Transformar os recursos dos municípios em riquezas, através do conhecimento, com construção de uma modelagem para o desenvolvimento com prioridade no aumento de produtividade, tendo como base a articulação das cadeias produtivas com o setor e público e a academia. Em síntese é este o objetivo das metas do Núcleo de Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (Nuperj), que acaba de realizar um seminário, no auditório do prédio P5 da Universidade Estadual do Norte Fluminense (Uenf), conforme mostramos nesta publicação do Campos 24 Horas.
De acordo com o economista Alcimar Chagas Ribeiro, “o objetivo foi apresentar à comunidade interna da Uenf os objetivos e metas do Núcleo, dentre os quais está a elaboração de uma modelagem econômica para o desenvolvimento da região e do Estado do Rio de Janeiro como um todo, bem como envolver outros pesquisadores neste trabalho”. (Leia mais abaixo)
Alcimar Chagas que coordena o projeto, disse que, embora o Nuperj tenha começado a existir em 2019, só agora foi possível oficializá-lo como um projeto de extensão, com apoio financeiro da Faperj. Agora com o apoio de nove bolsistas de extensão, o Nuperj — que até então se dedicava mais à análise da conjuntura econômica do estado, produzindo boletins mensais — está centrando esforços num trabalho conjunto visando algo mais prático.
“Tivemos a felicidade de poder nos aproximar do Comitê do Baixo Paraíba do Sul, que tem trabalhos muito importantes. Partimos do diagnóstico do Comitê para começar a modelar algo para o estado. Quando se fala na economia do Estado só se pensa na capital e região metropolitana. Mas o interior do estado tem uma riqueza de recursos potencialmente importantes. O Nuperj vem atuar nesse sentido. A Universidade tem que estar à frente dessa história”, afirmou.
Alcimar ressaltou que não bastam recursos para mudar a realidade econômica do interior do estado. “Os recursos precisam ser transformados em riqueza, e aí é que está a importância do conhecimento. A ideia é pensar uma modelagem para o desenvolvimento, ou seja, como multiplicar, ampliar uma condição de baixa produtividade ou produtividade inexistente em algo que possamos considerar como riqueza. Se nós conseguirmos isso estaremos diminuindo a desigualdade e contribuindo para o bem-estar da comunidade”, disse.
O reitor da Uenf, Raul Palacio, disse que o Nuperj é um dos projetos que vêm sendo apoiados pela Reitoria. “Nos incomoda muito que, quando se discute o Rio de Janeiro, só se pense na capital, na região metropolitana e na Baixada. O resto do estado está fora de todo esse processo. É importante um projeto como este para a gente poder apresentar alternativas para o desenvolvimento, crescimento e utilização do dinheiro que é muitas vezes mal utilizado. A região recebe royalties há muito tempo e o efeito disso é muito pouco”, disse.
O economista do Nuperj, José Alves Neto apresentou informações de pesquisas feitas sobre a economia fluminense. Uma delas, do economista Mauro Osório, diz que os problemas econômicos do estado começaram com a saída da capital federal do Rio para Brasília. “De 1970 a 2017, o Rio encolheu quase 40% do PIB”, disse. (Leia mais abaixo)
Em contrapartida, os royalties do petróleo não foram suficientes para que houvesse um efetivo desenvolvimento econômico dos municípios produtores. De 1999 a 2021 os royalties propiciaram um fluxo de R$ 116 bilhões na região. Só o município de Campos dos Goytacazes ficou com 27% desse total de recursos.
“A questão é que os municípios que produzem petróleo, como Campos, São João da Barra e Macaé, não controlam essa riqueza. A única coisa que eles auferem é a renda do petróleo. E a única certeza que temos é que um dia essa renda faltará. Hoje a Bacia de Campos, com meio século de produção, está em uma curva negativa”, disse.
Segundo José Alves, um fato que prejudica o estado do Rio é o não cumprimento da Lei Kandir. “Com esta lei, os estados isentam de ICMS as exportações, e a União ficou de fazer a compensação financeira, só que não fez até hoje. São receitas que deixam de entrar no caixa do Rio de Janeiro. Então a União possui um imenso passivo com o Estado no que tange ao cumprimento da Lei Kandir”, disse.