28/10/2016 22h35
Suledil Bernadino______________
(*)Secretário de Controle Orçamentário e Auditoria
Esta semana, saiu mais um dado apontando que a dívida do país superou a barreira dos R$ 3 trilhões. Segundo os técnicos do governo federal, esse grau de endividamento representa algo em torno de 70% do PIB brasileiro. Foi julgado, esta semana, pelo STF a questão da “desaposentação”.
Para quem não sabe, trata-se daquelas pessoas que estavam aposentadas e continuavam trabalhando e contribuindo para o sistema previdenciário. Segundo dados do governo, já haviam 180 mil processos em andamento nas diversas comarcas do país. Caso o STF tivesse feito um julgamento a favor da “desaposentação”, teríamos um déficit ainda maior nas contas do governo federal. Essa decisão estava sendo aguardada há quase seis anos. Desde 2010.
Outra vitória do governo federal foi a aprovação, em segundo turno, pela Câmara Federal da PEC 241/2016, que impõe teto de gastos para o poder público, só faltando agora a aprovação no Senado Federal cuja matéria deve ser apreciada durante o mês de novembro. A arrecadação do governo federal continua em queda, atingindo estados e municípios nos repasses constitucionais.
Segundo informações que obtive, 77% das prefeituras do país estão com suas contas no vermelho. Os estados estão com suas finanças no fundo do poço, principalmente, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul e Minas Gerais. A redução dos investimentos privados e públicos continuam contribuindo para manter a recessão econômica, uma das piores das últimas décadas.
O ano que se finda é mais um daqueles que ninguém gostaria de ter passado por ele, mas o pior ainda poderá acontecer segundo os dados da macroeconomia. No ano que vem, provavelmente, vamos colher os frutos das medidas tomadas para conter o crescimento da inflação, que já se encontra abaixo de 7,5%. Ser gestor em tempo de fartura é fácil. O difícil é administrar em tempo de escassez: exige criatividade, competência, coragem e muita vontade de trabalhar para vencer.