O governador Wilson Witzel, que, assim como a mulher, Helena, é investigado em um inquérito que está no Superior Tribunal de Justiça, vê-se obrigado a fazer mudanças para montar uma nova rede de apoio. Com isso, deputados federais deverão perder indicações para cargos no governo. A redistribuição tem o objetivo de recompor a base, uma vez que, após as denúncias de corrupção dentro do governo, alguns partidos ameaçam abandonar o barco do Palácio Guanabara, como fez anteontem o Republicanos, que tem quatro deputados na Assembleia Legislativa.
Segundo aliados de Witzel, o governador tem atualmente 35 deputados na base. A quantidade representa o mínimo de votos necessários para afastar a possibilidade de um impeachment. Daí a preocupação em conquistar aliados. (Leia mais abaixo)
— Ceciliano não é o (ex-presidente da Alerj) Jorge Picciani, que tinha influência sobre 90% dos deputados. Ele tem uma tropa de choque de seis a oito deputados e é uma pessoa querida na Casa, mas só isso — disse um conselheiro do núcleo do governador.
Em meio à restruturação, o deputado estadual Márcio Pacheco, do mesmo PSC de Witzel, entregou ontem o posto de líder do governo na Alerj, após a exoneração dos secretários da Casa Civil, André Moura (PSC), e da Fazenda, Luiz Claudio de Carvalho. As nomeações do procurador do Estado Raul Teixeira e do economista Guilherme Mercês desagradaram à boa parte do parlamento, que viu na iniciativa de Witzel uma forma de fortalecer o secretário de Desenvolvimento Econômico, Lucas Tristão, acusado por deputados, principalmente André Ceciliano, de formular dossiês contra parlamentares.
— Eu estava muito cansado (da função de líder do governo). Tenho que olhar mais para o meu próprio mandato e cuidar da minha família. Minha mãe está doente — limitou-se a dizer Márcio Pacheco.
Witzel, então, sondou o deputado Jair Bittencourt (Progressistas), vice-presidente da Alerj, para assumir a liderança do governo. Em nota enviada pela assessoria do deputado na manhã deste sábado, afirma-se que Bittencourt "não foi convidado pelo governador para assumir a liderança do governo na Alerj" e que "qualquer entendimento, sempre ocorre em conjunto com a presidência" da casa.
André Moura: 'Witzel diz que quer uma reforma administrativa no governo', afirma chefe da Casa Civil exonerado (Leia mais abaixo)
Nesta sexta, um dia após as mudanças no secretariado, o partido Novo protocolou um pedido de impeachment que pleiteia não só o afastamento de Witzel, mas também de Lucas Tristão, que também está na mira das investigações da Polícia Federal.
— Entendemos que ambos, o governador e o secretário, cometeram crime de responsabilidade. Claramente, o Tristão é objeto da investigação e tem relação com as empresas de Mário Peixoto (preso sob a acusação de comandar um esquema de superfaturamento de contratos emergenciais) — disse Chicão Bulhões (Novo).
Procurado, Tristão respondeu por meio de nota: “Confio no direito e na análise isenta, pelo parlamento, dos argumentos narrados pelos deputados. Instrumentos jurídicos devem ser utilizados sem fins eleitoreiros e mediante apresentação de fatos e provas.”
Fonte: O Globo