23/06/2016 15h28 | Foto: Filipe Lemos/Campos 24 Horas 

O Movimento Unificado dos Servidores Públicos do Estado do Rio de Janeiro (Muspe) realizou uma manifestação na tarde desta quinta-feira (23), na Praça São Salvador, no Centro de Campos, contra o atraso de salários. A maioria dos servidores veste camisas pretas com a seguinte frase: "Os servidores e a população não vão pagar pela crise".
A representante dos servidores da Uenf, Maristela Lima Dias, falou ao
Campos 24 Horas.
"É um ato que está acontecendo em Campos e no Rio de Janeiro, em protesto aos desmandos do Governo do Estado. É um movimento de greve e um ato contra o desgoverno, o parcelamento dos salários provoca instabilidade e insegurança. Nós estamos trabalhando sem a certeza de que vamos receber. Investiram em olimpíadas, mas acabaram abandonando a população", disse Maristela.
Para o representante do Sindicato dos Servidores da Justiça, Luis Otávio(foto), o ato é em protesto e luto pelo descaso com os servidores do Estado do Rio.

"É um ato em protesto e luto por tudo que está acontecendo no Rio de Janeiro com os servidores. Um estado que é a segunda maior arrecadação e não tem dinheiro para pagar o servidor público? O cidadão hoje está completamente desprotegido, os hospitais públicos não tem auxílios, as escolas estão sucateadas, sem merenda, os policiais sem receber o RAS, ou seja, para onde foi o dinheiro? O intuito do protesto é chamar atenção da população para os desmandos financeiros do Estado do Rio. O governo não está ministrando as finanças de forma correta", afirmou Luis Otávio.
A diretora regional do Sindicato dos Profissionais da Educação (Sepe),Graciete Santana, também esteve presente no ato.
"Hoje é um ato unificado dos servidores públicos estaduais, contra todo o sucateamento dos serviços, a inversão de prioridades do Governo do Estado com o servidor público e privilegiando as olimpíadas. Estamos com atraso em salários sem reajuste a mais de três anos, categorias em greve e o governo se mantendo intransigente em muitos pontos da negociação é por isso que estamos aqui hoje com vários setores de servidores públicos, para chamar atenção da população", alegou Graciete Santana.
Manifestação no Centro do Rio
Cerca de 100 trabalhadores de vários setores estão em frente ao Tribunal de Justiça, no Centro do Rio e querem ser recebidos pelo presidente do TJ, o desembargador Luís Fernando Ribeiro de Carvalho. Os servidores reclamam da decisão judicial de suspender os arrestos nas contas do estado, que garantiam o pagamento do trabalhadores.
Depois, os manifestantes devem seguir até a Assembleia Legislativa do Rio (Alerj) para protocolizar um pedido de impeachment contra o governador Luiz Fernando Pezão e o interino Francisco Dornelles. O protesto segue de forma pacífica. No grupo, há servidores da ativa e aposentados.
Calamidade
A crise que atinge o Rio de Janeiro levou o governador em exercício, Francisco Dornelles, a decretar estado de calamidade pública na última sexta-feira (17). Segundo o decreto, publicado no Diário Oficial, o motivo é a grave crise financeira que impede o cumprimento das obrigações assumidas em decorrência da realização dos Jogos Olímpicos e Paralímpicos. De acordo com o texto, o governo teme um "total colapso na segurança pública, na saúde, na educação, na mobilidade e na gestão ambiental".