Artigo/Suledil: Governo Temer no vermelho

ARTIGO


30/07/2016    00h33  Suledil Bernardino capaSuledil Bernadino_______________________ (*)Secretário de Controle Orçamentário e Auditoria O principal noticiário econômico da última semana trouxe como informação que o déficit do primeiro semestre ultrapassa a marca de R$ 32 bilhões. Isso significa que o país está encerrando o primeiro semestre com o pior resultado acumulado nos últimos 20 anos, conforme dados do Ministério da Fazenda. Só no último mês de junho, o déficit foi superior a R$ 8,8 bilhões. Os economistas costumam denominar esse déficit como “rombo”. Tecnicamente, isso pode ser correto mas, para o povo, a palavra é entendida como "roubalheira", o que não é verdade. A tendência do crescimento desse déficit, ao longo de 2016, vai crescer, podendo chegar ao teto previsto de R$ 170 bilhões. Estados e municípios estão, de forma geral, gerando um déficit decorrente, principalmente, da queda de receitas e da elevação dos custos de pessoal, tendo em vista os constantes aumentos reais que têm sido concedidos ao salário mínimo. Um problema para o governo interino de Michel Temer porque isso acaba provocando uma demanda ao gestor público por parte do funcionalismo que, através de movimentos grevistas, acaba emparedando os administradores, que cedem às pressões e aumentam o custo da máquina pública. Por outro lado, o Ministério Público e a Defensoria Pública vêm tomando iniciativas, exigindo compromissos de novos serviços, com base em diversas leis, sem levar em consideração as fontes de financiamento, como por exemplo a Lei da Acessibilidade. Embora a lei seja justa, os municípios terão que arcar com estes novos custos com obras de adaptação em prédios próprios e vias públicas. Como criar novas despesas já estando no vermelho? A crise, como eu disse em outras oportunidades, é como uma enchente e o rio ainda não parou de subir. O pior ainda está por vir. O capital de giro, que faz falta a uma empresa privada, também, faz falta ao setor público. Portanto, teremos muitas turbulências no decorrer desse ano e, pelo menos, nos próximos dois anos. É preciso resolver a questão da instabilidade política com relação à Presidência da República e o governo assumir as responsabilidades de medidas de austeridade e aperfeiçoamento de arrecadação, principalmente, em cima dos sonegadores. Não há outra saída! Se a receita diminui e as despesas não, a conta não fecha. Enquanto a política não se estabiliza e o governo não assume o controle da situação, a população precisa exercitar a  paciência e o governo trabalhar com perseverança e coragem para vencermos a crise. Como diz o ditado popular, “a esperança é a última que morre”.



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