"Sistema de saúde de Campos será redimensionado e poderemos ter cortes", diz médico

REUNIÃO-Presidente do Sindicato dos Médicos e Secretária de Saúde


  • 17/08/2017 18h02 (Atualizado em 18/08/2017, 11h21) Foto: arquivo.
(Atualizado em 18/08/2017, 11h21) - Em entrevista ao Campos 24 Horas na manhã desta sexta-feira(18), o presidente do Sindicato dos Médicos de Campos, José Roberto Crespo,  falou sobre os assuntos tratados na reunião da tarde de ontem com a Secretária Municipal de Saúde, Fabiana Catalani. Segundo Crespo, sobre a gestão da área de Saúde, a Secretária  reafirmou que o sistema precisa ser redimensionado para atender à demanda e se adequar à situação financeira difícil pela qual passa o município. De acordo ainda com ele, haverá uma nova reunião na próxima terça-feira, dia 22, às 17h, na sede da Secretaria de Saúde, com a Comissão formada por nove médicos, que será responsável pelo levantamento que vai determinar as mudanças que ocorrerão e se haverá necessidade de demissão e transferência de alguns médicos. "A Secretária se mostrou sensível aos nossos pleitos, como, por exemplo, rever o corte de 20% na gratificação para os médicos que tiram plantão em emergências", disse José Roberto Crespo, ressaltando que o município tem atualmente na rede pública 1.150 médicos efetivos e 288 prestadores de serviço(RPAS). "Não sabemos o que vai ocorrer quanto a demissão e transferência de local de trabalho dos médicos. Poderemos ter cortes. Somente após o levantamento da Comissão da Prefeitura teremos uma visão maior", destacou o presidente. "Disse à Secretária Fabiana que saúde é algo caro. O custo é sempre alto. Em outras secretarias, os cortes podem ser maiores, porém na Saúde o cuidado deve ser especial. Mas, temos de manter aberto o diálogo com o governo para tentar fazer com que a categoria seja prestigiada, assim como a gestão da Saúde seja eficiente. O governo pode até fechar alguns postos em bairros, mas isso não quer dizer que o atendimento à população será comprometido. As medidas podem até ter um desfecho de fechamento de postos e centralização do atendimento dos moradores de bairros e distritos num só local, de forma estratégica, sem prejuízo do atendimento e, ao mesmo tempo, gerando economia dos custos operacionais", frisou Crespo. Ao final, ele ainda ressaltou que: " É preciso se preocupar com a parte financeira, mas estamos  lidando com vidas e, em alguns casos, não pode ter jeitinho", finalizou. REUNIÃO O presidente do Sindicato dos Médicos de Campos, José Roberto Crespo, e a secretária municipal de Saúde, Fabiana Catalani, iniciaram uma reunião no final da tarde desta quinta-feira (17), na sede do sindicato. Na pauta, a  questão do desligamento de alguns médicos de diversas unidades de saúde local, principalmente, dos dois maiores hospitais da cidade: Ferreira Machado (HFM) e Geral de Guarus (HGG). Tudo isso, em conseqüência da crise econômica que passa o município. A Saúde está sendo o assunto da semana em toda a imprensa local, com registro de passeatas pelas ruas da cidade, manifestações na Câmara de Vereadores e diferentes reuniões, tanto sindical quanto patronal (prefeitura). Além disso, quatro neurocirurgiões plantonistas do HFM foram desligados das suas funções e, de acordo com José Roberto Crespo, o número de demissões de médicos de várias especialidades pode aumentar nas unidades hospitalares. Os profissionais são contratados pela prefeitura através do Registro de Pagamento Autônomo (RPA) e que, até esta quinta-feira (17), não haviam recebido o pagamento de salários referente ao mês de julho. José Roberto Crespo explica que ficou acordado na reunião nesta quarta-feira (16) com o prefeito Rafael Diniz, a tentativa do governo liberar 50% dos salários até a próxima semana. “A informação passada pelo prefeito é de que ele irá verificar na Secretaria de Fazenda se tem recurso suficiente para efetuar o pagamento, mas já adiantou que o município está sem dinheiro. Tanto que já houve o anúncio do governo de corte nos salários de 35% já a partir deste mês”, ressaltou o presidente, informando que os demais 50% ainda não foram discutidos. Rafael Diniz recebe médicos para conversa sobre reforma administrativa O prefeito Rafael Diniz recebeu, no auditório da prefeitura, na noite desta quarta-feira (16), cerca de 40 médicos, a maioria do Hospital Ferreira Machado (HFM), Hospital Geral de Guarus (HGG) e Unidades Pré-Hospitalares (UPHs) para tratar de questões relativas à reforma administrativa. Foram abordados, dentre outros assuntos, questões que envolvem gratificações e novas escalas de trabalho nas unidades hospitalares, sempre respeitando às leis vigentes. Os médicos argumentaram com o prefeito sobre a possibilidade de rever mudanças que resultem em redução dos rendimentos para a categoria, dentro da reforma que a prefeitura realiza em todos os setores, para adequar os gastos à realidade financeira do município. — Gostaríamos que a realidade fosse outra, mas a situação é difícil. As reformas que estamos realizando são necessárias para adequar os gastos com as finanças. Mas estamos abertos ao diálogo e todos terão sempre espaço para colocar suas opiniões. Estaremos sempre prontos para receber e ouvir todas as categorias — afirmou o prefeito Rafael Diniz. Ao final, foi formada uma comissão de médicos e decidido que a questão voltaria a ser discutida na próxima semana em nova reunião na prefeitura. O prefeito disse que está aberto a sugestões, mas que em primeiro lugar está o tratamento responsável com as finanças públicas. O presidente do Sindicato dos Médicos, José Roberto Crespo, coordenou a formação da comissão.



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