terça-feira 04 de novembro de 2014 - Foto: Divulgação

Fazer pão é mais do que misturar os quatro ingredientes básicos: farinha, água, sal e fermento. Para os franceses, trata-se de uma arte. Pensando nisto, o Sistema FIRJAM, em parceria com os sindicatos das Panificadoras da região e o SENAI Nacional, deu início a um ciclo de palestras e aulas práticas com o objetivo de qualificar padeiros e empresários do ramo no Norte e Noroeste Fluminenses. As aulas, que seguem nos dias 04 e 05, são com o mestre francês Jean Marc Larre.
Ao todo, cerca 70 pessoas serão capacitadas nos três dias. O setor conta com cerca de 6.000 padarias do Estado do Rio de Janeiro, segundo último levantamento do Ministério do Trabalho e Emprego (2013), sendo 600 só em Campos, de acordo com dados do sindicato local.
A chefe da Divisão de Desenvolvimento Empresarial do Sistema FRIJAN, Alessandra Cabral, diz que trazer Jean Marc Larre para capacitar empresários e padeiros sobre técnicas francesas de confecção de pães foi um pedido do próprio Sindicato. É uma ação que não acontece apenas em Campos para público do Norte e Noroeste, mas em outras unidades do SENAI, como Petrópolis, Volta Redonda, Nova Friburgo e Rio de Janeiro.
Ela ressalta que, nesta segunda-feira, o tema do evento foi gestão de negócio, com foco nos empresários, quando participaram 20 pessoas. Nesta terça-feira (03), será a vez de 25 padeiros do Noroeste Fluminense botarem a “mão na massa” na aula prática com Jean Marc, que acontece das 8h às 17h, na Escola de Panificação do SENAI Campos. Na quarta-feira (04), o mesmo treinamento será transmitido a outros 25 padeiros do Norte do Estado nos mesmos horário e local.
“Em agosto deste ano, realizamos uma missão empresarial ao México, na qual participaram especialistas do Sistema FIRJAN e dirigentes de sindicatos de panificações de todo o Estado. O grupo visitou a Mexipan, feira setorial reconhecida internacionalmente. Nesse primeiro dia de evento em Campos, além da capacitação com Jean Marc, passamos para os empresários presentes os conhecimentos adquiridos durante a missão ao México”, destacou Alessandra.
Para o presidente do Sindicato das Indústrias de Panificação e Confeitaria, de Produtos de Cacau e Balas, Massas Alimentícias e Biscoitos, da Cerveja e Bebidas em Geral e de Doces e Conservas Alimentícias de Campos (Sipal), José Tadeu Rodrigues Almeida, eventos como estes dão fôlego e ânimo ao setor.
“A capacitação profissional é algo de extrema importância para qualquer ramo da indústria. Nas panificações não poderia ser diferente. Isso impacta positivamente desde à linha de produção, com artigos de melhor qualidade, até o atendimento ao cliente. Foi um pedido que fizemos à FIRJAN e fomos atendidos”, disse José Tadeu.
As diferenças entre Brasil e França no setor já começam no consumo do produto. Enquanto cada brasileiro consome cerca de 35 kg de pão por ano, são 200 kg consumidos na França por cada habitante. Para Jean Marc Larre, não basta apenas misturar os ingredientes do pão.
“O padeiro precisa entender o que acontece quando a mistura dos ingredientes é feita, precisa saber os processos bioquímicos pelos quais o produto passa antes de chegar à mesa do consumidor. E, acima de tudo, precisa amar o que faz. É assim que nós fazemos na França”, destacou o mestre francês que, para as próximas aulas, separou receitas como Baguete, brioche, croissant e outros sucessos da França.