05/09/2015
Suledil Bernardino_______________
(*)Secretário de Controle Orçamentário e Auditoria
Quem acompanhou o noticiário econômico desta semana, viu que a indústria do boato quase derrubou o ministro da Fazenda, Joaquim Levy. A presidente Dilma, que anda mal de popularidade, agiu rápido reunindo a equipe econômica e coube aos demais ministros darem entrevistas desfazendo os rumores e referendando a permanência do ministro. Por ser ele um personagem ligado ao setor financeiro, o governo temeu a explosão da cotação do dólar perante a moeda brasileira.
Alguns setores da sociedade mais conservadoras já se manifestaram pedindo a saída do ministro, como foi o caso da Fiesp, no final de agosto, que chegou a emitir uma nota deixando claro o descontentamento quanto à política econômica adotada por Levy. Os partidos de esquerda têm se manifestado, permanentemente, contrários à política econômica adotada pela presidenta Dilma, porém, o governo acredita no velho ditado “Ruim com ele, pior sem ele”.
O que o governo quer, neste momento, é manter a tranquilidade do setor financeiro, que vem garantindo a rolagem da dívida brasileira que já ultrapassou a casa dos R$ 2,5 trilhões, ou seja, quanto maiores as taxas de juros, mais cresce a dívida brasileira e mais dificuldades têm o governo em gerar superávit primário. Se por um lado, inibir o crédito para o consumo pode ser um instrumento de contenção de crescimento da inflação, por outro lado, o governo arrecada cada vez menos, em função da crise que se instalou no país, aumentando cada vez mais a necessidade de recorrer ao mercado para rolar a sua dívida.
Enquanto isso, os banqueiros continuam sorrindo, tendo lucros astronômicos; os empresários gemendo porque estão passando por dificuldades decorrentes da queda de consumo... E o povo trabalhador chorando porque vem perdendo seu emprego. Infelizmente, cumpre-se o velho ditado: a corda sempre arrebenta para o lado dos mais fracos.