representativas do movimento negro e da luta pela igualdade social se dividiram entre as salas de aula do prédio que abrigou a senzala do casarão do Barão e da Baronesa da Lagoa Dourada.
— Eu sou negra, Simone Pedro é negra, mas nós não somos descendentes de escravos. Somos descendentes do povo africano, que teve impérios, riquezas e também guerras. Parte desse povo veio para cá na condição de escravo, mas isso nunca foi aceito ou desejado por eles. Quando dizemos que somos descendentes de escravos já começamos a discriminação, o menosprezo, a ideia de subordinação — conta Lúcia Talabi.
Quando o assunto na conversa era miscigenação, Simone Pedro indagou a turma: “Quem aqui é mestiço?”. Com a surpresa de ninguém se manifestar, foi explicado aos jovens que a miscigenação no Brasil começou desde que os portugueses puseram os pés nestas terras. “É importante lembrar que mesmo os portugueses já eram mestiços porque sofreram dominação moura e isso ninguém comenta”, frisou Simone.
Também ministraram palestras no Liceu, a coordenadora do projeto Roda de Conversa Arte e Prosa, Aparecida Cardoso Chagas; o professor de capoeira Gilberto Totinho; a integrante do grupo EncresCampos, Jheniffer Almeida, e o coordenador do Núcleo de Estudos Afro-brasileiros e Indígenas (Neabi), Sérgio Risso. O evento terminou com apresentação do músico João Damásio.
O evento desta quarta-feira aconteceu na semana da escravidão no Brasil, que aconteceu em 13 de maio de 1888. Durante o ano, outras realizações serão postas em prática na centenária escola estadual, culminando no aniversário da escola no mês de novembro.
Fonte: Comunicação PMCG