O ministro Jesuíno Rissato negou na segunda-feira (29) um habeas corpus da delegada Adriana Belém - presa com o R$ 1,76 milhão em casa durante a ‘Operação Calígula’ -, que pedia a revogação de sua prisão preventiva ou a substituição da medida por outras diferentes da prisão.
A defesa de Belém alegava no documento que não houve flagrante, que ela foi funcionária pública durante muitos anos e que não é possível afirmar que sua "aparente fortuna" é fruto de atos ilícitos. (Leia mais abaixo)
Os advogados dizem ainda que Adriana, que está presa Instituto Penal Oscar Stevenson, em Benfica, em cela separada, estaria sofrendo ameaças de outras detentas.
O ministro, no entanto, não considerou as alegações e negou outras como primariedade e residência fixa.
“Condições pessoais favoráveis, tais como primariedade, ocupação lícita e residência fixa, não têm o condão de, por si sós, garantirem ao paciente a revogação da prisão preventiva se há nos autos elementos hábeis a recomendar a manutenção de sua custódia cautelar. Diante de tais considerações, não se vislumbra a existência de qualquer flagrante ilegalidade passível de ser sanada pela concessão de habeas corpus”, escreveu o ministro em sua decisão.
No final de junho, ela e o também delegado Marcos Cipriano, preso na mesma operação, tiveram habeas corpus negado pela Justiça do Rio de Janeiro.
Prisão O Ministério Público denunciou a delegada Adriana Belém e seu sobrinho, Richard Henrique Belém da Silva, por lavagem de dinheiro no final de maio. (Leia mais abaixo)
O promotor Luís Augusto Soares de Andrade afirmou que "a denunciada, com vontade livre e consciente, ocultou a natureza, origem, localização, disposição, movimentação e a propriedade de ao menos R$ 1.768.100,00, valores estes provenientes, direta ou indiretamente, das infrações penais acima referenciadas, em especial, o crime de corrupção passiva". O montante foi encontrado na casa dela, em espécie, em bolsas de grife.
Belém está presa desde a “Operação Calígula”, que mirou uma rede de jogos de azar comandada pelo bicheiro Rogério Andrade .
Outra denúncia Em uma primeira denúncia do MP, os investigadores dizem que Belém ajudou a viabilizar a retirada em caminhões de quase 80 máquinas caça-níquel apreendidas em casa de apostas da organização criminosa de Rogério Andrade.
Além dela, foram denunciados o ex-policial Ronie Lessa (já preso acusado pela morte da vereadora Marielle Franco); Leandro de Souza Barbosa, Jefferson Monteiro da Silva, Marcos Cipriano e Rogério de Andrade.
O grupo criminoso e armado de Rogério usava de força para obter vantagens com jogos de azar, envolvendo crimes como corrupção ativa, lesão corporal de natureza grave, homicídio, lavagem de dinheiro, entre outros. (Leia mais abaixo)
Fonte: G1