Sindicato dos Estabelecimentos de Ensino defende volta às aulas

A discussão gira em torno do texto da narração, que coloca em xeque estudos sobre a pandemia do novo coronavírus


  • 28/07/2020, 08h59, Foto: Divulgação.

Um vídeo institucional produzido pelo Sindicato dos Estabelecimentos de Ensino do Rio de Janeiro (SinepeRIo), em defesa da volta às aulas, vem causando polêmica nas redes sociais. A discussão gira em torno do texto da narração, que coloca em xeque estudos sobre a pandemia do novo coronavírus e o distanciamento social, recomendado pela Organização Mundial de Saúde (OMS) e adotado em todo o mundo democrático.

A peça, de pouco menos de 1 minuto, mescla imagens de adultos, crianças em salas de aula e ao ar livre. A narradora começa falando em cumprimento de regras e protocolos e afirma que as escolas privadas fizeram "o dever de casa" e estão prontas para reiniciar. O texto segue, então, com as afirmações que geraram toda a polêmica. (Leia mais abaixo)

"Vimos que ciência é a vacina. Estudos só confundiram. Trancar todos em casa não é ciência. Confinar é desconhecer, é ignorar, subtrair vida, é fragilizar, debilitar, mexer com o emocional".

Por fim, a narração conclui que as crianças precisam "voltar a se relacionar, brincar, refazer laços, amizades e rever os amigos".

"Vergonhoso, desumano, mentiroso e antiético o VT que o @SinepeRio  jogou aos leões, hoje. A vergonha aumenta quando a gente lê o Código de Ética deles e vê que eles o descumprem, neste vídeo. O negócio é levar vantagem em tudo, né?", comentou o usuário Afonso Borges, um dos primeiros a postar as imagens.

Repecussão Ao longo desta segunda-feira, artistas e influenciadores digitais também criticaram o conteúdo do vídeo.

"Falta de vergonha, de humanidade e - pasmem - conhecimento científico dá nisso. Esse vídeo é um horror!", escreveu a cantora Teresa Cristina. (Leia mais abaixo)

O cantor e ativista Tico Santa Cruz também se mostrou indignado e cobrou que as escolas privadas se pronunciem sobre o vídeo:

"O Sindicato das escolas particulares do RJ fez esse vídeo INSTITUCIONAL, com conteúdo NEGACIONISTA em meio a uma pandemia que já matou mais de 85 mil pessoas! Temos que cobrar das escolas privadas uma posição sobre isso!".

O material divulgado pelo SinepeRIO repercutiu mal nas redes sociais pelo tom considerado negacionista da pandemia. A reação negativa levou o sindicato a remover o vídeo das redes, na manhã de segunda, mas o material já tinha viralizado.

Para o presidente do Sindicato dos Professores do Município do Rio de Janeiro e Região (Sinpro-Rio), Oswaldo Teles, o conteúdo do vídeo é grave e coloca a entidade que representa os empresários da educação numa posição delicada.

— Muitos pais reclamaram, diretores e donos de escola que não apoiam esse tipo de posicionamento — afirma. (Leia mais abaixo)

Oficialmente, nenhuma grupo educacional ouvido pela reportagem se pronunciou sobre o caso.

Teles destaca ainda que o texto, colocando a ciência em xeque, é incompatível com o que se espera de uma entidade que representa instituições de ensino.

A opinião é compartilhada por Claudia Costin, Diretora Geral do Centro de Excelência e Inovação em Políticas Educacionais da FGV, que também lamenta a forma como Sinepe-RIO coloca em dúvida a ciência e vê na divulgação do vídeo um grande erro.

— Acho muito importante que haja diversidade de pensamentos e visões de mundo. Mas no momento em que uma instituição educacional questiona a ciência, isso é muito complicado — afirma.

Especialista em Educação, Claudia Costin também questiona a proposta do Rio de reiniciar as atividades escolares pela rede privada. Ela teme que as desigualdades, que já ficaram acentuadas na pandemia, se agravem ainda mais. (Leia mais abaixo)

— Nas escolas públicas, já temos muitos alunos em meios de vulnerabilidade. Não é só acesso à internet, mas condições de estudar em casa. Foi mais fácil para as escolas particulares aplicarem educação online, porque não demandou grandes esforços. Eles já tinham a estrutura — acredita.

Até a publicação desta reportagem, o Sinepe-RIO não se pronunciou.

Fonte: O Globo



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