Mesmo com chuvas, situação continua crítica

No último dia 04, segundo dados da ANA, o volume útil do reservatório da Bacia do Rio Paraíba do Sul era de 6,02%


06/11/2015     -    às 18h55       -       Foto: Filipe Lemos/Campos 24 Horas Paraíba TG 5Depois das recentes chuvas, dados divulgados pela Agência Nacional de Águas (ANA) mostram que houve, nos últimos nove dias, melhora nas variações do reservatório de Paraibuna, a maior das quatro represas do sistema do rio Paraíba do Sul (Paraibuna, Jaguari, Funil e Santa Branca). O reservatório que estava com 1,21% do volume útil no último dia 27, passou para 1,63% na quarta-feira dia 04. Apesar do pequeno alívio, a situação hídrica continua crítica na Região Sudeste, afirma o professor Paulo Canedo, do Laboratório de Hidrologia do Instituto Alberto Luiz Coimbra de Pós-Graduação e Pesquisa de Engenharia (Coppe), da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). — A necessidade de racionalização é probabilística. Quanto mais cheios os reservatórios menor o risco, mas esse aumento do volume útil do Paraibuna é irrisório uma vez que está no patamar de 1% e deveria em 30%. Esses reservatórios são capazes de passar por mais de ano com seca, no entanto, eles também demoram para serem enchidos. Com isso, continuamos na mesma crise — explica Canedo. No último dia 04, segundo dados da ANA, o volume útil do reservatório da Bacia do Rio Paraíba do Sul era de 6,02%. Na mesma data do ano passado, o armazenamento foi de 6,2% do volume útil e a situação já era considerada crítica. De acordo com a Secretaria Estadual do Ambiente, 2015 é o segundo ano consecutivo de estiagem severa. Ainda conforme a secretaria, as chuvas das últimas semanas, a exemplo do ocorrido em setembro, reverteram a queda do volume global dos reservatórios de armazenamento da Bacia Paraíba do Sul. A secretaria afirma que, até o momento, não há indicação da necessidade de racionamento de água em 2016. “No entanto, ainda é cedo para descartar a continuidade da severidade da estiagem e de novas medidas de contingência, se necessário, já que os últimos 24 meses continuam sendo a pior referência hidrológica de 85 anos de registro histórico”, diz nota da secretaria. — As chuvas ajudaram mas ainda estamos longe de sair do período crítico. Continuo apelando pelo consumo consciente para vencermos esse grande desafio — adverte o secretário estadual do Ambiente, André Corrêa. As chuvas, porém, devem continuar ajudando aumentar o nível dos reservatórios. De acordo com o meteorologista Alexandre Nascimento, da Climatempo, sob a influência do fenômeno El Niño, está sendo esperado chuva de normal a acima da média no Rio, São Paulo e Centro Sul de Minas durante este mês de novembro e no Verão. Ainda de acordo com Nascimento, mesmo as áreas que terão chuva normal ou acima da média, deverá ocorrer alguns dias com chuva irregular, em forma de pancadas isoladas e fortes — com raios e, eventualmente, granizo e vendaval. A previsão é que a temperatura fique mais alta do que a média. O meteorologista diz ainda que dificilmente vai ocorrer períodos longos de estiagem, como nos dois últimos anos passados.  



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