Sistemas de GPS podem parar de funcionar no próximo dia 6

Por serem recentes, os smartphones não serão afetados, mas muitos sistemas de navegação


  • 12/03/2019 15h34 Foto: Michel Filho/Extra.

No próximo dia 6 de abril, sistemas de GPS mais antigos poderão apresentar falhas, como a indicação errada de localização, ou até mesmo pararem de funcionar. Por serem recentes, os smartphones não serão afetados, mas muitos sistemas de navegação — em navios, carros e aviões — podem estar suscetíveis, além de redes de computadores, servidores, instalações elétricas, sites e outros equipamento que dependam de satélites GPS para ajustarem seus relógios. O problema está sendo comparado ao “bug do milênio”, que assustou a indústria da tecnologia na virada para o ano 2000.

O problema está na forma como satélites e sensores GPS calculam o tempo. Começando em 6 de janeiro de 1980, esses dispositivos contam o tempo em semanas e, nos mais antigos, o software destinava 10 bits para essa função. Dois elevado a décima potência é 1024, ou seja, esses equipamentos eram capazes de contar 1024 semanas, ou 19,7 anos. (Leia mais abaixo)

Dessa forma, em 21 de agosto de 1999 esse problema aconteceu pela primeira vez, mas naquela época o mundo era bem menos dependente do GPS. 1024 semanas depois, no dia 6 de abril, o bug de calendário assusta novamente. Em blog, a FalTech GPS, fabricante britânica de repetidores GPS, alerta que “mercados financeiros, companhias geradoras de energia, serviços de emergência e sistemas de controle industrial podem ser afetados”, ressaltando, porém, que como se trata do segundo bug do tipo, muitos fornecedores devem ter resolvido o problema.

— Os efeitos devem ser mais difundidos hoje, porque muito mais sistemas integraram o GPS em suas operações — afirmou Bill Malik, vice-presidente da Trend, em entrevista ao site Tom’s Guide. — Portos carregam e descarregam contêineres automaticamente, usando GPS para guiar as gruas. Sistemas de segurança pública incorporaram o GPS, assim como sistemas de monitoramento do tráfego. Há 20 anos essas conexões eram primitivas, agora elas estão incorporadas. Então, qualquer impacto agora será substancialmente maior.

O Departamento de Segurança Nacional dos EUA divulgou um memorando em abril do ano passado, alertando “organizações federais, estaduais, locais e do setor privado” a checarem com fabricantes dos seus equipamentos GPS a necessidade de atualização do firmware. A Agência Europeia para a Segurança da Aviação emitiu o mesmo alerta.

Falhas no GPS podem informar aos pilotos que os aviões estão a quilômetros de distância da posição verdadeira, ou no Golfo da Guiné, ponto zero dos sistemas de GPS. A fabricante TomTom informou que alguns de seus produtos podem ser afetados, por isso é recomendável que os consumidores atualizem seus equipamentos. Entre as falhas possíveis estão a ausência do horário, perda frequente do sinal de GPS ou a impossibilidade da navegação. A Garmin, por sua vez, afirma que caso seus produtos sejam afetados, “a precisão do posicionamento não será afetada”, apenas o horário e a data, o que pode comprometer funções como o rastreamento dos logs.

— Eu não vou voar no dia 6 de abril — disse Malik. (Leia mais abaixo)

Fonte: Extra



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